31 outubro 2026

Flávio Bolsonaro fala sobre fuga e possível eleição antes de 2030; Veja fala na íntegra

Flávio Bolsonaro afirmou que pode disputar a presidência antes de 2030 - Foto: Reprodução/Instagram (@flaviobolsonaro)

Candidato derrotado à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) falou sobre a possibilidade de novas eleições antes de 2030 e justificou a fuga para os Estados Unidos após Luiz Inácio Lula da Silva conquistar a maioria dos votos. O senador - que chegou a se autoproclamar o "verdadeiro presidente eleito", mesmo sem apresentar provas - compartilhou um vídeo nas redes sociais, na noite desta sexta-feira (30).

O filho de Jair Bolsonaro, ex-presidente preso por tentativa de golpe de estado, iniciou o vídeo agradecendo os apoiadores. "Quero mais uma vez agradecer a todo mundo pelo esforço, dedicação, carinho e por acreditarem em mim. Isso me sensibilizou. [Quero] sempre merecer essa confiança de todos vocês", afirmou o integrante do Partido Liberal.

O segundo turno das eleições ocorreu no domingo (25) e reelegeu o petista. Na manhã de segunda (26), Flávio visitou o pai, que está em prisão domiciliar em Brasília. e foi intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar os documentos em até 24 horas, prazo que terminou ao meio-dia de terça. No entanto, a entrega não ocorreu dentro do período determinado. Neste mesmo dia, o senador deixou o Brasil com destino aos EUA. A decisão foi determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O senador contou a conversa que teve com Jair logo após ser intimado pela PF. "Olhei para cara a dele e falei: 'Pai, começou a perseguição até um pouco antes do que eu imaginava que começaria'. Porque todos sabem que o Brasil hoje vive um regime de perseguição", alegou ele, que teve familiares eleitos em 2026. O irmão, Carlos Bolsonaro, e a madrasta, Michelle Bolsonaro, se tornaram senadores, respectivamente, por Santa Catarina e Distrito Federal. Outro irmão de Flávio, Jair Renan Bolsonaro, também foi eleito deputado federal pelo mesmo estado do Sul.

Flávio disse que decidiu fugir para manter "a sua voz ativa". "Dessa forma eu tomei a decisão junto com a minha família. Não foi fácil sair do meu país para continuar pelo menos tendo uma voz ativa. Isso foi o que passou pela minha cabeça. Os advogados vão tomar as providências sabendo que está tudo dominado no Brasil, as instituições estão completamente aparelhadas, pessoas que de verdade deveriam estar respondendo a processos, são protegidas por eles próprios."

O senador voltou a questionar o resultado das eleições. "Muitas coisas são sem explicação nessas eleições, matematicamente impossíveis de terem ocorrido no mundo real sem que houvesse, como eu falei, algum gol de mão. Vou ficar nessa expressão aqui para não aprofundar muito. Mas vou falar muito em breve sobre isso com mais profundidade sobre o que eu penso", disse.

"Eu saí pelo Brasil e eu sei que daqui eu vou continuar tendo uma voz ativa, vou poder continuar exercendo a minha liderança que eu devo aqui ao [ex-]presidente Bolsonaro. E na impossibilidade dele falar... ele ficou no Brasil. [...] Como ele consegue orientar se ele não tem voz, se está censurado, injustiçado? [...] Eu perdi para o sistema, não perdi para o adversário, todo mundo aí sabe disso", afirmou ele, novamente, sem apresentar provas, que complementou: "Eu falei que eu não me submeteria a isso. Isso [fugir] não é nenhum sinal de fraqueza, não gente. Eu posso ser tudo, menos burro."

Flávio criticou as propostas econômicas do presidente eleito. "Se ele [Lula] fizer aquilo que ele prometeu, o Brasil vai quebrar ainda mais rápido, então, infelizmente o Brasil está fadado a quebrar. E eu acho que esse é um dos fatores que vai acabar derrubando o atual presidente da República muito antes do que muita gente imagina. Então, eu quero pedir para vocês aqui: fiquem firmes, não acabou o jogo, vamos continuar lutando", afirmou.

