segunda-feira, 2 de abril de 2018

Petrolândia: Em nome de Deus?! - Artigo de Fernando Batista


Por Fernando Batista

O texto que segue quer ser apenas palavras quebrando a dormência, propondo a maneira como pretendem ser acomodadas. Longe de ser polêmico, trago em letras o que é natural de todo ser humano. A crença e a dúvida, a prática autêntica da religião contraposta com o fanatismo desmedido e agressivo.

Manhã de domingo, ligo a TV e, como de costume, vou dedilhando o controle remoto de canal em canal. Em quase todos são cultos, missas, pregações, curas, orações em línguas etc. Liturgias próprias de cada uma delas [religiões]. O que mais pude observar de forma muito latente foi o desfile de suas idiossincrasias e o resultado dissociado entre religião e equilíbrio emocional.

De acordo com o teólogo Andrés Torres Queiruga, Deus é constantemente vitimado pelos limites humanos. A riqueza da revelação divina sempre esbarra na pobreza de nossas abordagens, continua Queiruga. Uma coisa é o anúncio sereno e inteligente de uma verdade ou de uma crença religiosa. Outra coisa é o fanatismo brutal, descarado e mentiroso que procura fazer adeptos a qualquer preço.

No decurso dos tempos, religião por religião, a intolerância marcou a ação da maioria dos pregadores. Por isso mesmo, em nome de Deus se cometeram atrocidades inimagináveis. Lógico que Deus não queria o que os mulçumanos fizeram contra os cristãos. Nem queria o que os católicos fizeram contra os protestantes e vice-versa. Deus nunca quis as cruzadas que derramaram tanto sangue inocente,nem punições nas “fogueiras santas”. Deus não estava com Lutero, nem com os reis católicos, nem com aqueles Bispos e Papas que aprovaram o uso da força para defender aquilo que anunciavam. Todos eles erraram todas as vezes que, em nome de Deus, fizeram jogo de poder para forçar a aceitação do seu credo e da sua fé.

No pano de fundo está um erro de perspectiva e, não poucas vezes, um profundo desequilíbrio emocional. Os donos da verdade são tudo, menos donos de si mesmos. Ontem como hoje, a intolerância é um mal que corrói a alma. Chega-se, portanto à premissa de que ela [a intolerância] com a fraqueza alheia é sinal de que o amor já fez as malas e partiu.

A nossa época está cheia de pregadores que precisam mais de um divã do que de um púlpito. Digo mais: e são os fanáticos os maiores fabricantes de ateus. Não fossem eles, o mundo acreditaria bem mais do que acredita. E Deus onde está? Há momentos em que Ele não pode ser encontrado sobre os altares. Podemos encontrá-lo nos caminhos por onde andam nossos pés, nas relações simples de pequenas coisas, pois onde existir um ser humano realizado, Deus está plenamente revelado.


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