sábado, 7 de novembro de 2015

“Que tristeza ver bispos e padres apegados ao dinheiro”, lamenta o Papa Francisco

"Quando a Igreja é morna, fechada em si mesma, também muitas vezes mercantil, não se pode dizer, que é uma Igreja que ministra, que está a serviço, mas sim que se serve dos outros”, advertiu o Papa.

Enquanto seguem os trabalhos para desenredar as tramas do Vatileaks 2.0, escândalos e lutas de poder que envolvem figuras eclesiásticas, o Papa Francisco insiste em seu “não” à “dupla vida” de bispos e padres. Os bispos e os padres são chamados a representar uma Igreja a serviço do próximo, não uma Igreja “mercantil”. Por isso, o Pontífice chamou atenção para os “carreiristas, apegados ao dinheiro”, que tanto mal fazem ao Povo de Deus, além de provocar tristeza e desilusão. ARádio Vaticano publicou um resumo da homilia matutina na Capela da Casa Santa Marta, na qual o Papa refletiu sobre duas figuras de servos que são apresentadas pela liturgia do dia (de 06 de novembro).

A reportagem é de Domenico Agasso Jr e publicada por Vatican Insider, 06-11-2015. A tradução é de André Langer.

O Papa Francisco desenvolveu sua homilia em torno das duas figuras de servos apresentados pelas leituras do dia. Em primeiro lugar, aparece a figura de Paulo, que “se doou todo ao serviço, sempre”, para acabar em Roma “traído por alguns dos seus” e terminando por ser “condenado”. De onde vinha a grandeza do Apóstolo dos Gentios, pergunta-se o Pontífice. De Jesus Cristo, e “ele se orgulhava de servir, de ser eleito, de ter a força do Espírito Santo”.

Era o servo que servia, afirmou Francisco, “administrava, lançando as bases, ou seja, anunciando Jesus Cristo” e “nunca parava para ter um lugar vantajoso, uma autoridade, para ser servido. Ele era ministro, servo para servir, não para servir-se”.

O Papa afirmou: “Quanta alegria me dá, tanto que me comovo, quando alguns padres vêm a essa missa e me cumprimentam: ‘Oh padre, vim aqui para encontrar os meus, porque há 40 anos sou missionário na Amazônia’. Ou uma religiosa que diz: ‘Não, eu trabalho há 30 anos em um hospital na África’. Ou quando encontro uma irmãzinha que há 30, 40 anos trabalha na sessão do hospital com os portadores de necessidades especiais, sempre sorridente. Isto se chama servir, esta é a alegria da Igreja: ir além, sempre; ir além e dar a vida – disse Francisco. Isto é aquilo que Paulo fez: servir”.

No Evangelho, retomou Francisco, o Senhor nos faz ver a imagem de outro servo, “que em vez de servir os outros se serve dos outros”. E, sublinhou, “lemos o que fez este servo, com quanta astúcia agiu para permanecer no seu lugar”. “Também na Igreja, há aqueles que, em vez de servir, de pensar nos outros, de estabelecer as bases, se servem da Igreja: os carreiristas, os apegados ao dinheiro. E quantos padres, bispos vimos assim. É triste dizer isso, não?”

Francisco falou da “radicalidade do Evangelho, do chamado de Jesus Cristo: servir, estar a serviço de, não parar, ir ainda mais longe, esquecendo-se de si mesmo.” Também falou da “comodidade do status: eu atingi um status e vivo confortavelmente sem honestidade, como os fariseus de que fala Jesus, que passeavam pelas praças para serem vistos pelas pessoas”.

Francisco propôs “duas imagens de cristãos, duas imagens de padres, duas imagens de freiras. Duas imagens”. Jesus – afirmou – “nos faz ver esse modelo em Paulo, esta Igreja que nunca está parada”, que sempre, sempre “segue adiante e nos faz ver que esse é o caminho”. “Mas quando a Igreja é morna, fechada em si mesma, também muitas vezes mercantil, não se pode dizer, que é uma Igreja que ministra, que está a serviço, mas sim que se serve dos outros”, advertiu o Papa.

Finalmente, pediu “que o Senhor nos dê a graça que deu a Paulo, o ponto de honra para sempre avançar, sempre, renunciando às próprias comodidades tantas vezes, e nos livre das tentações, dessas tentações que, são fundamentalmente, as tentações de uma vida dupla: apresento-me como ministro, como quem serve, mas no fundo eu me sirvo dos outros”.

Fonte: IHU Online

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