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Grupo contrário ao impeachment protesta em frente à casa de Temer

 
 
Michel Temer recebeu o economista Delfim Netto em sua casa (Foto: GloboNews/Reprodução)

Manifestantes contrários ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) fazem protesto na manhã desta quinta-feira (21) em frente à casa do vice-presidente Michel Temer (PMDB), no Alto de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo.

Cerca de 60 pessoas, em sua maioria jovens, estenderam faixas com a frase 'Temer golpista'. Para os manifestantes, a presidente Dilma não cometeu crime de responsabilidade e, portanto, não poderia sofrer o impeachment. O grupo também alega que o fato de o PMDB ter saído do governo Dilma, mas o vice ter permanecido no cargo, configura "golpe". Cerca de 20 seguranças permaneceram em frente ao muro da casa. A PM também foi acionada.

O ato, organizado pelo Levante Popular da Juventude, faz parte da ação #escracheumgolpista: "Dia 21 de abril, dia do assassinado do líder da Inconfidência Mineira, TIRADENTES, que foi traído por um de seus aliados na luta Joaquim Silvério. Para marcar esse dia 21 deste ano, pedimos que vocês façam escrachos em todo o Brasil aos traidores atuais! Aos atuais: Joaquim Silvero. Traidores do povo! Traidores da Democracia. Aos 367 deputados que votaram a favor do golpe, a favor do impeachment", diz página do grupo no Facebook.


Manifestantes também gritaram "vaza carta, vaza áudio, vaza Temer do Planalto" em referência à carta de Temer para Dilma e um áudio com suposto discurso do vice-presidente no caso de assumir a presidência. Eles também rasgaram papéis que representam a Constituição.

Desde segunda-feira (18), um dia depois de a Câmara dos Deputados decidir pelo impeachment da presidente, o vice-presidente recebe políticos em sua casa ou escritório em São Paulo. Apesar de negar que esteja compondo seu ministério em seu possível futuro governo, o presidente interino do PMDB, Romero Jucá, indicou nesta quarta-feira (20) que as reuniões abordam a composição.

"O governo Temer deverá ter o ministério no momento em que ele assumir. Ao assumir ele vai precisar nomear uma equipe que vai assumir com ele. O presidente Temer tem coletado informações, opiniões, visões diferentes, mesmo na área econômica", disse Jucá.

"Ele tem conversado com diversos setores para consolidar um posicionamento inicial. Claro, na hora que ele assumir estará preparado para dar posse ao ministério que vai atuar sob seu comando. É uma espera silenciosa em sua manifestação, não é uma espera paralisante. O presidente Temer não estará paralisado. Ele está atuando com a bagagem que tem, com a experiência que tem, com a condição de jurista que tem e sabe de seus limites. Portanto, ele vai pensar, conversar, ouvir, raciocinar e só vai anunciar quando juridicamente puder fazer isso, ou seja, quando o Senado se posicionar", afirmou o senador.

Na manhã de quarta-feira, Eliseu Padilha e Moreira Franco, ex-ministros da Aviação Civil, Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Integração Nacional, e o senador Romero Jucá (PMDB), se encontraram com Temer. Em casa, após o almoço, Temer recebeu a visita do ex-ministro Delfim Netto. Mais tarde, no escritório, o vice-presidente recebeu a visita do deAo chegar, Eliseu Padilha afirmou que a reunião é de rotina e que espera a decisão do Senado sobre o processo de impeachment. "É uma reunião de rotina. Vamos fazer como o Michel disse: vamos esperar paciente e silenciosamente o que acontece no Senado", afirmou.

Sobre o fato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ver o processo de impeachment como golpe, Eliseu Padilha disse que era esperado. "A luta política é esperada. O melhor que podemos fazer é observar, observar, observar e definir, porque ainda vivemos processo de impeachment. Temos que raciocinar como alguém que está fora do governo. O governo tem que cumprir o seu papel, e o presidente Lula, ao que parece, fala em nome do governo", disse.

Delfim Netto riu quando foi questionado se poderia ser chamado para ser ministro. "Eu tenho 88 anos, acha que sou maluco de aceitar um convite? Vim aqui só dar um abraço", disse Delfim. "Temer não precisa de ideias, ele tem boas ideias. Esse processo vai terminar naturalmente e o Brasil vai encontrar o seu caminho e voltar a crescer. Vencemos muitas dificuldades iguais a essa."putado federal Beto Mansur (PRB).

Tatiana Santiago
Do G1 São Paulo

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