O senador pediu para que os apoiadores continuem mobilizados. Ele, ainda, falou sobre os votos que recebeu ao afirmar que outras eleições podem ocorrer antes do definido. "Isso me dá muita força, consciência e ainda mais coragem para enfrentar o que tiver que enfrentar. Se preciso for, para resgatar e salvar o nosso país, disputo mais uma eleição para presidente da República. Eu não estou falando de 2030, não. Eu estou falando de antes disso."

De acordo com a Constituição de 1988, o mandato do presidente da República é de quatro anos. Sendo assim, Lula permanece no cargo até 2030. O texto também prevê limite de dois mandatos consecutivos, impossibilitando a reeleição do petista, que ocupa o cargo desde 2022. Anteriormente, Lula também ocupou o mesmo cargo, em 2002 e 2006.
Carta

Na quarta, Flávio divulgou uma carta, na qual confirmou ter deixado o Brasil com a família e se apresentou como "o verdadeiro presidente eleito". No documento, o senador contestou o resultado das urnas, acusou autoridades brasileiras de perseguição política e prometeu organizar a oposição a partir dos EUA.

Na carta, Flávio sustentou que houve fraude eleitoral e questionou a decisão que ampliou até às 19h o horário de votação em todo o país. Ele afirmou que a medida teria alterado as regras durante o processo eleitoral e acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de ultrapassar as atribuições da Justiça Eleitoral.
Inicialmente, o documento de Flávio foi divulgada por Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, jornalista, empresário, influenciador e comentarista político radicado nos Estados Unidos. Ele é neto do ex-ditador brasileiro, João Figueiredo.

Figueiredo foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado e propagação de desinformação. Ele é considerado foragido da Justiça brasileira nos Estados Unidos e teve bens e passaporte bloqueados por decisões do STF.

Após a divulgação da primeira versão da carta, Figueiredo apagou e disse em seguida que "continha um erro que vai ser ajustado."
Na primeira versão, o documento apareceu com o brasão do país escrito "Estados Unidos do Brazil", depois mudando para "República Federativa do Brasil". O Brasil mudou de nome em 15 de março de 1967, deixando de ser "Estados Unidos do Brasil" e adotando República Federativa do Brasil. Outro ponto é que Flávio na primeira versão se disse "presidente eleito" e depois modificou para "líder do Brasil".

Flávio agradeceu ao presidente argentino, Javier Milei, ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à população norte-americana. Ele afirma que encontrou nos Estados Unidos um ambiente de liberdade e segurança jurídica.
O senador disse que não pretendia deixar o Brasil, mas afirma temer o que classifica em uma perseguição política. Segundo sua versão, a intimação para entregar os passaportes seria parte de uma sequência de medidas que poderia terminar em restrições ainda mais severas, incluindo prisão domiciliar e condenação.

Flávio também afirmou que não existe mandado de prisão contra ele e nega ter cometido crimes. No documento, sustenta que pretende continuar atuando politicamente fora do país e se tornar uma das principais vozes da oposição ao novo governo.
Investigação

O candidato derrotado é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, junto com o advogado e amigo próximo Willer Tomaz, que também deixou o país rumo aos EUA, ainda antes da eleição. Mesmo com a fuga, os inquéritos aos quais Flávio responde no Supremo continuam a tramitar. Além da investigação relatada por Moraes, o parlamentar também é alvo de um inquérito no caso do Banco Master, sob relatoria do ministro André Mendonça.

Neste caso, ele é investigado por ter pedido ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Master, o equivalente a R$ 134 milhões, supostamente para financiar a produção do filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai. A solicitação da quantia foi identificada pela PF em mensagens extraídas do celular apreendido de Vorcaro.

