Vereadora Vanda de Assis (PT) apontou a fala de Tathiana Guzella (PL) como xenofóbica. Vereador que presidia a sessão interrompeu a palavra da vereadora do PL. Guzella diz que fala foi tirada de contexto após ser impedida de concluir a linha de raciocínio que vinha desenvolvendo.
Por Mariah Colombo, g1 PR — Curitiba
Por Mariah Colombo, g1 PR — Curitiba
A vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL) virou alvo de uma representação de notícia-crime no Ministério Público Federal (MPF) depois que questionou a vereadora Vanda de Assis (PT), natural de Campos Sales (CE), "por que ela não volta para o Ceará".
A fala foi durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Curitiba desta quarta-feira (5), enquanto os vereadores discutiam a criação de uma Política de Cadastro Municipal de Pessoas em Situação de Rua.
Vanda utilizou a tribuna do plenário para falar sobre o projeto, e, em seguida, Guzella pediu espaço para se manifestar:
* Tathiana Guzella: Vereadora, você é de Campos Sales, no Ceará?
* Vanda de Assis: Eu sou de Campos Sales, no Ceará.
* Tathiana Guzella: Se a senhora gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, dos partidos correlatos ao PT. Por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá? A senhora nasceu lá, mas veio encher o saco aqui.
Vereadora Vanda de Assis (PT) e vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL) — Foto: Câmara Municipal de Curitiba
Em seguida, a vereadora Vanda de Assis apontou a fala como xenofóbica. O vereador Leonidas Dias (Podemos), que presidia a sessão, interrompeu a palavra de Tathiana Guzella e desligou o microfone dela, destacando que ela poderia, posteriormente, continuar a manifestação.
Vanda de Assis então reforçou o motivo pelo qual classificou a fala de Guzella como xenofobia e destacou que a prática é crime.
"Essa prática de dizer: 'Por que você não volta para a sua cidade? Por que você veio para cá?' é xenofobia, e xenofobia é crime, vereadora. E a senhora será representada por isso. Não cabe, e eu não aceitarei, nenhuma prática xenofóbica, nem comigo, nem com nenhuma outra pessoa que escolheu morar em Curitiba [...] Eu sou a primeira vereadora nordestina eleita em Curitiba e um dos papéis que eu vou cumprir aqui é combater a xenofobia", afirmou Vanda.
Em seguida, a vereadora Vanda de Assis apontou a fala como xenofóbica. O vereador Leonidas Dias (Podemos), que presidia a sessão, interrompeu a palavra de Tathiana Guzella e desligou o microfone dela, destacando que ela poderia, posteriormente, continuar a manifestação.
Vanda de Assis então reforçou o motivo pelo qual classificou a fala de Guzella como xenofobia e destacou que a prática é crime.
"Essa prática de dizer: 'Por que você não volta para a sua cidade? Por que você veio para cá?' é xenofobia, e xenofobia é crime, vereadora. E a senhora será representada por isso. Não cabe, e eu não aceitarei, nenhuma prática xenofóbica, nem comigo, nem com nenhuma outra pessoa que escolheu morar em Curitiba [...] Eu sou a primeira vereadora nordestina eleita em Curitiba e um dos papéis que eu vou cumprir aqui é combater a xenofobia", afirmou Vanda.
O g1 questionou a PM do Paraná sobre o relato da vereadora, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
O que dizem os envolvidos?
Em nota, a vereadora Delegada Tathiana Guzella afirmou que a fala foi tirada de contexto após ser impedida de concluir a linha de raciocínio que vinha desenvolvendo.
"A vereadora Delegada Tathiana Guzella repudia qualquer tentativa de atribuir à sua manifestação caráter xenofóbico. Tal acusação não encontra respaldo em sua trajetória pessoal nem em sua atuação parlamentar. Cumpre ressaltar ainda que a vereadora Delegada Tathiana Guzella já registrou boletim de ocorrência em face da vereadora Vanda de Assis pela prática de crime contra a honra, cabendo às autoridades competentes a devida apuração e responsabilização, na forma da lei", diz a nota.
A vereadora Vanda de Assis afirmou que não vai tratar o episódio como "divergência política".
"Sou nordestina com muito orgulho. Minha história, minha origem e a de milhões de brasileiras e brasileiros não serão motivo de constrangimento ou discriminação. O que mais me indigna é pensar que isso aconteceu dentro da Câmara Municipal, a casa do povo, em uma sessão pública transmitida ao vivo. Se uma parlamentar se sente à vontade para praticar xenofobia nesse espaço institucional, imagine o que vivem diariamente tantas pessoas migrantes que enfrentam o preconceito longe das câmeras e sem a visibilidade de um mandato", lamentou.
A Câmara Municipal de Curitiba informou que, até a última atualização desta reportagem, não recebeu nenhuma representação sobre o caso.














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