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Odebrecht cita repasses eleitorais a políticos que não se candidataram

Uma das tabelas de Benedicto Barbosa Jr, o BJ, da Odebrecht

Em registros de contabilidade apreendidos pela Polícia Federal na Operação Acarajé e divulgados, a construtora Odebrecht cita repasses eleitorais de 2012 a políticos que não se candidataram àquele pleito. As informações foram analisadas por "Aos Fatos", que cruzou os dados da lista, em parceria com o UOL, com registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

As planilhas revelam que parte significativa da contabilidade se refere à campanha de 2012, quando foram eleitos prefeitos e vereadores. Nesses documentos, aparecem registros de valores de até R$ 500 mil em nome de políticos como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ministro Armando Monteiro (Desenvolvimento), o ex-senador José Sarney (PMDB-AP) e até o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que não se candidata a cargos eletivos há quase 15 anos. Nenhum deles disputou as eleições para as quais esses valores seriam destinados.


As investigações da Polícia Federal apuram se essas quantias de fato existiram e se foram embolsadas pelas campanhas por meio de doação oficial ou propina. O fato de haver políticos que não se candidataram em registros eleitorais, entretanto, levanta suspeitas sobre a versão de que eram apenas doações regulares de campanha.

Os documentos foram revelados pelo blog de Fernando Rodrigues, do UOL, e listam possíveis repasses da Odebrecht para mais de 200 políticos de 24 partidos. As planilhas estavam com Benedicto Barbosa Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura, e conhecido no mundo empresarial como "BJ''.

No meio da tarde desta quarta-feira, o juiz Sérgio Moro determinou que esse material fosse colocado sob sigilo. O UOL e o "Aos Fatos" tiveram acesso às informações quando os dados estavam públicos e acessíveis.
Políticos listados

O nome mais eloquente é o do ex-presidente da Transpetro Sergio Machado, que não se candidatou a prefeito nas últimas eleições --nem concorreu a cargo eletivo em qualquer época.

Em uma das planilhas, ele é relacionado à quantia de R$ 500 mil em 12 de setembro de 2012, auge da campanha municipal. Investigado na Lava Jato, teve a casa devassada pela PF em dezembro do ano passado.

Os peemedebistas José Sarney (AP), Eduardo Cunha (RJ), Jorge Picciani (RJ), Sérgio Cabral (RJ) e Romero Jucá (RR) também são citados em uma lista de candidatos a prefeituras em 2012. Nenhum deles disputou aquela eleição. Na relação da Odebrecht, Sarney, Cunha, Picciani e Cabral são chamados de "históricos".

Eduardo Cunha é identificado como "caranguejo" e, ao lado do seu nome, há o registro de R$ 500 mil. Cunha não disputou eleição em 2012 e foi reeleito deputado federal em 2014. Ele afirmou só ter recebido "doações de caixa 1". Outros políticos negaram qualquer tipo de doação ilegal e disseram que as verbas estão declaradas à Justiça Eleitoral.

Com Picciani, o "grego", também há a anotação de R$ 500 mil. Ele foi eleito deputado estadual pelo PMDB do Rio em 2014. Antes disso, havia disputado uma cadeira no Senado em 2010, mas não conseguiu se eleger.

A Sarney, que aparece com o codinome "escritor" na planilha da construtora, são destinados R$ 100 mil, conforme a planilha. Ele disputou sua última eleição em 2006, quando conquistou uma cadeira no Senado pelo Estado do Amapá. Seu mandato terminou em 2015; um ano antes, ele anunciou sua aposentadoria da vida política.

Tai Nalon, Julianna Granjeia e Alexandre Aragão
Do Aos Fatos*

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