terça-feira, 24 de julho de 2018

Família quer trazer corpo de brasileira morta na Nicarágua para Pernambuco


Depois de saberem da morte da filha, os pais da brasileira Rayneia Lima, de 30 anos, lamentaram a perda e, em meio ao luto, tentam organizar o transporte do corpo da médica, natural de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, até o Brasil.

Mãe de Rayneia, a aposentada Maria Costa afirma ter falado pela última vez com a filha na manhã da segunda (23). “Ela me disse que estava indo para o plantão e me dizia sempre que lá estava muito perigoso, que ninguém estava saindo na rua. Hoje de manhã o ex-sogro me ligou dizendo o que tinha acontecido”, contou ao G1, nesta terça-feira (24).

No país desde 2013, a brasileira se preparava para voltar ao Brasil em 2019, segundo a mãe. “Ela tinha acabado a faculdade e estava fazendo residência. Estava indo para o plantão quando falou comigo, era uma moça estudiosa e esforçada”, lamenta a mãe.

"Eu quero que quem matou a minha filha seja punido. Seja o presidente, seja quem for"

Sem ter notícias oficiais sobre a morte da filha até o fim da manhã desta terça (24), Maria Costa deseja que os fatos sobre o assassinato da filha sejam esclarecidos. “Tiraram da rua o carro em que ela estava quando foi baleada. Eu quero que quem matou a minha filha seja punido. Seja o presidente, seja quem for”, afirma a mãe.
Pai de Rayneia, o motorista Ridevando Pereira não mantinha tanto contato com a filha, mas sabia e aguardava a possível vinda da estudante para o Brasil em 2019. “Ela estava lá somente para estudar. Era uma menina muito estudiosa e estava terminando os estudos para voltar”, conta.

Entenda o caso

Segundo Ernesto Medina, reitor da Universidade Americana em Manágua (UAM), onde a jovem estudava, a morte foi confirmada nesta terça-feira (24). Em nota, o Itamaraty disse que busca esclarecimentos junto ao governo nicaraguense.

O assassinato da estudante brasileira ocorreu horas depois de Medina participar de um fórum no qual disse que o crescimento econômico e a segurança na Nicarágua antes da explosão dos protestos contra o presidente Ortega em abril "era parte de uma farsa" porque "nunca houve um plano que acabasse com a pobreza e a injustiça".

Para Medina, a morte de Rayneia é um sinal do que está acontecendo na Nicarágua e contradiz o que Ortega disse em entrevista a uma rede de televisão sobre a paz no país.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) responsabilizaram o governo da Nicarágua por "assassinatos, execuções extrajudiciais, maus tratos, possíveis atos de tortura e prisões arbitrárias".

A Nicarágua está imersa na crise mais sangrenta da história do país em tempos de paz e a mais forte desde a década de 80, quando Ortega também foi presidente (1985-1990).

Por G1 PE


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