06 fevereiro 2026

Previdência do Amapá é alvo da PF por aplicar R$ 400 milhões no Master

Operação Zona Cinzenta apura suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá — Foto: Polícia Federal/divulgação

Operação Zona Cinzenta investiga aplicação de R$ 400 milhões em Letras Financeiras do Banco Master.

Por Josi Paixão, g1 AP — Macapá

A Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca e apreensão na manhã desta sexta-feira (6) em Macapá na operação que apura suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP). Um dos alvos é Jocildo Silva Lemos, presidente da Amprev — Amapá Previdência. (veja outros alvos abaixo)

A Operação Zona Cinzenta apura suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP) e foi autorizada pela 4ª Vara da Justiça Federal.

A apuração envolve a aplicação de R$ 400 milhões de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, operação considerada de alto risco.

Jocildo não é o primeiro presidente de instituto previdenciário alvo da PF - na última terça (3), Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, foi preso temporariamente ao chegar dos Estados Unidos. Deives é investigado por aportes de quase R$ 1 bilhão em fundos do conglomerado de Daniel Vorcaro, do Master. A PF considera que essas operações financeiras, supostamente irregulares, “expuseram o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade”. (leia mais abaixo)

O Banco Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central, que identificou uma profunda crise de liquidez — a instituição não tinha recursos suficientes para honrar compromissos, como o pagamento a clientes e investidores.

Na ação desta sexta-feira, entre os alvos estão:

Jocildo Silva Lemos - presidente da Instituição;
Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves - membros do comitê de investimentos;
Amprev - onde foram cumpridos os mandados.

Até a última atualização desta reportagem, apenas a Amprev se manifestou sobre a ação da PF. Os demais alvos não se manifestaram. A Amprev afirmou que investimentos no Master representam menos de 5% da carteira de investimentos e que vai à Justiça por ressarcimento.(leia a íntegra abaixo)

A operação busca esclarecer se houve prejuízo ao patrimônio público e identificar os responsáveis pelas decisões investigadas.

A Polícia Federal informou ainda que as apurações continuam e que novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço do inquérito.

O que diz a AMPrev

A Amprev informou por meio de nota que 'se sente lesada pelos maus feitos do Banco Master e não abre mão de ser ressarcida'. Além disso afirmou que ingressou com todas as medidas judiciais cabíveis, obtendo o bloqueio de pagamentos ao banco.

'A instituição espera que a Justiça seja feita e que os contraventores do Banco Master sejam punidos.', diz trecho.

A Amprev reforçou ainda que os investimentos realizados no Banco Master, validados pelo Banco Central, representam 4,7% do total da carteira da instituição e que, sob a administração atual, o patrimônio da Amprev evoluiu 41% de 2023 para 2025, garantindo o pagamento aos aposentados e pensionistas até o ano de 2059.

RioPrevidência

O ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes foi preso na terça-feira (3) por agentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal em Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro.

Deivis foi preso durante a segunda fase da Operação Barco de Papel, deflagrada pela PF, que cumpriu 3 mandados de prisão temporária e 9 de busca e apreensão no RJ e em SC.

Na gestão de Deivis e de outros dois ex-diretores, o fundo de previdência do Rio investiu quase R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master: são títulos de investimento de alto risco que não contam com a cobertura do fundo garantidor de crédito.

Por Josi Paixão, g1 AP — Macapá

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