terça-feira, 27 de março de 2018

Ônibus da Caravana de Lula pelo Sul são atingidos por tiros


Dois dos três ônibus da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram atingidos por tiros, segundo pessoas que estavam dentro dos veículos. Os ônibus teriam sido alvos dos disparos quando deixaram a cidade de Quedas do Iguaçu, e seguiam para Laranjeira do Sul, ambas no Paraná. Segundo os relatos, o veículo que levava jornalistas convidados pela comitiva tem a marca de um tiro na lataria e ainda uma espécie de arranhão no vidro que teria sido provocada pelo projétil que ricocheteou. Ninguém saiu ferido.

O outro ônibus, ainda segundo o PT, apresenta a marca de um tiro na lataria, pouco abaixo das janelas. O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, informou que telefonou para o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, cobrando providência a respeito do episódio. O ônibus que transporta Lula não foi atingido.

Logo depois de discursar numa universidade em Laranjeira do Sul, o ex-presidente seguiu até a garagem para onde os veículos foram levados.

— Se pensam que com isso vão acabar com a minha disposição de brigar, estão enganados — disse Lula durante discurso a militantes em universidade de Larajeiras do Sul.


O PT informou que registrará um boletim de ocorrência e também pedirá perícia nos veículos. A presidente do partido, Gleisi Hoffmann, classificou de "emboscada" o ato contra os veículos da caravana.

— Queriam atingir o presidente Lula. Foi uma emboscada, uma tentiva de homicídio — disse Gleisi.

Segundo Antonio Soares, motorista que dirigia o ônibus com os jornalistas, assim que o ônibus foi atingido todos pensaram se tratar de uma pedrada. Ele contou ainda que, em seguida, verificou que dois pneus também foram furados por um objeto cortante.

No Twitter, no pefil @Lula pelo Brasil, o ex-presidente diz que a caravana "está sendo perseguida por grupos fascistas. Já atiraram ovos, pedras. Hoje deram até um tiro no ônibus".

O ministro da Segurança, Raul Jungmann, disse que vai conversar ainda hoje com o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), para pedir atenção às investigações sobre o ataque.

— Vou pedir (ao governador) exatamente que existam cuidados adicionais. E também falo sempre com a Polícia Rodoviária Federal. Nós não podemos admitir confrontos. É absolutamente anti-democrático e é preciso ter respeito — disse Jungmann.

Mais cedo, em Quedas do Iguaçu, o ex-presidente chamou de "selvageria" os atos contra ele na região. Ao discursar na praça central do município, Lula afirmou que aceita "todo tipo de protesto, o que não se aceita é a violência".

— Nunca tinha assistido uma selvageria como estamos assistindo agora, de um grupo de pessoas que eu não sei quem são, que nos esperam em cada trevo com pau, pedra e bomba para tentar evitar que a nossa caravana chegue no lugar que está marcado — afirmou o ex-presidente.

Sobre a condenação de 12 anos e um mês no caso do tríplex, o ex-presidente colocou sob suspeita a credibilidade dos responsáveis pela punição.

— Tem um processo contra mim que eu já fui condenado. Eu ficou pensando: ou estou louco ou quem me condenou está louco.

A caravana pela região Sul completa nesta terça-feira o seu 9º dia.

— Em todas as cidades, tinha caminhão, tinha pau e tinha pedra — disse Lula.

Quedas do Iguaçu é cercada de assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. O locutor do evento de Lula referiu-se ao município como capital nacional da reforma agrária. Ao discursar antes dos líderes petistas, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (RS), agradeceu de "coração" ao movimento e disse que a caravana é "da paz".

— Vocês têm sido aguerridos. Quem está fazendo a segurança do presidente Lula nas terras paraenses é o MST. Obrigado por vocês cuidarem do presidente Lula — afirmou.

O Globo


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