Críticas
Além de questionar o horário de votação, Flávio acusou a campanha de Lula de abuso de poder político e econômico e de utilizar a estrutura pública para favorecer a reeleição. Ele afirma que pretende pedir ao TSE a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin.

O senador também criticou o que chama de disseminação de notícias falsas pela campanha adversária e sustenta que houve desequilíbrio na disputa. Na carta, porém, não apresenta uma decisão judicial que reconheça as irregularidades que atribui ao presidente reeleito.

Flávio disse que pretende se reunir com deputados, senadores e governadores aliados para definir uma estratégia de oposição. Ele cita o senador Rogério Marinho (PL-RN), a quem identifica como seu candidato à Presidência do Senado. O parlamentar também diz que pretende usar sua atuação no exterior para expressar críticas que, segundo ele, os aliados não teriam liberdade para fazer no Brasil. Ele encerra o documento dizendo que a disputa política não terminou com a votação de 25 de outubro e promete divulgar novas manifestações nos próximos dias.

A carta ampliou as críticas do parlamentar ao Judiciário e afirma que a ordem faz parte de uma tentativa de silenciá-lo. Flávio também menciona investigações em andamento e acusa autoridades de utilizar os procedimentos judiciais para constrangê-lo. Ele nega irregularidades nos casos em que é citado.

Ao se declarar presidente eleito, Flávio apresentou uma posição política contrária ao resultado proclamado pela Justiça Eleitoral. O TSE, entretanto, reconheceu Lula como vencedor do segundo turno, com maioria dos votos válidos, e anunciou oficialmente sua reeleição, com 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 votos (48,21%) do senador

Entretanto, no domingo, a campanha de Flávio também pediu ao TSE que a votação fosse estendida até as 19h. A ampliação nacional foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF. A carta, contudo, não apresenta comprovação de que a medida tenha alterado o resultado da eleição, já que dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que as urnas eletrônicas registraram 34.393 votos após às 17h. O número equivale a 0,027% do total de votos depositados durante todo o dia de segundo turno.
Aliados de Flávio reconhecem vitória de Lula

Por outro lado, lideranças de partidos que estiveram ao lado de Flávio Bolsonaro reconheceram a vitória de Lula. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, comentou o resultado nas redes sociais ainda na noite de domingo. Em publicação no X, ele afirmou que o novo governo deverá buscar entendimento com diferentes setores políticos e representar a população independentemente de suas escolhas nas urnas. Pereira também defendeu o diálogo com o Congresso Nacional.

Outro nome que se pronunciou foi o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Depois de disputar o primeiro turno e declarar apoio a Flávio na etapa final da eleição, ele também reconheceu o resultado divulgado pelas urnas.

Além disso, o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto também reconheceu a vitória de Lula. Em nota, Valdemar afirmou que o partido reconhece o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas defendeu que os questionamentos sobre a disputa sejam esclarecidos. O dirigente, no entanto, não parabenizou Lula pela reeleição.

"Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático", declarou o presidente do PL.

Veja fala de Flávio Bolsonaro na íntegra

Boa noite para todo mundo. Começar uma live aqui muito rápida, só para, enfim, bater um papo com vocês, ouvir aqui a minha voz de novo e entender rapidamente, sem aprofundar muito, gente, o que é que me levou a tomar essa decisão de estar aqui. Muita coisa tem sido dita por aí e eu precisava desses minutinhos, apesar de poucos, aqui com cada um de vocês. Bom, já faz alguns dias que tudo aconteceu, foi muito rápido, né? Eu quero mais uma vez aqui agradecer a todo mundo pelo esforço, pela dedicação, pelo carinho, por acreditarem em mim. Eu, de verdade, isso me sensibilizou muito sempre merecer essa confiança de todos vocês, tá? Mas muito rapidamente, não tá sendo fácil pra gente aqui, né, pra minha família, pelo menos eu tô junto aqui com a minha esposa, com a Fernanda, junto com as minhas duas filhas. Eu sei que se eu tivesse no Brasil neste momento, eu não ia nem poder estar tendo esse contato com eles e nem conseguindo falar com vocês aqui.

