sábado, 1 de setembro de 2018

Relacionamento extraconjugal motivou esposa a matar médico em Aldeia, diz polícia

Crime em Aldeia: coletiva de imprensa da Polícia Civil - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco 
Médico cardiologista Denirson Paes foi encontrado morto em uma cacimba da casa onde morava, em Aldeia

A conclusão do inquérito sobre a morte do médico Denirson Paes aponta para um relacionamento extraconjugal entre ele e a filha de uma paciente que o cardiologista conheceu na clínica em que trabalhava, em 2007. De acordo com as investigações da Polícia Civil de Pernambuco, que apresentou o documento à imprensa nesta sexta-feira (31), eles passaram a se relacionar em 2009 e acabaram o caso quando a amante descobriu que Denirson era casado.

No dia em que aconteceu o crime, a esposa, a farmacêuticaJussara Paes, teria acessado fotos íntimas da amante com o marido. Após a descoberta, a esposa, segundo a polícia, premeditou o crime. No dia 18 de junho, dois dias antes de registrar o Boletim de Ocorrência do suposto desaparecimento de Denirson, Jussara foi ao apartamento para montar uma cena em que testemunhas encontrassem em uma maleta fotos do médico com a amante.

Segundo a polícia, o relacionamento entre Denirson e a amante foi retomado em 2013 e se manteve por cinco anos ininterruptos, até o assassinato do médico. Celulares e computadores passaram por perícia, assim como o local do crime. O inquérito confirmou que Denirson foi morto dentro de casa por asfixia e depois foi esquartejado com uma serra na área da piscina da casa.

No dia 29 de maio, em meio à paralisação dos caminhoneiros, Denirson entrou em contato pela última vez com a amante na fila de um posto de gasolina e prometeu falar em outro momento. Ela tentou falar novamente com o médico nos dias 30 e 31, mas sem sucesso. Depois disso, o sinal do celular sumiu. “Não tenho dúvida da participação dos dois [Jussara e Danilo]. Tanto pelas provas técnicas quanto pelo comportamento”, afirmou a diretora de Polícia Científica da Polícia Civil, Sandra Santos.

O crime foi premeditado e o cachorro da família, aponta o inquérito, foi importante para a descoberta da dinâmica do assassinato. Jussara teria dito que o animal estava sangrando e que teria se machucado ao fugir. Daniel Paes, o outro filho, falou em depoimento que ele estava espumando e tremendo, sinal típico de envenenamento.

A polícia acredita que Danilo sofre muito de uma dependência da mãe e que é dominado por ela. No entanto, ainda não é possível afirmar se Danilo participou da preparação, mas se sabe que é preciso de força pra esganar o pescoço de um homem e esquartejar."A dedução mais óbvia é que dos dois, foi o mais forte", afirmou o chefe da Polícia Civil, Joselito Kerhle do Amaral.

Frieza

Segundo a Polícia Civil, a farmacêutica Jussara Paes demonstrou frieza quando policiais abriram a cacimba onde o corpo do marido foi jogado. Fotos apresentadas em coletiva de imprensa mostraram a farmacêutica com uma expressão de que sabia que seria descoberta.

Nesse momento, ela tentou fazer com que os policiais fossem para outro local em uma tentativa de os afastar da cacimba. Jussara não teria demonstrado reação de quem perdeu o esposo, apenas se limitava a dizer que tinha perdido “o provedor”. Antes, ela havia colocado vasos e outros objetos na tampa, que havia sido cimentada.

Outro filho

Segundo o perito do Instituto de Criminalística (IC) Fernando Benevides, todo o imóvel foi mapeado e exames provaram que Jussara e Danilo estavam na casa no dia do assassinato. “Fizemos exames gerais e conseguimos constatar, através de técnicas científicas, que eles estavam no dia”, disse. O filho mais novo, o estudante Daniel Paes, também se encontrava na residência, em seu quarto, mas não escutou nada. Ele foi a última pessoa que conversou com Denirson antes do crime.

“Descartamos a participação do outro filho, pois testes acústicos no quarto de Daniel mostraram que não era possível ouvir o barulho de golpes de instrumento contundente”, acrescentou o perito. Ainda segundo Benevides, o ponto no corredor do quiosque da piscina, onde o médico foi esquartejado com uma serra após ser esganado no quarto do casal, foi escolhido estrategicamente, pois estava localizado a 6,4 metros do quarto de Daniel.
Réus

O promotor de Camaragibe Petronio Ralile Júnior, do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), acatou a conclusão do inquérito nesta sexta-feira. Com isso, Jussara e Danilo passam à condição de réus. A Justiça Estadual pediu a conversão da prisão dos dois de temporária para preventiva, por tempo indeterminado.
Entenda o caso

Em meados do último mês de junho, teve início a investigação do desaparecimento do médico cardiologista Denirson Paes da Silva, 54 anos. A esposa dele, a farmacêutica Jussara Rodrigues Silva Paes, 54, alegou, em Boletim de Ocorrência registrado no dia 20 de junho que o marido teria viajado para o exterior e não havia retornado.

A delegada Carmem Lúcia desconfiou do envolvimento dos familiares no desaparecimento do médico e solicitou um mandado de busca e apreensão no condomínio em que eles moravam, em um condomínio de luxo localizado em Aldeia, Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife (RMR).

Na busca policial, em 4 de julho, foram encontrados os primeiros restos mortais do médico na cacimba da residência. Para a polícia, havia indícios suficientes da participação de mãe e filho na ocultação do cadáver de Denirson. Em 5 de julho, Jussara e Danilo foram presos temporariamente suspeitos de ocultação de cadáver. Danilo foi encaminhado para o Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everaldo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, também na RMR. Jussara, por sua vez, foi levada para a Colônia Penal Feminina do Recife.

Os três pedidos de habeas corpus feitos pela defesa de Jussara e Danilo foram negados. No último dia 20 de agosto, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou asfixia por esganadura como a causa da morte do cardiologista. Na última quarta-feira (29), o inquérito foi concluído e remetido pela delegada Carmem Lúcia ao Ministério Público de Pernambuco, também solicitando a prisão preventivamente da esposa e do filho, que foram indiciados por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Por: Portal FolhaPE com informações de Maiara Melo, da Folha de Pernambuco


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