sábado, 15 de setembro de 2018

Em entrevista tensa, Haddad fala sobre corrupção e contra-ataca no JN


Após ser oficializado como candidato do PT à Presidência da República, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad foi entrevistado no Jornal Nacional, da TV Globo, na noite desta sexta-feira (14). Em uma entrevista marcada pela tensão — com perguntas ríspidas e interrupções constantes por parte dos apresentadores —, o petista foi questionado, entre outros temas, sobre corrupção e sobre sua derrota em primeiro turno na tentativa de reeleição à Prefeitura de São Paulo, em 2016.

Haddad começou a entrevista saudando seu padrinho político, o ex-presidente Lula, que chegou a ser anunciado pelo PT como candidato a um terceiro mandato, mas acabou tendo o pedido de registro negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base na Lei da Ficha Limpa.

Em seguida, ao ser questionado sobre os escândalos do mensalão e do petrolão — ambos descobertos em governos petistas —, o candidato da sigla diz que o que o partido fez foi fortalecer "a instituições que combatem a corrupção": "Se você não fortalece o combate, não descobre a corrupção", pontuou.

O ex-prefeito também saiu em defesa da ex-presidente Dilma Rousseff, afirmando que ela não é ré em nenhum processo. William Bonner respondeu que ela era investigada. Haddad, então, rebateu em tom de ataque: "A Rede Globo é investigada". Segundo o petista, os acordos de delação premiada estão sendo conduzidos da maneira errada: "Muitas pessoas foram investigadas e muitas estão sendo absolvidas", disse. "Você não pode condenar em função de um indício", completou.


Ainda sobre os governos anteriores do PT, Haddad foi questionado sobre as indicações de Lula e Dilma para o Judiciário. A maioria dos integrantes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e do Supremo Tribunal Federal (STF) — o primeiro confirmou a condenação de Lula, enquanto o segundo negou-lhe um habeas corpus — foi indicada pelos petistas. Em respostas, o ex-ministro disse que essa é uma prova de que "nunca partidarizamos o Judiciário". "Isso não significa que ele não possa erra. O Judiciário tanto pode errar que os recursos são previstos na nossa Constituição", argumentou.

Em relação a seu período à frente da Prefeitura de São Paulo, Haddad negou qualquer envolvimento com esquemas de corrupção, inclusive afirmando que, com apenas 44 dias de gestão, suspendeu uma obra por indícios de superfaturamento. "Os promotores que me denunciaram estão sendo investigados pelo Ministério Público por terem apresentado denúncia a menos de 30 dias das eleições. Isso é inédito", disse.

Quando questionado sobre a derrota em primeiro turno para o tucano João Doria, em 2016, o candidato disse que, à época, havia uma "demonização do PT". "Pergunte hoje aos eleitores de São Paulo o que eles acham do meu sucessor e ao país o que ele acha do Temer. Aí você vai saber o que aconteceu em 2016. Houve uma indução ao erro", rebateu, acrescentando que, entre seus 123 compromissos de campanha, "todos foram cumpridos em mais de 50%".

Por fim, o ex-ministro disse que o governo Dilma foi prejudicado por uma "sabotagem" do PSDB — segundo o candidato reconhecida nessa quinta-feira (13/9) pelo presidente da sigla, Tasso Jereissati — e pediu que os eleitores se lembrassem "dos 12 anos de normalidade democrática que vivemos no país". "O povo é parte da solução, não o problema", concluiu.

Por: Correio Braziliense


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