PublicidadePão de Açúcar–AL está prestes a comemorar seus 172 anos de emancipação política no próximo dia 03 de março, ocorrido em 1854, quando se desmembrou de Mata Grande e foi elevado à condição de Vila.
A povoação surge nos registros históricos em 1611, com o nome primitivo de Jaciobá, palavra de origem tupi-guarani que significa “espelho da lua”, numa referência direta às águas do rio São Francisco refletindo o brilho noturno. Muito antes de qualquer marco oficial, porém, aquele território já era espaço de vida, circulação e pertencimento indígena, habitado pelos Urumaris e Xokó, povos originários que ocuparam a região. Analisando hermeneuticamente a história de Pão de Açúcar, percebe-se várias distorções históricas e cronológicas. A história oficial do município afirma que a povoação do município surgiu da doação de terras do rei de Portugal, D. João IV (1604-1656), no entanto, essa afirmação diverge de outras fontes como o site da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), que afirma que foi D. João VI (1767-1826) e ambas divergem do contexto histórico daquela época, pois quando do descobrimento das terras de jaciobá em 1611, vigorava a União Ibérica (1580-1640), onde Portugal estava sob o domínio dos reis Felipe da Espanha. Já em relação a D. João VI, a disparidade ainda é maior, pois este só se torna rei de fato em 1816.
Outra distorção na história de Jaciobá, e é prudente ressaltar, que não é consenso — nem há respaldo histórico — é sobre a doação de terras feita pela coroa portuguesa aos povosoriginários. Todos conhecem e sabem como se deu o processo colonial no Brasil, seguindo um caminho totalmente inverso, como romanceado na história de Pão de Açúcar: era um dos objetivos da colonização, talvez até o principal, a expropriação dos territórios originários, a imposição da autoridade europeia e a concessão de sesmarias a colonos, militares ou religiosos ligados à Coroa.
Essas distorções históricas se arrastam por décadas, passando de geração a geração; mas não por falta de alerta, pois desde 2016 que tento dialogar com o poder público na tentativa de colaborar com a justa correção da história e identidade da minha terra.