16 abril 2026

Ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa é preso em operação da PF sobre o Master; ele teria recebido pelo menos seis imóveis de Vorcaro em troca de facilitar esquema

Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa — Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

Por Camila Bomfim, Isabela Camargo, Márcio Falcão, Isabela Leite, Túlio Amâncio, GloboNews e TV Globo — Brasília

Nova fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira (16) o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

O executivo é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o Banco Master sem lastro.

De acordo com investigadores, Paulo Henrique Costa teria recebido pelo menos seis imóveis de Daniel Vorcaro, dono do Master, em troca de facilitar o esquema envolvendo o banco. Dois desses empreendimentos sediados na capital federal.

Ao todo, são cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. O outro alvo de mandado de prisão é o advogado do Master Daniel Monteiro.

A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos.

Paulo Henrique Costa esteve à frente do BRB a partir de 2019, indicado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e conduziu a tentativa de compra do Banco Master pela instituição.

O executivo foi afastado em novembro após decisão judicial com a primeira fase da operação.

Costa é formado em administração de empresas com especializações na área financeira em universidades do exterior e possui mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

BRB e Master

O BRB é um banco público controlado pelo governo do Distrito Federal. Ele aparece no caso Master por ter sido o principal interessado na compra da banco de Daniel Vorcaro e por ter realizado operações financeiras que estão sob investigação.

A negociação previa a aquisição de participação relevante no Master e foi apresentada como uma alternativa para evitar a quebra da instituição. No entanto, o Banco Central vetou a operação ao concluir que não havia viabilidade econômico-financeira e que o negócio poderia transferir riscos excessivos ao banco público.

Além da tentativa de compra, a Polícia Federal apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master. O foco é entender se houve falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança das operações.

Paulo Henrique Costa presidiu o BRB durante o período em que ocorreram as negociações com o Master. Ele é investigado por sua atuação nas tratativas e na aprovação das operações financeiras sob suspeita.

Segundo os autos, Costa defendeu a compra do Master como uma solução para a crise da instituição privada. Após o avanço das investigações, ele foi afastado do comando do banco público.

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que parte dos valores pagos ao Master não teria sido recuperada após a liquidação. A PF ainda apura se esse montante corresponde ao prejuízo efetivo e se houve responsabilidade criminal ou administrativa.

Por Camila Bomfim, Isabela Camargo, Márcio Falcão, Isabela Leite, Túlio Amâncio, GloboNews e TV Globo — Brasília

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