quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Instituto Arara Azul inicia 3ª edição da campanha Adote um Ninho

Iniciativa auxilia a manutenção da biodiversidade do Pantanal (Fotos: Cezar Corrêa)

Com o objetivo de promover a continuidade do desenvolvimento de pesquisas e ações para a proteção e conservação da arara azul na natureza, o Instituto Arara Azul iniciou a terceira edição da campanha Adote um Ninho para subsidiar estudos e monitoramento de abrigos reprodutivos no Pantanal. A iniciativa é reconhecida internacionalmente pelos 26 anos de trabalho do Projeto Arara Azul, liderado pela Dra. Neiva Guedes, presidente do Instituto Arara Azul e pesquisadora dos programas de Mestrado e Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Uniderp.

Para apadrinhar um ninho, é necessário entrar em contato com o Instituto Arara Azul pelo telefone (67) 3222-1205 ou pelo e-mail contato@institutoararaazul.org.br. Durante o período reprodutivo da espécie, o colaborador acompanhará as novidades do ninho e demais informações do projeto, poderá batizar sua ave ao nascimento, receberá um kit de boas vindas com foto exclusiva do ninho e outras vantagens. “O programa proporciona também a manutenção da biodiversidade do Pantanal, tanto para as araras-azuis como para várias outras espécies de aves que ocupam as mesmas cavidades”, explica Neiva Guedes.

Nas edições anteriores, a ação contou com o apadrinhamento de empresas, como Uniderp, Águas Guariroba, Biofaces, Anilhas Capri, Douramotors, BR Insdústria de Tintas, Città Planejamento Urbano e Ambiental, Diamond Hall, Ondara Buffet, Kampai, Rede TV Box, ZN Marketing, Bradesco Seguros e a ONG Parrots International, além do apoio de famosos como Ziraldo, Michel Teló, Almir Sater, Gabriel Sater, Carlos Saldanha, Chitãozinho & Xororó, Alex Atala, Munhoz & Mariano e Luan Santana.

Reprodução

De julho de 2015 a junho de 2016, a equipe do Instituto Arara Azul monitorou 151 ninhos, em onze propriedades rurais situadas em Miranda, Aquidauana, Jardim e Bonito, interior de Mato Grosso do Sul, e em Barão do Melgaço, no Pantanal de Mato Grosso.

O número de nascimentos das araras azuis foi menor que no ciclo anterior, mas está dentro da expectativa da pesquisadora. Dos 99 ovos encontrados nos ninhos monitorados, menos de 50% chegaram ao estágio final, ou seja, 49 filhotes de araras-azuis nasceram no último ciclo, em comparação com 52 aves no ciclo de 2014/2015. “Registramos a sobrevivência e voo de 29 aves e todos os filhotes foram anilhados, microchipados e tiveram sangue coletado para análise de DNA e sexagem. São resultados que demonstram que a arara-azul se reproduz relativamente bem no Pantanal. A taxa reprodutiva da espécie é baixa e por estar em um ambiente natural é afetada pelas relações ecológicas, sofrendo perdas e predações, como qualquer outra espécie. Pelas características da própria espécie, mais vulneráveis, essas consequências são piores”, revela a bióloga.

Outro ponto influencia a reprodução das araras-azuis. Por serem aves seletivas, 95% de seus ninhos são encontrados somente no Manduvi, uma espécie arbórea em escassez na natureza devido aos desgastes com o tempo. Para solucionar a demanda, ninhos artificiais foram criados pela equipe de biólogos do Instituto e instalados na natureza. “A velocidade das perdas dos abrigos naturais é muito maior que o surgimento de novos, com isso, manejos realizados em ninhos naturais e artificiais para elevar o número de cavidades disponíveis para as araras, tem resultado em aumentos positivos para a espécie. Por isso, nossa campanha para a adoção de ninhos é muito importante”, comenta a pesquisadora. No último ciclo, o Instituto Arara Azul monitorou 151 ninhos: 87 naturais e 64 artificiais. Ao todo, estão cadastrados 713 ninhos: 425 naturais e 288 artificiais (incluindo Pantanal de Mato Grosso).

Responsabilidade ambiental

A mudança de status da arara-azul na Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente em dezembro de 2014, foi considerada uma grande conquista dos resultados do Projeto Arara Azul. Porém, a espécie é citada como vulnerável na lista vermelha das espécies ameaçadas (Red List of Threatened Species) da União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN - International Union for Conservation of Nature).

Para a diretora executiva do Instituto Arara Azul, Eliza Mense, as conquistas obtidas são significativas e foram possíveis devido à colaboração de vários parceiros. “Ao longo dos anos, conseguimos viabilizar esse trabalho com o subsídio e apoio da Fundação Toyota do Brasil, da Toyota, da Universidade Uniderp, do Refúgio Ecológico Caiman, Bradesco Seguros e outros parceiros, mas é necessário que a sociedade continue a auxiliar para que o sucesso seja mantido e os trabalhos ampliados”.

S2Publicom


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