18 agosto 2026

Juliana Pankararu, de Jatobá, e mais 9 mestres, mestras e grupos recebem título Patrimônios Vivos de Pernambuco durante abertura da 19ª Semana do Patrimônio, que segue até 21 de agosto em 22 municípios.

Dez novos Patrimônios Vivos de Pernambuco foram diplomados no Recife. Foto: Silla Cadengue/Fundarpe

Saiba sobre Juliana Pankararu: A indígena Juliana Maria da Silva tem 52 anos e é moradora do Território Indígena Aldeia Saco dos Barros, em Jatobá, no Sertão do estado. Atua como benzedeira, raizeira e parteira tradicional. Aprendeu o ofício por meio da oralidade com sua mãe, avó e tias, e utiliza plantas da terra onde cresceu para chás, banhos e garrafadas.

O Governo de Pernambuco diplomou, nesta segunda-feira (17), dez novos Patrimônios Vivos de Pernambuco, durante cerimônia realizada no Cinema São Luiz, no Recife. A solenidade marcou a abertura da 19ª Semana Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural e reuniu mestres, mestras e grupos ligados a manifestações como coco, maracatu, capoeira, artesanato, samba e tradições religiosas de matriz africana. Com os novos reconhecimentos, o Estado passa a contabilizar 125 Patrimônios Vivos.

Dez novos Patrimônios Vivos de Pernambuco são diplomados

A cerimônia reuniu os dez representantes escolhidos na edição de 2026 do Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco. O processo recebeu 205 candidaturas, segundo as informações divulgadas sobre a seleção, número considerado recorde para a iniciativa.

Foram reconhecidos Juliana Pankararu, parteira e benzedeira, moradora do Território Indígena Aldeia Saco dos Barros, em Jatobá;  Mestre Zé Negão, no coco; Barracão de Mãe Nadja, no candomblé; Escola de Samba Preto Velho; Família Vitalino, ligada ao artesanato em barro  Maracatu de Baque Solto Cruzeiro do Forte; Mestra Di, da capoeira; Mestre João Paulo, do maracatu rural; Teco de Agamenon, artesão e brincante dos Caretas; e Terreiro de Mãe Amara, ligado ao candomblé.

O reconhecimento considera não apenas a trajetória individual ou coletiva dos candidatos, mas também a capacidade de preservar e transmitir conhecimentos tradicionais às novas gerações.

Quem são os novos Patrimônios Vivos de Pernambuco

Juliana Pankararu, de Jatobá, atua como parteira tradicional, benzedeira e raizeira. Os conhecimentos foram aprendidos por meio da oralidade com familiares e estão relacionados às práticas tradicionais do povo indígena Pankararu.

* Mestre Zé Negão, José Manoel dos Santos, iniciou sua trajetória na cultura popular ainda adolescente. Radicado em Camaragibe desde 1978, atua com coco, ciranda, Cavalo Marinho e outras manifestações. Também desenvolveu projetos sociais e culturais voltados à comunidade.

* A Família Vitalino mantém no Alto do Moura, em Caruaru, conhecimentos relacionados à tradição criada a partir da obra de Mestre Vitalino. A família preserva técnicas de produção de peças de barro transmitidas entre diferentes gerações.

* Mestra Di, Adriana Luz do Nascimento, tem trajetória ligada à Capoeira Angola e ao frevo. Natural de Olinda, tornou-se referência na transmissão da capoeira e também desenvolveu atividades voltadas às mulheres capoeiristas.

Maracatu, samba e tradições afro-brasileiras

* O Maracatu de Baque Solto Cruzeiro do Forte, fundado em 1929, também entrou para o Registro do Patrimônio Vivo. O grupo surgiu a partir da presença de trabalhadores rurais da Zona da Mata Norte no Recife e mantém atividades de transmissão de conhecimentos relacionados à confecção de figurinos e adereços.

* Já Mestre João Paulo, de Nazaré da Mata, possui mais de quatro décadas de atuação no Maracatu Rural. Fundador do Maracatu Leão Misterioso, é reconhecido pela transmissão de versos, rimas, improvisos e técnicas relacionadas à confecção dos elementos tradicionais do folguedo. A Prefeitura de Nazaré da Mata informou que ele é o primeiro mestre de Maracatu Rural, como pessoa física, a receber o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco.