Eu acho que aqui de fora eu vou conseguir manifestar um pouquinho mais de liberdade o pensamento de muita gente, que eu tenho certeza o inconformismo continua sendo gigantesco, a angústia, o luto de muita gente ainda com o que aconteceu nessas eleições. Mas eu queria muito rapidamente narrar o momento ali que eu tomei a decisão de vir para cá junto com a minha família, logicamente. Bom, todos sabem que meu pai tá numa prisão domiciliar. E na segunda-feira, após as eleições, eu voltei a ter autorização para visitá-lo por 30 minutos como advogado. E foi na segunda-feira, na parte da manhã, em torno de 10 horas da manhã, fui visitar o meu pai pela última vez. Eu não sabia que ia ser a última vez. Eu não sei quando é que eu vou poder vê-lo mais uma vez. Bom, conversei com ele, obviamente, sobre o resultado da eleição, pensando um pouquinho como é que seria para a frente, né? Falamos de amenidades ali também.

Ele tava, apesar do baque, também tava de bom humor. Mas o fato é que, ao passar os 30 minutos, uma pessoa bate na porta, que é quem vem avisar que o horário da visita terminou para eu poder sair. E aí quando ele veio chamar, falou: 'Flávio, o horário da visita acabou, mas tem um pessoal da Polícia Federal aqui na porta da casa do seu pai'. Então eu olhei pra cara dele e falei: 'Pai, começou a perseguição até um pouco antes do que eu imaginava que começaria, porque todos sabem que o Brasil hoje vive um regime de exceção.' São vários os termômetros que eu posso afirmar isso. Pergunte a qualquer parlamentar que você votou, que você conhece, se ele se sente confortável de expressar a sua opinião, de falar o que ele verdadeiramente pensa, sem se preocupar com as represálias, sem se preocupar de ser vítima de perseguição. Vários foram os exemplos. Os deputados parlamentares foram até cassados porque falaram.

Bom, então tava saindo da casa do meu pai, avistei ali na parte de fora os policiais federais, fui até ali, meu pai me levou até o portão, abriu o portão pra frente era a calçada. E eu sou intimado de uma decisão de Alexandre de Moraes que foi tomada poucos minutos após o anúncio pelo TSE do resultado das eleições, né, com o qual mais uma vez eu não concordo e não agora, mas em algum momento eu vou explicar porque foram vários gols de mão que o adversário fez e que não foram anulados aí pelo VAR. Jogou completamente fora da legislação eleitoral. Esse é apenas um dos aspectos. Mas quando tava saindo ali, eu tomei ciência, comecei ali o que que era o papel e era lá a apreensão dos meus passaportes e a vedação de eu sair do Brasil. E aí meu pai, olhei pra cara do meu pai, tava com obviamente os olhos marejados, imagino o que não passa na cabeça dele, né? Ele tá preso sem ter cometido absolutamente nenhum crime, sem ter feito absolutamente nada de errado.

Um dos seus filhos, com o Eduardo, já nos Estados Unidos, exilado também, sabendo que se voltar seria mais uma vítima dessa perseguição. E ele olhou para mim e pediu pros delegados ali só se afastarem um pouco. Ele queria falar comigo sem que eles ouvissem. E ele foi, me olhou, me olhou com os olhos cheios de lágrima, falou: 'Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né?' Eu falei: 'Pai, já sei. Acho que Deus tá no comando de tudo. Tô preparado, vou enfrentar. Agora eu sei o que eu tenho que fazer'. Eu voltei para casa, conversei com a minha esposa e ela compreendeu. É uma mulher, mais uma vez, uma mulher de coragem, uma mulher que se não fosse ela, eu jamais teria chegado até onde eu cheguei. Eu sempre falei isso, que ela é minha espinha dorsal. E é e sempre será. Ela tá aqui do lado, mas não tá querendo aparecer aqui para falar com vocês, né? Tá todo mundo um pouco baqueado aqui ainda. Minhas filhas estão no quarto aqui atrás dessas câmeras.

