11 março 2026

Ponte Dom Pedro II, em Paulo Afonso (BA) é cartão postal do Sertão do São Francisco


Projetada e fabricada na França pela Compagnie des Établissements Eiffel, uma das mais renomadas empresas especializadas em estruturas metálicas do século XIX, a Ponte Dom Pedro II carrega em sua treliça a mesma tradição técnica que marca obras icônicas como a Torre Eiffel, a Ponte Maria Pia e a estrutura interna da Estátua da Liberdade.
Nomeada em homenagem ao último imperador do Brasil, Dom Pedro II, a designação não se deve apenas à reverência à sua memória, mas também à relevância histórica de sua passagem pelas cachoeiras de Paulo Afonso, em 1859. Durante a sua viagem pelo rio São Francisco, o imperador demonstrou profundo interesse pelas potencialidades econômicas da região, incentivando iniciativas voltadas ao seu desenvolvimento — entre elas, a implantação da Estrada de Ferro Paulo Afonso (1878–1964), fundamental para a integração regional.






A ponte Dom Pedro II, consagrada pelo povo simplesmente como Ponte Metálica, foi erguida pelas mãos de nordestinos, inclusive filhos de cangaceiros — como nos lembra o pesquisador João de Sousa Lima, ainda alguns técnicos estrangeiros. A sua estrutura possui um vão central de 240m, largura de 10m e altura de 84m e ergue-se como um dos mais belos cartões-postais do vale do rio São Francisco, interligando os estados de Alagoas (Delmiro Gouveia) e Bahia (Paulo Afonso).

Sua implementação integrou as políticas nacionais de desenvolvimento da região do São Francisco no contexto da expansão rodoviária, contribuindo para a ligação entre o Norte e o Sul do país e oferecendo suporte logístico às usinas hidrelétricas de Paulo Afonso, implantadas a partir do final da década de 1940.


Entretanto, os conflitos políticos e econômicos que atravessavam a República retardaram sua montagem por mais de uma década. O projeto foi solicitado no governo de Eurico Gaspar Dutra, impulsionado por Getúlio Vargas e finalmente executado durante a gestão de Juscelino Kubitschek, sendo concluída a sua montagem em 1958 e inaugurado em 21 de abril de 1960, sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) e execução da empresa SOBEMEC.



Desde então, muita água correu entre esses paredões de pedra, testemunhando profundas transformações sociais, políticas, culturais e econômicas na região. Com a construção das usinas hidrelétricas, o fluxo populacional intensificou-se, atraindo milhares de trabalhadores de diferentes partes do Nordeste e — até do país, formando uma nova paisagem humana, marcada por diferentes sotaques, costumes e modos de vida.

Desse modo, as dinâmicas urbanas e as economias locais foram se redefinindo, reorganizando as geografias regionais com o surgimento de novos bairros e cidades que passaram a conviver às margens do Velho Chico.

Assim, entre o simbolismo imperial e a modernização republicana, a Ponte Dom Pedro II mantem-se como elo físico e histórico no território sertanejo-nordestino — moldado pela água, pelo metal e pela memória.

Regina Borges

Fonte:

Pesquisa do historiador João de Sousa Lima presente em https://www.folhasertaneja.com.br/noticias/colunistas/857906/1

Material cedido pelo engenheiro da CHESF Flávio Motta.


FOTOS


Gratidão do Blog de Assis Ramalho a escritora Regina Borges por enviu do conteúdo

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