22 fevereiro 2026

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Blog de Assis Ramalho
Informação: César da Feijoada

Um mês após assassinato de Samyr Oliveira, sociedade ainda espera respostas oficiais sobre o crime que arruinou imagem da Câmara de Vereadores de Petrolândia


Por Lúcia Xavier Ramalho

"Ora, assim nas autocracias, como nas oligarquias, o poder corre ao encontro dos maus exemplos, como a limalha ao do ímã", escreveu o célebre baiano Rui Barbosa (1849-1923) no longínquo ano de 1920, ao descrever os efeitos nefastos do domínio político exercido de forma absoluta por um pequeno grupo pertencentes ao mesmo partido, classe ou família, sem resistência nem oposição. Em Petrolândia, no Sertão de Pernambuco, no meio tempo entre 13 de janeiro e 19 de fevereiro, um turbilhão de acontecimentos tem levado à sarjeta a credibilidade de instituições, políticos locais e aliados, após o assassinato do empresário do turismo, servidor público e mergulhador profissional Samyr Oliveira. O homicídio tentado no dia 13, com atentado a tiros, desferidos pelas costas, em movimentada via pública, foi consumado no dia 22 do mesmo mês, data em que a vítima não resistiu aos gravíssimos ferimentos e faleceu. Passou-se um mês e a sociedade ainda espera a voz das autoridades sobre o assunto, informada sobre o caso apenas por vazamentos, "furos" e publicações não oficiais, insuficientes para saciar a sede de justiça de quem aguarda respostas sobre o crime premeditado, cometido à luz do dia. 

Nesse período, consequências inusitadas se sucedem na esteira do homicídio que chocou a sociedade petrolandense: o vereador suspeito fugiu, foi preso e confessou o crime; preso, foi afastado temporariamente do mandato; a Câmara de Vereadores, depois de meia dúzia ou mais de notas publicadas, retomou o ano legislativo sem abertura solene, realizou reuniões às pressas e dedicou-se a amenidades (eleições antecipadas para a mesa diretora), ato este que provocou reações de poucos vereadores (menos de metade), enquanto os demais ratificaram o escárnio à população; o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) foi acionado para apurar supostas irregularidades na Câmara para reconduzir o rito do legislativo às raias da ética e da moralidade; vereadores trocaram ofensas do mais baixo nível com publicações em redes sociais; um dos vereadores investigado foi afastado; a Câmara não cumpriu o calendário de reuniões divulgado no dia 9 de janeiro e, indignamente, fechou as portas ao povo sem nenhum aviso ao público; após suposta apreciação da Comissão de Ética Parlamentar de um pedido de afastamento do presidente da mesa diretora foi indeferido, porque "pau que dá em Chico não dá em Francisco"; livres como inocentes passarinhos, dois assessores parlamentares, cujos nomes também foram citados nas investigações, conforme documentos divulgados em redes sociais, foram exonerados da Câmara Municipal. Em resumo, após um mês de intenso desgaste, a Casa Aureliano de Menezes (e grande parte de seus inquilinos) teve imagem, representantividade, credibilidade e moralidade destruídas de um modo jamais antes visto nos 116 anos de história de Petrolândia. Nesse contexto, a frase de Rui Barbosa cabe como uma luva para descrever a situação do Legislativo municipal.

Mas, como toda sociedade tem sua larga cota de degenerados e interesseiros, inclusive Petrolândia, existem pessoas dedicadas a colocar panos quentes na situação. Para isso existem os "cidadãos" que tentam justificar ou amenizar o crime, os que aprovam o crime e se solidarizam com os autores e ainda  os que culpam a vítima pela própria morte. Todos eles apostam na completa impunidade de um, dois ou de todos os indivíduos supostamente envolvidos. E os envolvidos são empregados do povo petrolandense, em serviço temporário no Legislativo Municipal, remunerados com gordos salários pagos com dinheiro do povo, através de repasses do cofre da Prefeitura. 

Entre ações e omissões praticadas desde o primeiro instante após o crime, a mais estranha foi o silêncio das autoridades do município, a falta de repúdio contra a violência. O silêncio foi adotado como capa para tentar proteger reputações e como tapete para tentar abafar a imensa repercussão do caso. A mensagem passada por tais pessoas foi de nada excepcional ter acontecido na cidade, o homicídio foi aceitável, justificado, pode até ser repetido à vontade "se a vítima der motivo". O recado entendido foi "a cidade voltou ao tempo da pistolagem, período em que crimes eram praticados, todos fingiam demência para ignorar os fatos, e as conversas eram sopradas entre mãos, aos cochichos, como ainda hoje é imposto fazer quando se trata dessa época, não tão distante assim, porém, convenientemente escondida sob o tapete".

Essa postura de silenciamento disparou o alerta entre indignados cidadãos, dignos do título, que se mobilizaram para instalar outdoors em vários pontos da cidade, com o lema "justiça por Samyr", para cobrar apuração de um caso que tem sido atualizado exclusivamente através de fofocas e disse-me-disse, com documentos de investigação e denúncias, divulgações "bombásticas", "exclusivas", sem acompanhamento de uma voz oficial. A regra é o silêncio como tapete, o silêncio como capa.