Eu falei: 'Pai, já sei onde eles querem chegar. Eu sei o que eu tenho que fazer'. Então, foi dessa forma que eu tomei a decisão junto com a minha família. Não foi fácil. Sair do seu país para continuar pelo menos tendo uma voz ativa, né? Essa foi, isso foi o que passou pela minha cabeça. A parte jurídica, advogados vão tomar as providências, sabendo que tá tudo dominado no Brasil. As instituições estão completamente aparelhadas. Pessoas que de verdade deveriam estar respondendo a processo, sendo investigadas, são protegidas por eles próprios, porque todo mundo tá vendo as entranhas do poder judiciário. A gente não tá falando do juizado especial de algum estado, né, um juizado de pequenas causas. A gente tá falando de uma atuação político-partidária na mais alta corte desse país. E então é aquela situação que você não tem a quem recorrer caso você se sinta vítima de uma injustiça.

Então eu acho que até muitos de vocês que estão me assistindo aqui agora se colocam no meu lugar e talvez tivessem tomado a mesma iniciativa, né? Muitas coisas são sem explicação nessas eleições, matematicamente impossíveis de terem ocorrido no mundo real, sem que houvesse, como eu falei, algum gol de mão. Vou ficar nessa expressão aqui para não aprofundar muito nessa live. Mas vou falar muito em breve sobre isso, com mais profundidade, sobre o que eu penso. E tomei essa iniciativa de sair, né? Muitos acompanharam como é que foi a saída. Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil.

E eu sei que daqui eu vou continuar tendo uma voz ativa, vou poder continuar exercendo a minha liderança que eu devo aqui ao presidente Bolsonaro e na impossibilidade dele falar — ele ficou no Brasil onde ele tá —, como é que ele consegue influenciar, como é que ele consegue orientar se ele não tem voz, se ele tá censurado, injustiçado e agora você já percebe, começam as negociações, né, mais uma vez usando ele de refém. Então não tinha nenhuma dúvida que eu seria usado como moeda de troca para algum interesse do sistema. Eu perdi pro sistema, não perdi pro meu adversário. Todo mundo aí sabe disso. Então eu falei que não me submeteria a isso. Isso não é nenhum sinal de fraqueza não, gente. Eu posso ser tudo menos burro. Eu soube fazer análise de cenário, entendi onde é que eles chegariam e rápido, mais rápido do que eu imaginava.

Até que poucas horas após eleições, o Alexandre de Moraes já forçou a mão para tentar me atar de verdade, tentar me intimidar com uma decisão completamente sem pé nem cabeça, sem ouvir a Procuradoria da República. Não que isso fosse mudar se ele tivesse ouvido, ele apenas ganhou velocidade no que ele queria fazer numa ação em que ele falsamente me acusa de ter algum envolvimento com contas bancárias de um amigo meu, sendo que no próprio domingo das eleições, o Banco Santander tinha enviado um ofício dizendo que eu não tinha absolutamente nada a ver com aquela empresa, que eu nunca tive conta naquela empresa. É aquela história da senha master que eles inventaram. É como aquela viagem do Felipe Martins que ele não fez e que já foi comprovado que ele não fez. No entanto, ele tá preso até hoje injustamente. Foi isso. É isso que ele iria fazer comigo. Então eu entendi qual era o cenário e eu dei um passo atrás para dar dois pra frente.

