sábado, 6 de setembro de 2014

“O Evangelho é novidade; não temamos as mudanças na Igreja”, pede Francisco

“Alguém de vocês pode me dizer: ‘Mas, padre, os cristãos não têm leis? Sim! Jesus disse: ‘eu não venho abolir a lei, mas levá-la à sua plenitude’. 

O Evangelho “é novidade”; Jesus nos pede que deixemos “de lado as estruturas caducas”, aquelas que “não servem”. É por isso que não se deve ter medo das mudanças, nem sequer na Igreja. A afirmação é do Papa Francisco e feita na manhã da sexta-feira, dia 05 de setembro, na homilia durante a missa na Capela de Santa Marta. O Pontífice sublinhou que o cristão não deve ser “escravo de tantas pequenas leis”, mas deve abrir o coração ao mandamento novo do amor.

A reportagem é de Mauro Pianta e publicada no sítio Vatican Insider, 05-09-2014. A tradução é de André Langer.

A homilia de Francisco tomou como ponto de partida a passagem do Evangelho do dia para refletir justamente sobre a novidade que Jesus trouxe, que exorta a encher com vinho novo odres novos. “Para vinho novo, odres novos – recordou. A novidade do Evangelho. O que nos traz o Evangelho? Alegria e novidade. Estes doutores da lei estavam fechados em seus mandamentos, em suas leis. São Paulo, falando deles, diz-nos que antes da fé, isto é, de Jesus, todos nos estávamos protegidos como prisioneiros sob a lei. A lei desta gente não era má: protegidos, mas prisioneiros, à espera que chegasse a fé. Esta fé que seria revelada no próprio Jesus”.

Bergoglio prosseguiu: “Alguém de vocês pode me dizer: ‘Mas, padre, os cristãos não têm leis? Sim! Jesus disse: ‘eu não venho abolir a lei, mas levá-la à sua plenitude’. E a plenitude da lei, por exemplo, são as Bem-aventuranças, a lei do amor, o amor total, como Ele, Jesus, nos amou. E quando Jesus repreende esta gente, estes doutores da lei, repreende neles o fato de não terem protegido o povo com a lei. Pelo contrário, tornaram-no prisioneiro de muitas pequenas leis, de muitas pequenas coisas que deviam fazer”.

Coisas a serem feitas, acrescentou, “sem a liberdade que Ele nos traz com a nova lei, a lei que Ele estabeleceu com seu próprio sangue”. Esta, indicou o Papa, “é a novidade do Evangelho, é festa, é alegria, é liberdade”. É justo o resgate “que o povo esperava”, quando “estava protegido pela lei, mas como prisioneiro”. Isto, destacou, é o que Jesus nos quer dizer: “A novidade; para vinho novo, odres novos. E não tenham medo de mudar as coisas segundo a lei do Evangelho”.

“Paulo distingue bem: filhos da lei e filhos da fé. Para vinhos novos, odres novos. E por isto a Igreja pede a todos nós algumas mudanças. Pede-nos que deixemos de lado as estruturas caducas: são inúteis! E usemos odres novos, os do Evangelho. Não se pode entender a mentalidade destes doutores da lei, destes teólogos fariseus: não se pode entender a sua mentalidade com o espírito do Evangelho. São coisas diferentes. O estilo do Evangelho é um estilo diferente, que leva a lei à sua plenitude. Sim! Mas de uma forma nova: é o vinho novo em odres novos”.

“O Evangelho – insistiu Francisco – é novidade! O Evangelho é festa! E só se pode viver plenamente o Evangelho com um coração alegre e renovado”. Que o Senhor “nos dê a graça desta observância à lei. Obedecer à lei, a lei que Jesus levou à sua plenitude, no mandamento do amor, nos mandamentos que vêm das Bem-aventuranças”. Que o Senhor, concluiu, nos dê a graça de “não permanecermos prisioneiros”, mas “nos dê a graça da alegria e da liberdade trazidas pela novidade do Evangelho”.

Fonte: IHU Online

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