quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Petrolândia: Preço salgado do botijão prejudica consumidores, restaurantes e distribuidoras de gás da cidade

Maurício, gerente da ditribuidora de gás Ultragaz em Petrolândia e sua equipe (Fotos: Assis Ramalho/Blog AR)
Marquinhos Gás e equipe
Moraes, proprietário do Restaurante Rodízio, na Av. Djalma Wanderley
César da Feijoada, restaurante na rua Francisco Soares dos Santos, na Quadra 03
Samara, comerciante de refeições no Mercado Público
Juliana, comerciante de alimentos no Mercado Público
Branca, comerciante de alimentos no Mercado Público
"Irmão", proprietário do Restaurante Águia, na Av. Djalma Wanderley

Há exatamente um mês, publicamos uma matéria em que mostramos que o aumento do preço do botijão de gás tem levado consumidores a construir seu fogão de lenha. Nesta semana, a Petrobras anunciou, na última segunda-feira (4), o sexto aumento consecutivo no preço do gás de cozinha vendido em botijões de 13 quilos. Desta vez, a alta foi de 8,9%, em média, e começou a valor já na terça-feira (05). Desde que a Petrobras iniciou o ciclo de alta, em agosto, o reajuste acumulado no preço do gás vendido em botijões de 13 quilos chega a 67,8%. O reajuste anterior ocorreu no dia 5 do mês passado.

A sequência de reajustes tem pesado no bolso dos consumidores e prejudicado donos de restaurantes e distribuidoras de gás. Em Petrolândia, no Sertão de Pernambuco, comerciantes que dependem do gás de cozinha têm evitado repassar o aumento aos clientes para não perder vendas, mas avisam que estão no limite.

É o caso do empresário Moraes, com restaurante localizado na Avenida Djalma Wanderley, em frente à BR-316. Segundo ele, as despesas com gás aumentaram cerca de 30% e esse valor não pode ser repassado integralmente para o consumidor, que já está com "a corda no pescoço".

''Hoje, a situação de donos de restaurantes, por motivos dos sequentes reajustes no gás, é triste. Em Petrolândia tem muitos donos de restaurantes que não estão conseguindo sequer pagar o aluguel e estão fechando as portas. No meu restaurante, o gás representa em torno de 30% dos gastos e o problema é que a gente tem que passar essas despesas para o consumidor e não pode, porque ele já está no limite, "com a corda no pescoço", e com isso a minha margem de lucro diminuiu muito'', disse o comerciante.

Também na Avenida Djalma Wanderley, conversamos com o comerciante "Irmão", proprietário do Restaurante Águia, um dos mais movimentados da cidade. Ele afirmou que o seu restaurante consume em torno de 60 botijões por mês e que as despesas aumentaram muito.

''Não tem muito tempo que o botijão custava cinquenta reais, e agora está chagando a oitenta reais. Aqui, a gente gasta dois por dia e, quando chega o final do mês, você sente a diferença de antes para agora. Mas, mesmo assim, o meu restaurante não passou esse aumento para o freguês, continuamos com os mesmos preços, apesar de tudo'', ressaltou.

O comerciante César, popularmente conhecido por César da Feijoada, nome também do restaurante que comercializa a mais tradicional feijoada de Petrolândia, na Quadra 03, também lamenta os constantes aumento do gás.

''A gente tem tentado se segurar, mas não tem como não ter que passar um pouco da despesa para o consumidor. Já estávamos acostumados com o preço do gás, que dificilmente aumentava o valor, e agora com essa doideira de aumentos seguidos, a coisa está muito difícil'', lamentou o comerciante.

Também conversamos com donas de quiosques de refeições estabelecidas no Centro Comercial Abel Henrique de Souza, o Mercado Público da cidade. Popularmente conhecida por Branca, uma das mais antigas comerciantes de refeições daquele local falou das dificuldades.

''O pior é que, com o aumento do gás, que não para, ninguém está podendo mais negociar. As minhas despesas aumentaram e o meu movimento diminuiu em torno de 50%. Hoje mesmo, vendi poucas refeições. Com quem a gente conversa, as reclamações são muitas. Tenho conhecidas que estão sem condições de comprar um botijão de gás, porque não estão suportando mais tanto aumentos'', concluiu.

Próximo ao quiosque de dona Branca, as comerciantes Samara e Juliana também afirmaram que os constantes aumento do gás têm elevado demais as despesas e diminuído a margem de lucro, pois não podem passar para o consumidor. ''É melhor ganhar menos do que perder o freguês", resumiu Samara.

Os aumentos também prejudicam os revendedores de gás. Maurício, gerente da distribuidora Ultragaz, falou das dificuldades enfrentadas pela empresa. ''Passamos por um momento muito difícil. Antes, quando o preço do gás estava estabilizado, era fácil, porque a gente trabalhava com uma determinada margem de lucro e o cliente já tinha o preço decorado. Havia um equilíbrio entre a distribuidora e o consumidor. Agora, com esses absurdos de seguidos aumentos, ficou ruim para nós e péssimo para eles. Nos primeiros aumentos nós seguramos, fizemos de tudo para não passar para o consumidor, mas não teve jeito. Agora, é torcer para que as coisas se normalizem'', declarou Maurício.

Conversamos ainda com Marquinhos, proprietário da revendedora da Brasil Gás, Marquinhos Gás. Segundo o empreendedor, após os sucessivos aumentos no preço do produto, a empresa sofreu significativa queda nas vendas. ''Infelizmente, tivemos uma perda de vendagem de cerca de 30%'', disse ele.

Luiz Carlos, gerente distribuidor da Brasil Gás, lamentou o fato de ter que repassar os aumentos aos consumidores.

''Infelizmente, desta vez, tivemos que passar para o consumidor, porque a Petrobrás com essa política de preço só quem tem a perder é a própria população. Mas, além do consumidor, a distribuidora também perde, porque o consumo cai. Só que a distribuidora deixa de vender a mesma quantidade de antes, perde faturamento, mas as despesas continuam a mesma, por exemplo; com encargos sociais, transportes e, principalmente, com funcionários. Antes, a nossa distribuidora vendia em torno de 20 mil botijões por mês, e hoje estamos com uma média de 15 mil. Então, se continuar assim, vai acontecer uma quebradeira nas empresas distribuidoras de gás, porque a tendência é cada vez mais diminuir as vendas, porque a dona de casa vai consumindo menos. Se ela passava 30 dias com um botijão, ela vai economizar para passar 45. Então, a tendência é uma piora, se continuar do jeito que está'', frisou.

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Redação do Blog de Assis Ramalho
Fotos: Assis Ramalho


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