segunda-feira, 16 de julho de 2018

FGV reconhece nacionalmente produção inovadora de alimento no interior de PE

Fundação reconhece conceito inovador onde mostra ser possível plantar água, comer Caatinga e irrigar com o sol, otimizando a abundância dos recursos naturais da região semiárida nordestina e fazendo uso racional da água (Fotos: Silvânia e João Vitor)

O Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável por um projeto nacional onde favorece a agricultura familiar na cadeia de alimentos nos centros urbanos, reconheceu grande potencial de um projeto no sertão pernambucano onde favorece o cultivo de alimentos através do primeiro sistema agrovoltaico da América do Sul. O sistema está sendo desenvolvido na escola de Agroecologia Serta, em Ibimirim, por uma rede de pesquisados de entidades locais e do país (Ecolume), liderada pela climatologista Francis Lacerda, do Laboratório de Mudanças Climática, do Instituto Agronômico de PE (IPA). Na última semana, a FGV incluiu o projeto do Ecolume como uma das 14 iniciativas sendo executadas no Brasil com potencial de produzir alimentos através da agricultura familiar para cadeia de grandes cidades.

Em agosto, Francis e o climatologista Paulo Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, membros do Ecolume, participarão de um encontro na FGV, em São Paulo, juntos aos demais 13 projetos pré-selecionados no projeto Bota na Mesa, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da instituição. O Bota na Mesa localiza e favorece a articulação de redes entre governos, empresários, associações, cooperativas e as iniciativas deste tipo de produção de alimentos com o objetivo de promover um comércio justo, a conservação ambiental e a segurança alimentar e nutricional.


"O nosso projeto Socioeconomia Verde no Bioma Caatinga mostra justamente a viabilidade de uma agricultura familiar que também utiliza as plantas nativas já adaptadas ao clima do semiárido, que tem como potencialidade, muito sol e pouca água e, isso tudo considerando os cenários das mudanças climáticas atuais e futuras", diz Francis, agradecida pelo reconhecimento do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV". O Ecolume, com jovens estudantes do Serta, sendo eles filhos e filhas de agricultores de várias cidades sertanejas de PE e outros estados do NE, estão desenvolvendo um projeto pioneiro de produção consorciadas de animais (peixes e galinhas) e vegetação (plantas nativas e adaptadas) por um sistema de aquaponia (produção por tubos e caixas d'águas com uso e reuso da água), alimentada pela irrigação por placas fotovoltaicas.

Para o professor de mestrado em Agronegócio do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV, Eduardo Assad, que integra o comitê científico do Painel Brasileiro de Mudança Climática, o projeto do Ecolume é notável. "Ele merece todo o nosso apoio, pois é um dos poucos que com toda a simplicidade e inovação pode mostrar em um curto prazo que é possível transformar a racionalidade da agricultura na Caatinga através dos seus recursos naturais, a exemplo das plantas nativas já altamente tolerantes à deficiência hídrica e a seca, transformando a lógica secular do flagelo sertanejo em potencialidade, riqueza e renda para o produtor", diz Assad.

Ecolume

O Ecolume é financiado pelo CNPq desde o começo do ano. A rede de pesquisadores, que busca apresentar soluções no Bioma Caatinga para os problemas dos recursos hídricos, energia e produção alimentar diante do advento e da evolução das mudanças climáticas, é composta por entidades como o IPA, UFPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto Nacional do Semiárido, Instituto Federal do Sertão, Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e ainda a Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado de Pernambuco (Semas).


Assessoria de Imprensa Ecolume/IPA


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