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Pernambuco reduz homicídios em 23% no primeiro semestre de 2019, diz governo

Governador Paulo Câmara (à direita) fala de estatísticas da violência em Pernambuco contabilizadas no primeiro semestre de 2019 durante reunião do Pacto pela Vida — Foto: Marina Meireles/G1

No primeiro semestre de 2019, Pernambuco contabilizou 1.757 homicídios em todo o estado. O número é 23% menor do que as 2.284 ocorrências do mesmo tipo registradas no mesmo período do ano passado. (Veja vídeo acima)

O dado foi divulgado nesta quinta-feira (11), durante uma reunião do Pacto Pela Vida – programa criado em 2007 para minimizar as estatísticas da violência no estado.

O encontro foi realizado na sede da Secretaria de Planejamento e Gestão, no Centro do Recife, com a presença do governador Paulo Câmara (PSB), de secretários estaduais e de representantes das polícias Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros.

Na ocasião, o chefe do executivo elogiou os resultados obtidos de janeiro a junho e disse esperar estatísticas ainda menores até o fim do ano. “Temos a expectativa de 2019 ser um dos melhores anos dos últimos cinco anos, ou seja, ficarmos atrás apenas do melhor ano do Pacto, que foi 2013”, afirmou o gestor.

De acordo com os números apresentados na reunião, a redução mais expressiva ocorreu em fevereiro, com 33,7% a menos de homicídios em relação a 2018. Em junho, último mês contabilizado, a redução foi de 24,7%, passando de 336 homicídios em 2018 para 253 crimes do mesmo tipo em 2019.

O estado também afirma que houve diminuição de 16,4% nos Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs), que englobam roubos a casas, pedestres, veículos e estabelecimentos. No primeiro semestre de 2018 foram 50.597 e, em 2019, o número caiu para 42.281.

A sensação de insegurança da população parece não acompanhar a curva decrescente das estatísticas apresentadas pelo poder público. Entre os dias 3 e 9 de julho, o G1 registrou quatro casos de assaltos em diferentes bairros do Recife: no Espinheiro, na Macaxeira e em Campo Grande, na Zona Norte; e na Lagoa do Araçá, na Zona Sul. Em um dos casos, a vítima é empurrada pelo assaltante e bate a cabeça na calçada.

O comerciante Marconi Barbosa trabalha no Centro do Recife e, segundo ele, a sensação de insegurança é grande em toda a cidade. "Agora mesmo, estava na casa de uma cliente e ela disse que muitos assaltos estavam acontecendo no bairro de Campo Grande [na Zona Norte]. É assalto de todo tipo. Muita gente anda com dois celulares nos ônibus por causa da insegurança", diz.

O sentimento é compartilhado pelo também comerciante Heleno José da Silva. Ele, que mora em Olinda, diz que a cidade histórica também é palco de constantes casos de violência.

"Nem dentro de casa me sinto seguro, porque para os marginais, não há o que fazer. Conheço um caso no Varadouro [em Olinda] que uma garota ia para a escola e o ladrão botou o revólver nela para assaltar. A mãe já havia sido assaltada no mesmo lugar", afirma.

Já para a policial militar Marcela Dias, as mulheres são os principais alvos dos criminosos. "A segurança tem que melhorar em todos os sentidos. Nenhuma mulher se sente segura, porque há muitos casos de discriminação simplesmente por se tratar de uma mulher. As punições para quem comete casos de violência contra a mulher também têm que ser mais efetivas", declara.

"Se em todos os indicadores há diminuição, os grandes centros onde a população mais se movimenta, seja em Boa Viagem, na Agamenon Magalhães e no Centro do Recife, os assaltos a ônibus, tudo isso tem diminuído, então mostra que o trabalho está sendo feito e que a população pode confiar”, afirma Câmara.

De acordo com o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Antônio de Pádua, outra medida do estado é o aumento no número do efetivo policial. Até o fim de 2019, há a previsão de convocação de 500 aprovados em concurso para a formação na Academia de Polícia, para reforço na segurança no estado.

“Temos atualmente 523 alunos na Academia de Polícia se preparando para iniciar o trabalho como policiais militares e, até o final do ano, temos essa sinalização positiva de uma possibilidade real de convocar ainda mais 500 agentes de Polícia Civil para iniciar o curso de formação, para que também atuem aqui em Pernambuco”, afirma.

Problemas em presídios

A superlotação dos presídios também é um problema para o governo. Somente na Penitenciária Professor Barreto Campelo (PPBC), em Itamaracá, no Grande Recife há 1.958 detentos para 430 vagas, segundo dados informados à TV Globo no dia 26 de junho.

Além da superlotação, mais de dez mortes de presos foram provocadas por armas de fogo dentro das penitenciárias, somente em 2019. Uma delas ocorreu na segunda (8), na PPBC. Sobre esses problemas, Paulo Câmara afirmou que a gestão trabalha para abrir, nos próximos dois anos, 6 mil vagas para detentos com a construção de novos presídios.

“Não vai resolver, mas vai ajudar realmente a diminuir a superlotação que infelizmente acontece em Pernambuco”, afirmou.

De acordo com o secretário Antônio de Pádua, os homicídios provocados por disparos de arma de fogo dentro das unidades prisionais devem ser apurados.

“Temos trabalhado junto com a Secretaria [Executiva] de Ressocialização para identificar a motivação desses crimes dentro dos presídios, então a Polícia Civil faz investigação para identificar, entender e fazer movimentações de presos para minimizar essa problemática dentro dos presídios”, diz Pádua.

Por Marina Meireles e Mhatteus Sampaio, G1 PE e TV Globo

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