Rio de Janeiro tem sol forte e altas temperaturas no verão — Foto: Hermes de Paula/Agência O Globo/Arquivo
Por FantásticoO Brasil enfrenta um verão marcado por temperaturas extremas. Mapas meteorológicos mostram que este ano está mais quente do que o anterior, com os termômetros passando dos 40 °C em sete cidades.
No Rio de Janeiro, os recordes chamaram atenção. O Complexo do Alemão registrou 42,2 °C, a maior temperatura do ano. A sensação térmica chegou a 50 °C em algumas áreas da Zona Norte. As praias da capital permanecem lotadas durante o dia e também à noite.
Em menos de um mês, o país já enfrentou duas ondas de calor extremo. Margarete Galdino, moradora da Baixada Fluminense, descreveu a dificuldade: “Muito quente. Não dá pra ficar dentro de casa”. Seu filho Fabrício reforçou: “Não tô suportando. Muito calor de rachar mesmo”.
Em São Paulo, tendas foram montadas em dez pontos da cidade para oferecer hidratação e descanso.
Os riscos à saúde preocupam. A médica Tainara Tapezzini explica que o calor pode causar desidratação, exaustão, queda de pressão e até sintomas graves como vômito e desmaios. Hospitais já registram aumento de atendimentos relacionados às altas temperaturas.
O pedreiro Marcelo Grego explica como precisou adaptar sua rotina: "O meu normal é trabalhar de dia e descansar à noite. Eu tô invertendo: eu tô trabalhando à noite pra descansar o dia porque o dia tá terrível".
Beco sem ventilação, nenhuma vegetação, casa colada uma na outra, telhas de zinco e de amianto que armazenam o calor e transferem para dentro das casas. Nos dias mais quentes do ano, esses são os lugares que mais sofrem.
Nas últimas semanas de 2025, no Alemão e nas outras favelas, nas mesmas condições, o calor foi mais insuportável do que em qualquer outro lugar da cidade. E o que era só uma percepção, agora tem dados que comprovam isso.
Uma estação meteorológica instalada em setembro no Complexo do Alemão monitora o clima em 20 favelas.
O Observatório do Calor é uma iniciativa liderada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio, em parceria com a ONG Voz das Comunidades. O objetivo central é transformar dados em políticas públicas e promover educação ambiental entre os moradores.
A geógrafa Gabriela Conc afirma: “O meu território precisa ser observado com outros olhos”.
Em São Paulo, Paraisópolis também sofre com o calor. Casas pequenas e sem ventilação se transformam em fornos. “Ventilador vinte e quatro horas”, contou a faxineira Tamires de Carvalho.
A Fiocruz classifica o fenômeno como estresse térmico e sugere soluções como ventilação, tetos verdes e pintura das casas.
Estudos mostram que a temperatura média em mais de 1.300 favelas paulistas ultrapassou os 40 °C. Pesquisadores alertam que quando o calor passa dos 32 °C, o risco de morte aumenta em 50%. O problema é climático, mas também social, e exige políticas públicas específicas.
No cenário global, o IPCC da ONU prevê ondas de calor mais frequentes e intensas. Dados do Instituto Copernicus indicam que 2023, 2024 e 2025 foram os anos mais quentes da história, com aquecimento de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais.
A falta de árvores e o excesso de concreto agravam a situação nas cidades brasileiras. Em Paraisópolis, a temperatura chegou a 45 °C, enquanto áreas arborizadas do Morumbi registraram 30 °C. No Alemão, regiões com vegetação ficaram em torno de 34 °C, mas áreas cimentadas chegaram a 47 °C. O objetivo do monitoramento é transformar dados em melhorias estruturais.
Por Fantástico
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