sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

10 Kg mais magro na volta à Chape, Neto luta contra depressão

Neto: 'Ou melhoro e represento aqueles caras do jeito que eram ou vou me afundar na depressão' - Reprodução

O zagueiro Neto, que esteve com o elenco da Chapecoense na reapresentação para a pré-temporada nesta sexta-feira, afirmou em entrevista coletiva que voltar ao trabalho é uma maneira de não "se afundar na depressão" e dar a volta por cima após a tragédia na Colômbia.

- Preciso primeiro recuperar minha saúde, e minha mente também. Estar aqui (na Chapecoense) é o que vai me dar força. Ou melhoro e represento aqueles caras do jeito que eram ou vou me afundar na depressão - disse o zagueiro.

Neto reconheceu que precisa de tempo para se recuperar mentalmente e fisicamente após o acidente. O zagueiro afirmou que ainda precisa recuperar 10 kg perdidos durante o período hospitalizado, em que praticamente não consumia alimentos sólidos.


- Ainda dependo de todo mundo. Minha esposa me dá banho, ainda não consigo fazer algumas coisas sozinho. Mas já sinto uma evolução desde que acordei na Colômbia e não reconhecia ninguém. É preciso dar tempo ao tempo - afirmou Neto.

Em mais de um momento, Neto lamentou a ausência dos companheiros mortos na queda da aeronave da LaMia, em novembro. Na ocasião, a Chapecoense viajava à Colômbia para disputar a final da Copa Sul-Americana, primeira decisão de um torneio internacional na história do clube.

- É uma situação muito diferente. Entrar em um clube que estava jogando uma final, com vários amigos, e agora muitos se foram.Uma hora eu teria que vir para cá e dar de frente com tudo que aconteceu. É difícil porque tinha gente que eu conhecia desde os 17 anos, a gente fica sentido com isso tudo. Jamais queria estar aqui sozinho. Queria estar com eles, comemorando, me apresentando alegre, como sempre foi.

Neto, de muletas, esteve na representação do elenco da Chapecoense, que inicia a pré-temporada nesta sexta-feira. O jogador é tido pela diretoria catarinense como uma das principais referências do time neste ano de reconstrução, especialmente para os jovens das divisões de base que serão incorporados à equipe profissional.

- As pessoas antes me viam como Neto, jogador da Chapecoense, e hoje me veem como um milagre. Eles (jogadores da Chapecoense) falaram: "Você ficou vivo, parabéns, você é um guerreiro". A gente fica feliz, porque eu quero ajudar o clube, eu estando aqui eu posso agregar alguma coisa aos meninos que estão chegando. Perguntam do acidente, está fresco na memória, eu lembro até o momento da batida do avião - comentou.

Oito reforços participaram do evento, cinco deles já apresentados oficialmente: o zagueiro Grolli, os meias Dodô e Nadson e os atacantes Niltinho e Rossi. Outros três - o lateral-direito Zeballos, o volante Andrei Girotto e o atacante Wellington Paulista - ainda vestirão o uniforme do clube. A ideia da diretoria é trabalhar com 25 ou 30 atletas.

O Globo


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