sábado, abril 21, 2018

Centro-direita sem nomes para enfrentar o "lulismo" no Nordeste e em Pernambuco


Enquanto o PT tenta romper o isolamento político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, líderes dos partidos de centro-direita no Nordeste enfrentam dificuldades em encontrar políticos dispostos a enfrentar o “lulismo” nas eleições majoritárias desse ano.

Esse foi o principal tema de debate nos bastidores do 17.º Fórum Empresarial do Lide, evento que reuniu empresários, presidenciáveis e lideranças políticas em Recife entre quarta-feira e hoje.

Como acontece desde 2014, quando a então presidente Dilma Rousseff rompeu com o idealizador do evento, o ex-prefeito João Doria (PSDB), o Fórum não recebeu neste ano políticos do campo da esquerda - a exceção foi o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

Os dois casos mais emblemáticos - e que preocupam sobretudo o PSDB e o DEM - são justamente os de Pernambuco e Bahia, onde o deputado Bruno Araújo e o prefeito de Salvador, ACM Neto, desistiram de disputar os respectivos governos.

Em Pernambuco, as negociações locais caminham para a formação de um grande palanque estadual encabeçado pelo senador Armando Monteiro (PTB), que é próximo a Lula e faz elogios ao “legado” do ex-presidente no Nordeste. Nas conversas reservadas, tucanos reconhecem que o ex-governador Geraldo Alckmin tem “traços” nas pesquisas internas e não terá palanques sólidos.

“O Nordeste é o ponto forte do PT. Uma candidatura majoritária que não surfa na onda da opinião pública daqui tem um trabalho redobrado. A missão do DEM e de outros partidos de centro para chegar ao Nordeste é combater a guerra da desinformação”, disse o deputado Efraim Filho (DEM-PB). Segundo ele, o “lulismo” ainda é muito forte no Nordeste, mas o petismo não. “O petismo está em decadência”, afirmou o parlamentar.

Bruno Araújo também reconhece que a força de Lula é muito substancial. “A liderança exercida pelo ex-presidente Lula é um componente que tem influência na montagem do palanque e estratégia de campanha”, disse Bruno Araújo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Bastidores - A oposição ao governador Paulo Câmara pretendia lançar a chapa formada - com o candidato a governador e os senadores - no último dia 20 (sexta-feira). Mas todos decidiram esperar para ver se o cenário nacional, ainda nublado após a prisão de Lula, pode clarear.

Havia vários nomes colocados para enfrentar Paulo Câmara em Pernambuco, como o do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e o deputado federal Mendonça Filho (DEM), além de Bruno Araújo. Mas o único que não tem nada a perder é Fernando Bezerra, porque tem mais quatro anos como senador. Só que FBC, como é chamado, enfrenta uma disputa jurídica pelo comando do MDB com o vice-governador Raul Henry (MDB).

Os adversários de Paulo não se preocupam, no momento, com a força política do governador, que eles consideram impopular. O que eles temem é que a comoção provocada com a prisão de Lula, especialmente na terra natal do ex-presidente, derrube para baixo os palanques oposicionistas. O PSB tem massificado o discurso de que os opositores deram sustentação ao governo Temer.

Por: AE

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