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Senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) classifica de "sem noção" o pacote anunciado por Dilma Rousseff

Em artigo enviado à imprensa, o senador e ex-governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB) - ferrenho crítico ao PT criticou o pacote de medidas anunciado pela presidente Dilma Rousseff (PT), na segunda-feira (24), e classificou a decisão da mandatária de "sem noção". O peemebedista disse que é absurdo a convocação de uma Constituinte, como propôs Dilma, para tratar da reforma política, tema que está emperrado no Congresso Nacional há anos. Jarbas pôs em xeque os interesses da chefe do Executivo nacional com a proposição, indagando se a nova iniciativa vai levar em conta apenas a vontade do Partido dos Trabalhadores.

No texto, Jarbas Vasconcelos lembou que o governo tem a ampla maioria nas duas Casas no Congresso e, por isso, tem condições de aprovar a reforma. O peemedebista lembrou que há diversas matérias paradas tanto no Senado quanto na Câmara.

Confira a íntegra do artigo:

"O 'pacote' de medidas que a presidente Dilma Rousseff anunciou para tentar conter os protestos populares das últimas semanas mostra que o Palácio do Planalto ainda permanece sem noção do que representa o movimento que tomou as ruas das maiores cidades do Brasil. As propostas da presidente navegam entre a mesmice e a demagogia pura e simples.

Em primeiro lugar, o absurdo da convocação de uma Constituinte exclusiva para tratar da Reforma Política. Para se ter a ideia do que essa sugestão representa, faço uma pergunta: essa Constituinte poderá acabar com a reeleição impedindo que a presidente tente um novo mandato em 2014? Teoricamente, sim. Ou o Governo vai propor uma Constituinte restrita a pontos que interessam apenas ao PT? Propostas para a Reforma Política existem aos montes no Senado Federal e na Câmara dos Deputados. O que falta é disposição política de votar e aprovar mudanças que aperfeiçoem o sistema político-eleitoral brasileiro.

O Governo conta com maioria absoluta nas duas Casas do Parlamento. Tem aprovado o que quer e bem entende. Eu mesmo apresentei, há seis anos, uma Proposta de Emenda à Constituição que acaba com as coligações nas eleições proporcionais - encerrando aquela história do eleitor votar em João e eleger José. A proposta está parada no Senado.

Recentemente, apresentei uma outra PEC que determina a cassação imediata do mandato de parlamentar que for condenado por improbidade administrativa. A presidente agora fala em transformar a corrupção em crime hediondo. Cinismo puro, pois o Governo e o PT atuam o tempo todo para impedir a prisão dos mensaleiros condenados pelo Supremo Tribunal Federal.

O Governo também incentivou a tramitação da PEC 37, que retira o poder de investigação do Ministério Público. Trata-se de mais uma retaliação do PT à atuação da Procuradoria-Geral da República no Escândalo do Mensalão.

E o que dizer dos investimentos anunciados para melhorar a mobilidade urbana e os transportes públicos? Ao contrário do que sempre defendeu quando estava na oposição, o PT no poder incentivou o transporte individual, reduzindo impostos para a compra de automóveis e deixando de lado os ônibus e o metrô. Alguns metrôs, como os do Recife, Fortaleza e Salvador tiveram suas obras paralisadas por anos, só retomadas após o anúncio de que o País receberia a Copa do Mundo de 2014.

O PT está no poder há quase 11 anos. Portanto, não dá mais para ficar olhando para o que ocorreu no século passado, culpando governos anteriores por problemas que poderiam ser solucionados em menos de uma década e não foram por incompetência ou omissão do governo petista.

Está claro – até para aliados do PT – que a reunião no Palácio do Planalto foi promovida com objetivos eleitoreiros, movida pelo medo de uma derrota da presidente e do PT nas eleições do próximo ano. A presidente Dilma Rousseff insiste em não assumir suas responsabilidades sobre os problemas que afligem os brasileiros. Tenta transferir responsabilidades para governadores, prefeitos, para o Congresso Nacional e até mesmo para os médicos do País.

De tanto assistir à propaganda do Brasil perfeito, comandada pelo publicitário João Santana, a presidente passou a acreditar num Brasil de ficção - no qual a Saúde é de Primeiro Mundo, a inflação está sob controle, a Educação é de qualidade e a impunidade inexiste. Não é com demagogia, transferência de responsabilidade e autoritarismo que a presidente da República e o PT darão uma resposta aos brasileiros, sejam aqueles que protestam nas ruas ou aqueles que apoiam as manifestações".

JC On Line

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