Reprodução APAC
O fortalecimento do fenômeno El Niño, previsto para o biênio 2026/2027, acende um alerta para possíveis impactos no regime de chuvas em Pernambuco. De acordo com Nota Técnica emitida pela Agência Pernambucana de Águas e Clima – Apac, a previsão climática para o trimestre de outubro a dezembro de 2026 indica temperaturas acima da média em todo o Estado, com possibilidade de agravamento da estiagem e redução da umidade do solo.
Segundo os especialistas, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial tem avançado, levantando preocupações sobre os riscos de estiagem prolongada na localidade. Dados de monitoramento global revelam que o Índice do El Niño Realinhado (RONI) saltou de +1,4 °C no trimestre de junho a agosto para +1,7 °C no período de julho a setembro de 2026.
“Essa velocidade de aquecimento indica uma tendência alarmante, ou seja, há uma probabilidade altamente elevada de o fenômeno atingir a categoria de "muito forte" já nas próximas semanas”, explica a meteorologista da Apac, Edvânia dos Santos. Historicamente, episódios intensos de El Niño alteram a distribuição das chuvas no Brasil. Entre os efeitos associados ao fenômeno estão a redução das precipitações em áreas do Norte e do Nordeste e o aumento das chuvas em parte das regiões Sul e Sudeste.
A intensidade dos impactos, porém, dependerá também das condições do Oceano Atlântico Tropical, cuja interação com o Pacífico influencia a distribuição das chuvas no Nordeste. O acompanhamento das condições dos dois oceanos nos próximos meses será fundamental para avaliar os possíveis efeitos do El Niño sobre o território pernambucano e estimar os riscos de estiagem. Em Pernambuco, a evolução do fenômeno exige atenção, especialmente nos setores agrícola e pecuário e no abastecimento de água.
Neste cenário, os principais efeitos esperados sobre Pernambuco e os diferentes setores sensíveis às condições climáticas continuam sendo:
- Aumento das temperaturas do ar em todo o estado, com maior intensidade a partir de setembro;
- Maior evapotranspiração e perda de umidade do solo, favorecendo o estresse hídrico de culturas e pastagens;
- Aumento da demanda de água para irrigação, dessedentação animal e abastecimento da população;
- Maior estresse térmico em rebanhos, com necessidade de adequação do manejo;
- Alterações na distribuição e intensidade das chuvas, especialmente com a aproximação da estação chuvosa do Sertão, a partir de dezembro;
- Possibilidade de eventos extremos de precipitação, mesmo diante de um cenário de possível diminuição das chuvas com distribuição irregular ao longo do período;
- Maior desconforto térmico e intensificação das ilhas de calor nas áreas urbanas, com possível aumento dos efeitos associados ao calor;
- Possíveis alterações na dinâmica de doenças sensíveis às condições climáticas e de vetores;
- Maior pressão sobre os recursos hídricos, especialmente em regiões mais vulneráveis e dependentes do armazenamento superficial;
- Necessidade de planejamento e gestão eficiente dos recursos hídricos, além de medidas de adaptação nos setores agropecuário e urbano.
Diante desse contexto, a Apac alerta que o foco permanece no monitoramento contínuo da intensidade, persistência e possíveis impactos do El Niño, bem como da evolução das condições do Atlântico Tropical. “Esse acompanhamento é fundamental para subsidiar o planejamento e a adoção de medidas preventivas e mitigatórias nos setores mais sensíveis, especialmente recursos hídricos, agricultura, pecuária e população”, ressalta Edvânia.
APAC















Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comentários são publicados somente depois de avaliados por moderador. Aguarde publicação. Agradecemos a sua opinião.