sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Moro, ministérios, Israel e reformas: a primeira coletiva de Bolsonaro


Três superministérios, Sérgio Moro, o “soldado que vai à guerra sem medo de morrer”, carta branca a Paulo Guedes, resolução do conflito entre Israel e Palestina e relação com a mídia. O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), participou nesta quinta-feira (1/11) da primeira coletiva de imprensa desde que saiu vencedor nas urnas no último domingo (28). 

Vários dos temas polêmicos envolvendo o governo dele foram tratados no encontro com emissoras de TV, rádio e alguns sites. Questionado sobre a indicação de Sérgio Moro para o “superministério” de Justiça e Segurança, o ex-militar afirmou que o juiz é “um soldado que vai à guerra sem medo de morrer” e que queria “liberdade total para combater a corrupção e o crime organizado”.


Ele também reafirmou que outros dois superministérios vão ser implementados durante o governo, o da Economia, liderado por seu guru Paulo Guedes, e o da Defesa, com o general Augusto Heleno como ministro. Sobre isso, Bolsonaro ressaltou que “os militares vão sim fazer parte da política nacional” e que não vão ficar no “segundo plano, como foi com o PT e FHC”.

A razão disso, afirma o presidente eleito, é a importância que sua gestão dará ao combate à corrupção e ao crime organizado.

Perguntado por um repórter se a nomeação de Moro ao ministério enfraquece a operação Lava-Jato, Bolsonaro rebateu que há outros juízes “de muita qualidade” no país e que a substituta de Moro, Gabriela Hardt, continuará com o trabalho dele. "Moro terá muito mais poder para combater o crime”, completou.

Em outro momento, Bolsonaro foi perguntado sobre o que ocorreria caso alguém ligado ao governo dele se envolva com corrupção. “Vai pro pau”, respondeu.

Sobre as relações internacionais do Brasil, o militar reformado afirmou que fará negócios “com o mundo todo sem o viés ideológico". Sobre o conflito entre Israel e Palestina (ele afirmou que transferirá a embaixad do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém), afirmou que "vamos resolver isso daí também".

“Não queremos criar problemas com ninguém. Queremos fazer comércio com o mundo todo, buscar vias pacíficas pra resolver problemas. Não queremos criar poeira para resolver problemas", disse.

Ele também afirmou que o convite feito a Sério Moro partiu de Paulo Guedes, que terá “carta branca” em seu governo, e que tem “pouco contato com Mourão”, vice dele. Bolsonaro frisou que não sabe dizer se fizeram contato com Moro durante a campanha. "Não foi durante a campanha?", questionou um jornalista. “Pelo que sei, foi depois. Tenho pouco contato com Mourão. Isso aí não tem nada a ver, se foi um dia antes ou não", rebateu Bolsonaro.

Em relação à polêmica em torno de uma possível fusão do Ministério do Meio Ambiente e o da Agricultura, o presidente eleito respondeu que “nada está certo” e que ainda faltam dois meses para resolver a questão.

Bolsonaro voltou a criar rusgas com a mídia e afirmou: “A imprensa que não entrega verdade vai ficar para trás”. Ele também disse que “hoje em dia a imprensa tá muito diversificada”, em relação ao jornalismo independente, e que ganhou as eleições por causa das redes sociais.

Ele ainda reafirmou que a Reforma da Previdência é uma das prioridades de seu governo e que é possível que membros da equipe econômica de Michel Temer (MDB) sejam mantidos em sua gestão. "Dei carta branca pro Paulo Guedes. Tem gente boa que está com Temer", concluiu.

Estado de Minas


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