Então gente, eu quero pedir para vocês que fiquem firmes. A nossa trincheira neste momento será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal. E a pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho pra presidência do Senado Federal. Vamos cobrar dos senadores que vocês votaram para que votem em Rogério Marinho para a presidência do Senado. É a única forma ali de conseguir ter uma resistência para impedir ou retardar o grande caos que o atual presidente da República vai instaurar no nosso país, não vai ser algo fácil. Se ele cumprir o que ele prometeu, ele vai ter que tomar medidas muito radicais na economia que ele não vai fazer, porque simplesmente ele não acredita que elas são um caminho para resolver economia. E por outro lado, se ele fizer aquilo que ele prometeu, o Brasil vai quebrar ainda mais rápido. Então, infelizmente, o Brasil tá fadado a quebrar.

Eu acho que esse é um dos fatores que vai acabar derrubando o atual presidente da República, muito antes do que muita gente imagina. Então quero pedir para vocês aqui ficarem firmes. Não acabou o jogo, vamos continuar lutando. Eu vou a partir de agora voltar a ficar ativo aqui para trocar ideia com vocês, exercer essa liderança que vocês me deram, fazer o que tiver ao meu alcance para termos essa resistência no Congresso Nacional com a eleição, principalmente, do Rogério Marinho na presidência do Senado. Essas tentativas aí de negociação, usando como moeda de troca a liberdade do presidente Bolsonaro, são nojentas. É a palavra que vem à minha cabeça nesse momento. É o que o sistema é capaz de fazer: destruir famílias de pessoas inocentes, pessoas trabalhadoras, para que eles se mantenham como estão. A primeira pessoa que tinha que tá com o seu sigilo quebrado, tá sendo investigada, era a própria esposa do Alexandre de Moraes.

E vocês viram que em questão de horas a Procuradoria Geral da República impediu que ela fosse investigada. Então, todos nós sabemos que as instituições estão completamente sequestradas e tomadas no nosso país. O que significa que nós estamos num regime de exceção. A todo mundo que tá me acompanhando aqui nessa live, podem ficar certos de que o jogo não acabou. Vamos continuar trabalhando muito para defender e salvar o nosso país. Nas próximas oportunidades que eu tiver de estar conversando com vocês aqui, vocês verão qual é a minha ideia, tá? Então, continuem orando, continuem rezando. Deus está no comando de tudo. A gente não entende muitas vezes porque as coisas acontecem, mas Deus sabe o que tá fazendo. Qualquer porta que ele fecha, ninguém abre. A porta que ele abre, ninguém fecha.

E é assim que eu tô vendo essa oportunidade de estar aqui agora com a minha família, olhando o jogo um pouco a distância. Infelizmente queria muito estar aí, mas eu acho que eu seria só mais uma voz calada e censurada, assim como é a do presidente Bolsonaro. Então, daqui eu ainda tenho alguma possibilidade de continuar conversando com vocês. Quero pedir aos deputados e senadores, alguns que eu já vi que estão aqui acompanhando a nossa live: continuem fazendo a parte de vocês, cara, sem preocupação, sem medo. Falem de verdade o que tá no coração de vocês. A nossa missão é conscientizar cada vez mais os brasileiros do que tá acontecendo nesse país. E apesar de estarmos em tempos estranhos e diferentes, uma coisa não mudou: a força vem do povo, a força vem de vocês, a força vem da gente. E é isso que sempre vai ditar o rumo do nosso país. A gente não pode baixar a guarda, tá?

Eu tô aqui de fora firme, reestruturando a minha vida, próximo da minha família, pelo menos, que é o bem maior que nós temos, né, que é a nossa família. E mais uma vez, eu não saí do Brasil. Eu saí pelo Brasil. Então, vamos ficar forte, vamos continuar unido mais do que nunca. Com relação à minha saída, gente, eu tô vendo muita coisa sendo dita. Não teve ninguém ali que fez algo contra mim. A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse, até porque, se soubesse, a chance de dar errado seria maior. Então, de verdade, não escolham ali, não apontem o dedo para ninguém, não tem ninguém que é responsável pelo que aconteceu com relação à minha saída, eu tô dizendo. Então, o grupo que teve comigo ali durante a campanha, na pré-campanha, e vocês que continuam comigo até agora, principalmente, vamos ficar firme. A gente paga um preço alto por defender aquilo que a gente acredita, mas vale muito a pena.