* A Escola de Samba Preto Velho, localizada no Sítio Histórico de Olinda, também foi reconhecida. Fundada em 1974, a agremiação desenvolve atividades relacionadas ao samba, à percussão, à dança e à produção artesanal de indumentárias.

* O Barracão de Mãe Nadja, no Ibura, Recife, representa a tradição do Candomblé de Nação Angola. Fundado em 1996, o espaço atua também na transmissão de conhecimentos e no desenvolvimento de ações comunitárias.

* O Terreiro de Mãe Amara, em Dois Unidos, Recife, possui uma trajetória iniciada em 1945. O espaço mantém práticas relacionadas à tradição nagô e desenvolve iniciativas culturais, entre elas o Afoxé Oyá Alaxé, o Balé Nagô Ajô e o Coral Amadê Korin Nagô.

* Teco de Agamenon, de Triunfo,
atua desde a infância na tradição dos Caretas. O artesão produz máscaras, chapéus, relhos e vestimentas e transmite esses conhecimentos por meio de atividades com crianças e jovens.


Como funciona o reconhecimento dos Patrimônios Vivos

O Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco foi instituído pela Lei Estadual nº 12.196, de 2 de maio de 2002, como uma política pública de reconhecimento e salvaguarda de pessoas e grupos responsáveis pela preservação de conhecimentos e práticas da cultura tradicional e popular.

A legislação prevê a participação do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) no processo de escolha. O edital estabelece etapas que incluem inscrição, análise documental, avaliação das candidaturas e deliberação do conselho.

Em 2026, a seleção contou, conforme as informações divulgadas sobre o processo, com defesa oral dos candidatos, análise de documentos e comprovação de atividades relacionadas à transmissão de saberes.

A política passou a reconhecer dez novos Patrimônios Vivos por edição a partir de 2022, após alterações na legislação.

Quanto recebem os Patrimônios Vivos

Além do reconhecimento oficial, os novos titulados recebem uma bolsa vitalícia, conforme a categoria.

Para os grupos, o valor informado é de R$ 4.958,85. Para mestres e mestras reconhecidos individualmente, a bolsa é de R$ 2.479,41.

Os beneficiários também assumem o compromisso de participar de ações de formação e difusão da cultura popular, contribuindo para que os conhecimentos reconhecidos sejam transmitidos às novas gerações.

No caso de Mestre João Paulo, por exemplo, a Prefeitura de Nazaré da Mata informou que o valor da bolsa mensal para pessoa física é de R$ 2.479,41 e destacou a obrigação de participação em programas de ensino e aprendizagem promovidos pelos órgãos estaduais de cultura.

Semana do Patrimônio segue até 21 de agosto

A diplomação ocorreu durante a abertura da 19ª Semana Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural de Pernambuco, realizada pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e pela Secretaria de Cultura.

A programação segue até sexta-feira (21) e contempla atividades em 22 municípios pernambucanos, com ações voltadas à preservação, educação patrimonial, memória e valorização da cultura.

O evento também marcou a entrega do 11º Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho, que distribuiu R$ 90 mil entre seis iniciativas vencedoras, além do lançamento da revista digital Aurora 463.

A programação completa da 19ª Semana do Patrimônio está disponível na plataforma oficial do evento: 19ª Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco.

A diplomação de dez novos Patrimônios Vivos de Pernambuco amplia a política estadual de reconhecimento da cultura tradicional e popular e leva o total de titulados a 125. Entre os novos reconhecidos estão mestres, mestras, famílias, terreiros e grupos ligados ao coco, maracatu, capoeira, samba, artesanato e tradições religiosas.

Além da bolsa vitalícia, os novos Patrimônios Vivos passam a integrar ações de transmissão e difusão dos conhecimentos que preservam. A programação da 19ª Semana do Patrimônio segue até 21 de agosto em 22 municípios, mantendo o debate sobre memória e preservação cultural no Estado.

Portal Fala News

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