quinta-feira, 1 de março de 2018

Sobe para seis o número de vítimas de médico suspeito de estupro na UPA da Imbiribeira

Abusos teriam sido cometidos dentro da unidade de saúde. Foto: Marlon Diego/DP/Arquivo

A Delegacia da Mulher confirmou que já são seis as vítimas que denunciam um médico traumatologista da Unidade de Pronto Atendimento da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife, por estupro. Na tarde desta quarta-feira, mais uma paciente procurou a polícia para contar abusos. Além das acusações de violência sexual, o traumatologista já responde a dois processos na Justiça por erro médico. Ele já foi identificado e suspenso das atividades hospitalares. Deverá prestar depoimento, mas ainda não há previsão para a ouvida.

A nova vítima chegou à delegacia muito nervosa e com uma carta na mão. O relato foi apresentado a um comissário na Delegacia da Mulher de Santo Amaro, no Recife. Ela conta que chegou à UPA, por volta das 8h40, no dia 29 de novembro do ano passado. Buscou atendimento por conta de uma torção no pé. "Quando entrei na sala, ele perguntou o que aconteceu. Eu informei, e ele pediu para colocar o meu pé em cima da perna dele. Não vi necessidade, mas coloquei achando que seria o procedimento. Ele ficou alisando meu pé e subindo pela perna, e eu dizendo que a dor era apenas no pé. Em seguida, ele me encaminhou para fazer um raio x e disse que assim que, quando saísse o resultado voltaria para a sala", relembrou. Foi então que o abuso ficou mais agressivo.


"Após ter feito o exame, voltei para a sala dele. Ele sentou na cadeira que seria para o paciente e ficou fechando a porta impedindo a entrada de outras pessoas. Pediu para que eu ficasse em pé na frente dele, colocou as mãos no meu quadril e me aproximou. Pedia para que eu tentasse ficar na ponta do pé, e eu dizia que não conseguia. Ele falava que estava me segurando, que eu não ia cair e continuava segurando no quadril com parte da mão sobre a minha bunda. Eu achei muito estranho, mas fiquei nervosa com a situação", continuou. "Ele insistiu que eu fizesse novamente o exercício. Depois, ele se levantou e pediu para que eu ficasse de costas para ele. Ele ficou em pé atrás de mim e me segurou pelo peito. Fui ficando cada vez mais nervosa e comecei a me tremer. Eu dizia que não dava para ficar de ponta de pé, já estava suando de nervoso. Ele pedia para que eu continuasse, ficou se esfregando em mim por trás e falando no meu ouvido", detalhou.

A vítima conta que o abuso durou cerca de sete minutos. "Foi quando eu disse que não aguentava mais e que meu pé estava doendo muito. Pedi para ele parar e passar um remédio", desabafou.

O médico, que tem 35 anos e graduou-se em 2009, foi denunciado por outras cinco pacientes que dizem ter sido abusadas por ele. Uma vítima de 18 anos, que fez a primeira denúncia, procurou atendimento no setor de traumatologia da UPA da Imbiribeira por volta das 9h do dia 21 de fevereiro após sofrer um acidente em casa. O traumatologista solicitou exames e, quando ela retornou para entregá-los, ele a molestou no consultório. Em depoimento, a jovem contou à polícia que o médico pediu para ela abaixar o short, a apalpou, esfregou o corpo contra o dela e ejaculou.


Além de estar sendo investigado pela Delegacia da Mulher, o traumatologista também responde a dois processos na Justiça por erro médico. O primeiro, datado de maio de 2016, diz respeito a uma denúncia de um policial que passou por uma cirurgia no punho direito e precisou ter o procedimento refeito por outro profissional. Nessa terça, o médico foi intimado pela polícia para responder sobre esse caso.

O segundo processo, que chegou ao Poder Judiciário em outubro de 2016, tem como vítima uma mulher e tramita na 31ª Vara Cível da Capital. A Justiça ainda não se posicionou sobre as denúncias. O médico, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, teve a primeira licença profissional registrada no Conselho Regional de Medicina daquele estado (Cremern). O registro foi transferido ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), quando ele se mudou de Natal para o Recife. Paralelamente ao inquérito policial por estupro, o Cremepe abriu sindicância interna que pode culminar com a cassação do registro. Sobre os possíveis casos de erro médico, o Cremepe informou que, por sigilo ético profissional, não divulga detalhes do que foi apurado nem dos antecedentes do profissional investigado.

Por: Diário de Pernambuco


0 comentários:

Postar um comentário