quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Investimentos da Codevasf em apicultura geram renda no semiárido pernambucano

São 250 famílias beneficiadas no sertão do estado; o investimento federal já chega a R$ 7,5 milhões na implantação de kits, construção de Casas de Mel e capacitações (Foto: Nruno Rocha/Codevasf)

Edmilson Alves de Sousa é apicultor no Sertão do Araripe, no distrito de Gergelim, na zona rural de Araripina (PE), desde 2004. Assim como outros produtores rurais que apostaram na criação de abelhas para melhorar a renda, ele foi beneficiado pelas ações de apoio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) junto ao segmento apícola no estado e hoje comemora o resultado que vem obtendo em quase 13 anos nessa atividade. Nesse período, ele tem visto a sua vida mudar para melhor.

“Tomei gosto pela apicultura por ser uma atividade diferente das outras cadeias produtivas. É um trabalho muito interessante para nós, agricultores familiares”, avalia Edmilson, mais conhecido como Edinho.

Em sua propriedade rural, o agricultor cultiva algumas frutas e hortaliças, além da criação de animais, como bode. Mas a apicultura destaca-se como a atividade mais lucrativa. “É uma renda que veio ajudar a minha família. Melhorou todo o nosso dia a dia. Mudou muito minha vida. Hoje temos carro e uma casa melhor graças à apicultura”, comemora Edinho.

No início, ele contava com 12 colmeias. Hoje são 300 unidades. “Dependendo da florada, chego a colher cerca de 20 mil quilos de mel”, ressalta o apicultor. Ao lado de outros apicultores que integram a Associação dos Apicultores de Riacho Fundo, da qual ele é o atual presidente, Edinho conta que a quantidade de mel colhido, em uma boa temporada, chega a aproximadamente 200 toneladas. “Desse trabalho conjunto já conseguimos um lucro de cerca de R$ 1 milhão”, afirma. A entidade conta com 39 associados.

A associação foi uma das beneficiadas pela Codevasf com equipamentos para a Unidade de Extração do Mel e kits produtivos de apicultura formados por colmeias completas com melgueiras, cera, indumentários e utensílios - uma ação do eixo de inclusão produtiva do Plano Brasil sem Miséria conduzida em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Nacional (SDR/MI). Com os equipamentos, os produtores locais tiveram mais condições de melhorar o seu trabalho.

Com resultados tão animadores, os apicultores já almejam colocar o mel colhido na região no mercado externo. “Enviamos amostras para o Japão, Alemanha e Inglaterra. Estamos aguardando resposta para iniciarmos a negociação”, comemora Edinho.

A Unidade de Extração do Mel do Sítio Riacho Fundo já está adequada às exigências sanitárias e legais para a prática da atividade. Eles aguardam o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) até meados de fevereiro próximo e já se preparam também para beneficiar própolis, substância resinosa obtida pelas abelhas através da colheita de resinas da flora.

Incentivo ao apicultor

No caso do Sertão do Araripe, conhecido pela produção de gesso, os investimentos da Codevasf têm colocado a região em destaque também em relação à apicultura. Com o incentivo da Companhia, a expectativa é que a produção de mel pernambucana tenha um incremento, em sua capacidade, de 300 toneladas por ano.

“A apicultura hoje apresenta uma possibilidade real de negócios, e o apoio da Codevasf propiciou aos agricultores familiares o aumento da produção e a abertura de novos mercados, pois o comércio do mel, que anteriormente era realizado em vasilhames improvisados, hoje é feito de forma adequada e de acordo com a legislação sanitária, o que permite agregação de valor ao produto”, explica a gerente de desenvolvimento territorial da Codevasf, Janleide Costa.

No sertão pernambucano, a Codevasf aplicou R$ 7,5 milhões, o que permitiu disponibilizar aos produtores rurais 250 kits familiares, materiais e equipamentos, bem como a construção de sete unidades de beneficiamento de mel nos municípios de Afogados da Ingazeira, Inajá, Moreilândia, Araripina e Santa Filomena. Em Petrolândia, os apicultores serão beneficiados com duas unidades de beneficiamento do produto, que estão em fase de conclusão. Em Manari, a unidade foi reformada.

Investimentos

Nos últimos quatro anos, foram investidos pela Codevasf cerca de R$ 41 milhões para estruturar comunidades rurais afetadas pelas estiagens prolongadas nos sete estados onde a Companhia atua, colocando a apicultura como alternativa de trabalho e renda.

Os recursos são oriundos da Secretaria de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Nacional (SDR/MI). Do total aplicado, cerca de R$ 20,6 milhões foram direcionados para estruturação das comunidades: 4,8 mil kits familiares, compostos por colmeias, melgueiras, suporte, cera, equipamentos de proteção individual, carretilha manual, formão e fumigador que são hoje usados na produção.

Codevasf


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