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Assassinato de vereadora do PSOL, no Rio de Janeiro, pode ter sido por motivação política


Policiais da Divisão de Homicídios (DH) que investigam o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), na região central do Rio, acreditam que os responsáveis pelo crime já sabiam o lugar exato que a parlamentar ocupava dentro do carro: no banco traseiro à direita. Segundo agentes da especializada, os disparos foram feitos de trás para frente do veículo e entraram pela janela lateral traseira. Por estar na linha de tiro, o motorista Anderson Pedro Gomes também foi alvejado. O carro, um Chevrolet Agile branco, tem vidros escurecidos. Nenhum pertence foi levado. A principal linha de investigação é a de execução.

Os agentes encontraram nove estojos no local do crime. A assessora de imprensa de Marielle que estava sentada ao seu lado no banco traseiro, foi atingida por estilhaços. Um vídeo obtido pelo GLOBO, feito por uma testemunha, mostra a assessora logo após sair do carro, em pé ao lado da porta traseira esquerda, minutos após o crime.

Policiais militares no local informaram que um carro teria emparelhado com o da vereadora, e os ocupantes abriram fogo, fugindo em seguida. A janela à direita no banco de trás, onde estava Marielle, ficou completamente destruída. A maior parte dos tiros atingiu a cabeça da vereadora. O crime aconteceu na esquina das ruas Joaquim Palhares e João Paulo.

Testemunhas que estavam num raio de 20 metros do local do homicídio relataram não ter ouvido os disparos. Já a cliente de um bar próximo afirma que o carro onde estavam os criminosos fugiu em direção à Rua Estácio de Sá. Segundo ela, havia uma viatura da PM baseada “quase em frente” ao ponto onde ocorreram os assassinatos.

— Estava na calçada da Rua Joaquim de Palhares na hora em que tudo aconteceu. Quando o carro foi embora, dava para ver a fumaça saindo pela janela — contou a testemunha.

No local, outros parlamentares do PSOL, como o deputado estadual Marcelo Freixo e o vereador Tarcísio Motta, negaram que Marielle estivesse recebendo qualquer tipo de ameaça. De acordo com eles, os parentes da vereadora também desconheciam informações nesse sentido.

— Há vários indícios que apontam para uma execução. É uma satisfação que precisamos dar para a cidade do Rio. Se houvesse ameaça, nós teríamos compartilhado esse tipo de receio. Nossos mandatos eram muito próximos — afirmou o vereador.

Marielle tinha acabado de sair de um evento chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, na Lapa, e voltava para casa, na Tijuca. Ela foi a quinta vereadora mais votada do Rio nas eleições de 2016.

Durante um ano e três meses como vereadora carioca, Marielle organizou audiências públicas sob a questão de gênero e com integrantes do movimento negro. Participou de debates sobre educação, economia e ativismo na internet. Ela integrava a Frente em defesa da Economia Solidária. Nos últimos meses, preparava um projeto de lei para coibir o assédio nos ônibus municipais.

A vereadora vinha questionando, na internet, a violência no Rio — o estado está sob intervenção federal na segurança pública. Um dia antes do crime, ela publicou em suas redes sociais: “Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”.

O Globo

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