E o que eu tô sentindo aqui é essa vontade. Eu vou poder ser uma voz um pouco mais ativa ainda de todos vocês e podendo falar muita coisa que eu não poderia falar aí ou se eu falasse no Brasil eu seria ainda mais perseguido. Então é um momento da gente continuar disputando o Brasil, abrindo os olhos dos brasileiros pra gente ter a expectativa de que o Brasil pode dar certo, sim, não vai ser fácil. A minha expectativa é que a economia vai ser o principal fator de desgaste do atual governo. O cenário é muito pior do que o da Dilma lá em 2014, 2015, né? Mas enquanto nós não tivermos mais camadas de segurança para as eleições, elas vão continuar acontecendo diante do manto da desconfiança. Fico muito triste de ver o meu adversário jogando fora da lei eleitoral e nada acontecendo, né? Por muito menos a gente teve o governador do Rio que foi cassado. Tô falando com relação ao abuso do poder político e econômico, né?

Tínhamos o governador do Rio que foi cassado por muito menos ou por quase nada, um governador também de Roraima, que também foi cassado e afastado por muito menos. E eu sinceramente, com o atual cenário, com as pessoas que estão no Supremo Tribunal Federal e que estão no TSE, eu de verdade tenho dificuldade de acreditar que vá haver algo de efetivo que possa ser feito ali, que o direito seja respeitado, que a lei valha para todos nesse momento, né? E a única saída que nós temos é a nossa unidade e a gente fazer do Congresso Nacional a nossa trincheira, em especial o Senado Federal, tá gente? Então, agradecer a todo mundo que tá escrevendo aqui. Tô firme e forte, não vamos baixar a cabeça, a gente tá do lado certo. A gente tem o projeto melhor pro Brasil. Qualquer coisa que aconteça, eu vou estar aqui pronto. Inclusive, se for preciso para disputar a presidência da República de novo, esses quase 60 milhões de votos que vocês me deram, para mim significam demais.

É uma honra que poucos no Brasil podem carregar, ser tão bem votado assim e sabendo que meus votos realmente vieram de eleitores reais. Isso me dá muita força, isso me dá muita consciência e ainda mais coragem para enfrentar o que tiver que enfrentar, se preciso for para resgatar, para salvar o nosso país, para disputar mais uma eleição para presidente da República. Eu não tô falando de 2030 não, eu tô falando de antes disso. Então, gente, vamos continuar unidos, fazendo a nossa parte, tá? Que o Brasil tem jeito sim, mas serão tempos muito difíceis que todos nós vamos atravessar em função da quebradeira generalizada, que é a leitura que eu faço que vai acontecer no Brasil. Tá bom, gente? Ó, vamos ficar firme, peço que vocês compartilhem essa live, me sigam aí quem não me segue ainda e vamos trabalhar para a justiça ser restabelecida no nosso país, pra democracia ser restabelecida no nosso país, tá? Eu conto com cada um de vocês, tá bom?

Pessoal, a luta continua. Estamos aqui vivos, com voz ativa para continuar lutando pelo nosso Brasil. E mais uma vez, se preciso for, vou estar aqui à disposição para fazer o meu melhor e, se for da vontade de Deus, conduzir a nossa nação. Pessoal, obrigado a todo mundo. Fernanda tá aqui do lado mandando um abraço e um beijo para todo mundo, tá bom? E vamos lá, deputados e senadores, vamos embora, cabeça erguida, vamos cair dentro. Vocês agora estão junto comigo nessa caminhada com a responsabilidade ainda maior que vocês nunca tiveram, que é segurar, evitar que o mal no nosso país aconteça de uma forma muito rápida. Vamos segurar, fazer o máximo que pudermos pelo bem da nossa nação, pessoal. Um abraço para todo mundo, fiquem com Deus e até muito breve. Valeu."

O DIA/RJ

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