sexta-feira, 21 de abril de 2017

Lago de Sobradinho está perto do volume morto

"É possível que o volume morto seja atingido em outubro. Como não geraremos mais energia, abriremos as comportas para abastecer os ribeirinhos e a atividade produtiva", conta o diretor de Operações da Companhia, João Henrique Franklin

Principal reservatório para geração de energia elétrica do Nordeste, Sobradinho deve atingir volume morto este ano. Essas são as projeções da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que acontecem depois de identificar que a previsão de chuvas para a região é crítica. Isso significa dizer que o lago deixará de ser usado para a geração do insumo e será utilizado apenas para abastecimento humano e para a atividade produtiva.

Apesar disso, situação não terá impacto no abastecimento elétrico do País, que, mesmo diante de instabilidades, consegue ser alimentado via intercâmbio de energia entre as regiões e por fontes térmicas e renováveis. O diretor de Operações da Companhia, João Henrique Franklin, explica o motivo de isso acontecer.


"O período úmido (quando se espera que chova em abundância nas cabeceiras do Rio) está encerrado e os serviços meteorológicos não indicam chuvas até novembro, quando essa fase recomeça. Ou seja, até lá, o nível do reservatório vai cair", projeta, antecipando que segue em andamento um pleito para reduzir a vazão de Sobradinho de 700 metros cúbicos por segundo (m³/s) para 600 m³/s.

Não existe, ainda, data para isso acontecer. No entanto, a Agência Nacional de Águas (ANA) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) avaliam essa possibilidade.

Esse movimento acontece com intuito de preservar a pouca água que existe no lago, que está com 16% de sua capacidade disponível, conforme dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

"Diante da falta de perspectiva, é possível que o volume morto seja atingido em outubro. Como não geraremos mais energia, abriremos as comportas para abastecer os ribeirinhos e a atividade produtiva", conta Franklin.

A fruticultura irrigada do Vale do São Francisco, inevitavelmente, sentirá os efeitos negativos da restrição hídrica na produtividade. A capacidade do volume morto é de 20% do volume útil do reservatório, projetado para receber 28 bilhões de metros cúbicos por segundo de água.

O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Anivaldo Miranda, diz que o setor elétrico trabalha com três cenários: o mais crítico indicaria a possibilidade de captação de água do volume morto em Sobradinho já a partir de agosto.

Em cenário mediano, essa prática começaria em setembro e, por fim, o menos crítico, a partir de outubro. "As atenções estão voltadas para a situação hidrológica a partir de agora", revela. Na próxima segunda-feira, a ANA realiza encontro para discutir a temática.

Por: Raquel Freitas, da Folha de Pernambuco


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