quinta-feira, 29 de março de 2018

Infestação de baronesas faz MP convocar reunião emergencial em Paulo Afonso e Glória


Quem passa pela orla de Paulo Afonso, no norte baiano, pode perceber que às margens do Rio São Francisco na região da prainha aumenta a concentração de uma vegetação verde com flores roxas. Essas plantas são as baronesas que se alimentam da matéria orgânica dos esgotos. Elas alertam para os dejetos das cidades que estão sendo despejados no rio.

Para quem não sabe, a baronesa funciona como um ‘filtro’ das impurezas presentes no rio. Por isso, quanto mais elas aparecem, mais mostra o quanto estão poluídas as águas do rio. E não só. Essas plantas também podem representar uma ameaça à saúde pública dos ribeirinhos.

O impacto ambiental provocado pela invasão das baronesas na região levou o Ministério Público a convocar imediatamente uma reunião emergencial com as prefeituras de Paulo Afonso e Glória, Bahia Pesca, Embasa, INEMA, ICMbio, Sema(PA), para traçar um plano de ação imediato a médio e longo prazos no sentido de buscar mecanismos que possam amenizar o quadro atual.


A reunião convocada pelo Núcleo de Defesa do Rio São Francisco (Nusf), por meio da promotora de Justiça Regional Ambiental, Luciana Khoury, em conjunto com o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), aconteceu nesta quarta-feira (28), na sede do Ministerio Público, em Paulo Afonso.

No encontro entre outras ações, ficou decidido que a promotora Luciana Khoury vai acionar a CHESF no sentido desta colaborar com a retirada das baronesas. Outra questão levantada foi a destinação desses resíduos sólidos que estão sendo retirados no rio.

A situação chegou a um estágio tão avançado que o prefeito de Glória, David Cavalcanti, foi obrigado a decretar estado de calamidade pública, por 90 dias. O município é atualmente o maior produtor do País, com 16,8 mil toneladas de tilápia/ano.”

Segundo o Gerente Regional da Bahia Pesca, Dr. Antonio Almeida Júnior, um estudo recente mostra que toda essa baronesa estagnada na prainha em Paulo Afonso, representa apenas 5% do volume total que ainda estar por vir. “O impacto não prejudicou apenas a piscicultura, mas o turismo e o comércio”, afirmou, Almeida.

Em Paulo Afonso e Glória começma a surgir suspeita de casos esporádicos de alergia nas pessoas.

Cautelosa, a promotora Luciana Khoury solicitou que fossem feitas análises da qualidade da água obtendo imediata resposta da Embasa que se prontificou a apresentar semanalmente um relatório das atividades realizadas em Paulo Afonso e Glória.

Na prainha, homens e máquinas do município estão no trabalho de retirada das baronesas, mas não dão vencimento. O cenário tem se agravado no dia a dia, a ponto de a prefeitura de Paulo Afonso ter pleiteado esta semana uma ação conjunta com a participação do exército, corpo de bombeiros e voluntários.

Ao final do encontro, ficou definido que será marcada nos próximos dias uma audiência pública envolvendo o MP, MPF, prefeitura e o CBHSF.

PA4


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