Na próxima terça-feira (28), a guerra entre Estados Unidos e Irã completará dois meses. Entre cessar-fogos e bombardeios, ambos os países têm gastado muito dinheiro no conflito, sobretudo com armamentos.
Nestes 55 dias desde o início do conflito (sendo 38 até o cessar-fogo, que não foi totalmente cumprido), estima-se que Donald Trump já gastou pouco mais de US$ 20 bilhões em armamentos (cerca de R$ 100 bilhões), segundo dados estimados pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
Para efeito de comparação, o valor supera o PIB de alguns países ao redor do mundo, como Guiana, Montenegro e outras nações de menor porte.
Na última terça-feira (21), o CSIS fez um levantamento do estoque bélico dos EUA, analisando sete tipos de armas consideradas essenciais e usadas na ofensiva contra os iranianos.
Entre elas, estão os mísseis Tomahawk, de longo alcance e alta precisão, além de sistemas de defesa antiaérea.
Segundo o levantamento, os EUA podem ter usado mais da metade do estoque pré-guerra em quatro dos sete modelos analisados.
O estudo também aponta que os níveis anteriores ao conflito já eram considerados baixos para um eventual confronto com uma potência militar equivalente, como a China.
Além dos mísseis
Fontes do The New York Times, no entanto, projetam que o gasto total dos norte-americanos com o conflito já ultrapassou US$ 28 bilhões (R$ 140 bilhões).
O Departamento de Defesa não divulgou oficialmente quantas munições foram utilizadas.
Apesar de já terem gasto boa parte de seu poderio bélico, segundo o CSIS, os EUA ainda têm mísseis suficientes para sustentar a guerra, mas podem ficar em posição vulnerável em caso de novos conflitos. Aliados como a Ucrânia também podem ser afetados, já que dependem do fornecimento de armamento norte-americano.
O estudo aponta ainda que, mesmo com o esgotamento desses armamentos de ponta, o país poderia seguir operando com outros tipos de armas.
Essas alternativas, porém, têm menor alcance, o que aumentaria o risco das operações, já que exigiriam lançamentos em posições mais próximas do alvo.
Antes mesmo do início da ofensiva, o nível dos estoques já preocupava autoridades de defesa norte-americanos. Poucos dias antes da guerra, o Washington Post revelou que o arsenal dos EUA estava em baixa por causa do apoio aos conflitos na Ucrânia e em Israel.
No início de março, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu a escassez de armamentos de ponta, mas afirmou que o país tem estoques "praticamente ilimitados" de armas de médio e médio-alto alcance.
"Guerras podem ser travadas 'para sempre' e com muito sucesso, usando apenas esses suprimentos", disse.
O governo também fechou acordos recentes com a indústria de defesa para ampliar a produção. Ainda assim, segundo o CSIS, a reposição é lenta. Algumas armas levam meses para ficar prontas, e poucas unidades devem ser entregues no curto prazo.
"Historicamente, esse prazo era de cerca de 24 meses, mas, como os pedidos de munição passaram a superar a capacidade de produção nos últimos anos, os prazos de entrega se estenderam para 36 meses ou mais. A produção de todo o lote leva mais 12 meses. No total, são cerca de 52 meses — mais de quatro anos", diz.
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