segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Mourão: 'Caso de Flávio Bolsonaro não tem nada a ver com o governo'


O vice-presidente da República, general da reserva Hamilton Mourão, descarta que o caso envolvendo as movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), possa atingir o governo de seu pai, Jair Bolsonaro. "É preciso dizer que o caso Flávio Bolsonaro não tem nada a ver com o governo", destacou Mourão, acrescentando que é preciso aguardar o andamento dos fatos e investigações antes de se tirar conclusões. As declarações foram dadas neste domingo (20) em entrevista à Reuters. Mourão assume interinamente a Presidência da República na noite deste domingo, quando Bolsonaro viaja para participar do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) investiga, há seis meses, movimentações financeiras atípicas de Queiroz. O foco é a suspeita de prática de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, direitos e valores na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Na última quinta-feira (17), o vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, atendeu a um pedido de Flávio Bolsonaro e determinou a suspensão temporária da investigação. O relator do caso, Marco Aurélio Mello, vai analisar a reclamação do senador eleito e já indicou que deve negar o pedido após o fim do recesso do Judiciário.

Um relatório do Coaf mostra que as movimentações financeiras nas contas de Queiroz teriam atingido R$ 7 milhões entre os anos de 2014 e 2017. Já se sabia que o ex-assessor do parlamentar havia movimentado R$ 1,2 milhão em transações suspeitas entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

As novas informações apontam ainda que os valores foram maiores no acumulado dos últimos anos. Segundo o relatório do Coaf, teriam passado pela conta de Queiroz R$ 5,8 milhões nos dois anos anteriores, totalizando R$ 7 milhões em três anos.

Além disso, outro relatório do Coaf mostra que Flávio Bolsonaro teria pagado um título bancário da Caixa Econômica Federal no valor de R$ 1.016.839. O Coaf não conseguiu identificar o favorecido pelo pagamento feito pelo filho de Bolsonaro. Também não há data e nenhum outro detalhe da transação.

De acordo com o relatório do Coaf, Flávio Bolsonaro teria ainda recebido 48 depósitos de R$ 2 mil em dinheiro em sua conta pessoal no intervalo de um mês em 2017. Segundo o documento, as transações, que somaram R$ 96 mil, teriam sido feitas no caixa eletrônico da Alerj entre junho e julho daquele ano. A suspeita seria de que funcionários do gabinete de Flávio devolviam parte dos salários, numa operação conhecida como "rachadinha".

Maia e Previdência

Na entrevista à Reuters, Mourão também elogiou o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tenta a reeleição para o comando da Casa. "O Rodrigo Maia tem noção do tamanho do problema (do País)", disse. Mourão também não vê problema na escolha do major Vitor Hugo (PSL-GO) - um deputado novato - para ser o líder do governo na Câmara, conforme anúncio feito recentemente. "Vitor Hugo tem capacidade e competência para essa missão", avaliou.

Sobre a possibilidade de os militares serem incluídos na reforma da Previdência, Mourão foi sucinto: "Os militares estão discutindo o tema com a equipe econômica".

Por: Jornal do Brasil

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