domingo, 4 de junho de 2017

Encontro em Brasília destaca potencial de hortaliças não convencionais para substituir ultra processados

Profissionais apresentam uso e novas possibilidades para plantas alimentícias no Brasil (Na foto ilustrativa, a beldroega)

“Precisamos levar para as nossas casas novos sabores, novos aromas! Temos a maior biodiversidade do planeta, mas a nossa produção de alimentos é de espécies importadas.” Assim, o consultor do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Lidio Coradin, incitou os presentes a conhecer as plantas nativas do Brasil, durante o I Encontro Nacional de Hortaliças não Convencionais (HortPanc), em Brasília.

O encontro fez parte da XII Semana dos Alimentos Orgânicos, terminou neste domingo (4), no Distrito Federal. O evento reuniu profissionais interessados no tema, também conhecido como “hortaliças tradicionais”, com o objetivo de estimular a produção e o consumo e promover a construção de laços entre produtores, profissionais de gastronomia, pesquisadores e professores.

Segundo o consultor do MMA, Lidio Coradin, o estímulo ao consumo da variedade de PANCs existente no Brasil ajudaria a substituir produtos ultra processados oferecidos pela indústria alimentícia. “Três cereais - arroz, milho e trigo - são responsáveis por 50% da nossa energia. Daí, vemos a fragilidade do sistema alimentar mundial, com impactos muito negativos na saúde, gerando obesidade e carência nutritiva”, ressaltou.
“Temos a maior biodiversidade do planeta, mas a base da nossa agricultura são espécies exóticas. Isso é um paradoxo”, questionou o consultor. “O grande desafio é criar um mercado consumidor de PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais). Se a população soubesse que o buriti e o tucumã, nativos do Cerrado, têm muito mais vitamina A do que a cenoura; ou que o camu camu e a mangaba ganham, de longe, da laranja em vitamina C, quem sabe mudaria de hábitos”.

LIVRO

Ainda neste mês, o MMA lançará o livro, de mais de mil páginas, Espécies Nativas da Flora Brasileira, Plantas para o Futuro, em que estão mapeadas 173 espécies da região Centro-Oeste, com as principais características de cada espécie do ponto de vista alimentar e terapêutico. Trata-se do segundo volume de uma coleção das regiões brasileiras. O primeiro volume, lançado em 2011, abordou a região Sul.

O Ministério do Meio Ambiente também coordena o projeto Biodiversidade para Alimentação e Nutrição (BFN), por meio da Secretaria de Biodiversidade, que tem como agências implementadoras o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU Meio Ambiente) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

PANCs

Estão entre as Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) as seguintes espécies: beldroega, azedinha, anredera, vinagreira, muricato, amaranto, caruru, taioba, serralha, peixinho, jambu, capuchinha, fisális, maxixe-do-reino, mangarito, major-gomes, cará-do-ar, ora-pro-nóbis, almeirão-de-árvore e bertalha.

O evento em Brasília foi organizado pela Embrapa Hortaliças, com a parceria dos Ministérios do Meio Ambiente, da Saúde e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), além da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) do Distrito Federal e de Minas Gerais e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (Sebrae).

Letícia Verdi/Assessoria de Comunicação Social MMA


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