quarta-feira, 11 de abril de 2018

Ministério Público pede e juiz nega a prisão de amigos de Temer

Advogado e ex-assessor da Presidência, José Yunes e o presidente Michel Temer - Zanone Fraissat/Folhapress

O Ministério Público pediu a prisão preventiva de pessoas próximas ao presidente Michel Temer: o advogado e ex-assessor da Presidência, José Yunes, o ex-deputado e ex-assessor do presidente, Rodrigo Rocha Loures, e o coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo João Baptista Lima Filho, mas a Justiça negou. A decisão da 12ª vara federal do DF, negando os pedidos de prisão, é da última segunda-feira (9).

O Ministério Público também tinha pedido a prisão preventiva do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), do ex-ministro Geddel Vieira Lima e do ex-deputado Henrique Eduardo Alves (MDB-RN). Esses pedidos também foram negados pela Justiça.

Os pedidos de prisão foram feitos no âmbito das investigações sobre um grupo de integrantes do MDB que, segundo o Ministério Público Federal, formou um núcleo político para cometer crimes contra empresas e órgãos públicos. A suposta organização criminosa ficou conhecida como "quadrilhão do MDB".


Yunes e o coronel Lima chegaram a ser presos no dia 29 de março, a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), numa investigação sobre suposta propina recebida por Temer em troca de decretos favorecendo empresas no setor portuário.

Eles foram liberados dias depois após pedidos de seus advogados serem acolhidos pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois viraram réus no processo do "quadrilhão do MDB".

Cunha, Alves e Geddel estão presos por investigações ligadas à Lava Jato. Rocha Loures, flagrado pela PF com uma mala de dinheiro, foi preso em junho de 2017 e, em julho, conseguiu ir para casa com monitoramento de tornozeleira eletrônica. Os quatro também são réus no processo do "quadrilhão do MDB".

Argumentos para pedir as prisões

Ao negar as prisões, a decisão judicial citou os motivos listados pelo Ministério Público para a detenção dos políticos e pessoas próximas do presidente.

Eduardo Cunha: no caso de Cunha, o Ministério Público alegou que ele, mesmo depois de preso, recebia propina. Também argumentou que integrantes do esquema criminoso acertaram manter os pagamentos ilegais para Cunha e para Lúcio Funado (apontado como operador financeiro do MDB), para eles se manterem "tranquilos, calmos e em silêncio em relação aos fatos que pudessem afetar outros participantes, como a cúpula do PMDB [atual MDB] na Câmara".

O Ministério Público ainda apontou que os investigados, mesmo depois de presos, receberiam propina para manter um "alinhamento" de versões diante das investigações criminais.

G1


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