Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o 'Sicário', quando foi preso em outra investigação em MG — Foto: Reprodução
Polícia Federal confirmou que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão foi encontrado desacordado na cela e levado para o hospital. Por volta das 21h, a Secretaria de Saúde de MG afirmou que não estava confirmada a morte e que Luiz Philipe seguia em cuidados no CTI. Por volta das 21h45, o hospital estava iniciando o protocolo para confirmar a morte cerebral.
Por Bruno Tavares, César Tralli, TV Globo
(Atualização: por volta das 21h, a Secretaria Estadual de Saúde de MG afirmou que não estava confirmada a morte de Luiz Philipe e disse que ele seguia em cuidados no CTI do Hospital João XXIII. Por volta das 21h45, o hospital estava iniciando o protocolo para confirmar a morte cerebral.)
A defesa de “Sicário” disse em nota que "esteve pessoalmente com ele durante o dia, até por volta das 14h, quando ele se encontrava em plena integridade física e mental. A informação sobre o incidente de supostamente ter atentado contra a própria vida foi conhecida após a nota de esclarecimento emitida pela Polícia Federal. A defesa acompanha os fatos e se encontra no Hospital João XXIII. Porém, até este momento, não há qualquer confirmação sobre o estado de saúde de Luiz Phillipi".
"Sicário" foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Também foi preso na mesma operação Daniel Vorcaro, banqueiro apontado como chefe da organização criminosa estruturada em diferentes núcleos.
Uma investigação interna será aberta pela Polícia Federal para apurar o caso e vídeos que mostram a dinâmica do que aconteceu serão entregues ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF disse que policiais iniciaram procedimento de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que encaminhou "Sicário" para o hospital.
(Alerta: esta reportagem trata de temas como suicídio e saúde mental. Se você está passando por problemas, veja ao fim do texto onde buscar ajuda.)
As investigações apontam que Sicário tinha papel central na organização criminosa e executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.
Conversas obtidas pela Polícia Federal mostram o banqueiro Vorcaro mandando Mourão levantar dados de uma empregada, intimidar funcionários e planejar agressão ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Entenda abaixo.
* Monitoramento e intimidação de funcionários: As mensagens mostram Mourão informando que monitorava um ex-funcionário e se oferecendo para usar “A Turma” para intimidar pessoas, incluindo um funcionário que teria feito uma gravação indesejada envolvendo Vorcaro. Há troca de dados pessoais dos alvos, e Vorcaro orienta levantar informações sobre um funcionário e um chefe de cozinha, sugerindo intimidar um deles para assustar o outro. “O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar", diz um dos trechos.
* Ameaças contra empregada: Em outro momento, Vorcaro relata estar sendo ameaçado por uma empregada e ordena que Mourão obtenha seu endereço e demais dados. “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda", disse Vorcaro. Mourão pergunta então o que deveria ser feito. Vorcaro responde: “Puxa endereço tudo".
* Pressão e ameaças a jornalista: Após reportagens consideradas negativas, há diálogos sobre monitorar o jornalista Lauro Jardim, do O globo, levantar informações sobre ele e até atacá-lo fisicamente. Vorcaro sinaliza que quer "mandar dar um pau" no jornalista e "Quebrar todos os dentes. Num assalto". Em resposta às revelações, o jornal O Globo divulgou nota em que afirma repudiar “veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim” e diz que a ação, conforme apontado na decisão do ministro André Mendonça.
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Decisão do STF sobre quem seria Mourão, o 'Sicário' — Foto: Reprodução
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Decisão do STF reproduz mensagem em que Vorcaro orienta intimidar funcionário e pessoa ligada a ele. — Foto: Reprodução
A investigação aponta uma "dinâmica violenta evidenciada pelas conversas entre Vorcaro e Mourão", e indica que ele atuaria como 'longa manus' (expressão do contexto jurídico que indica um agente que atua em nome de outro) da prática das práticas violentas atribuídas à organização.
O relatório fala, ainda, da existência de fortes indícios de que Mourão recebia a quantia de 1 milhão de reais por mês de Vorcaro como remuneração pelos "serviços ilícitos".
A defesa de Vorcaro negou as acusações e afirmou que o empresário "sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça."
Os advogados do banqueiro acrescentaram que confiam no "esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta".
Já a defesa de Fabiano Zettel informou que ele se entregou às autoridades e que está a disposição dos investigadores.
A defesa dos demais citados ainda não respondeu aos contatos da reportagem.
Prevenção ao suicídio
A rede pública de saúde oferece atendimento gratuito para pessoas que estão passando por conflitos emocionais e sofrem com pensamentos ou mesmo o desejo de tirar a própria vida. A ajuda pode ser solicitada por telefone, presencial, ou de forma online; confira abaixo:
CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da Família, Postos e Centros de Saúde)
UPA 24h
SAMU: fone 192
Pronto Socorro
Hospitais
Centro de Valorização da Vida: fone 188 (ligação gratuita)
O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e voip, 24 horas por dia, todos os dias.
A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, é gratuita a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular.
Por Bruno Tavares, César Tralli, TV Globo
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