sexta-feira, 16 de março de 2018

Deputado Rodrigo Novaes divulga nota sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco no RJ



Passei o dia todo esperando vir-me à cabeça o que deve ser dito diante da morte da vereadora Marielle no Rio de Janeiro.

O crime é cruel. Ver morrer pessoas inocentes dói demais; e calar a voz de uma representante do povo é uma afronta ao estado.

Tudo leva a crer, sem querer cometer o erro de tirar conclusões precipitadas, que bandidos ou milicianos (dá no mesmo) tiraram a vida de uma jovem aguerrida, porque defendia suas convicções com coragem e ousadia.

Se realmente o crime foi motivado por suas posições políticas, estamos diante de um ato de extrema covardia, de quem não tolera diferenças ou estranha posturas sérias, de quem não se dobra à corrupção nem se atemoriza.

Não sendo esse caso, a indignação é a mesma, estaria, portanto, ela, que praticava o discurso dos direitos humanos e do combate à criminalidade a partir dos investimentos nas áreas sociais, representando as milhares de pessoas que morrem todos os dias nesse país.

Falar de crime, devo falar de drogas. Perdemos a guerra, ponto final. Infelizmente. Não adianta mais. E nunca venceríamos mesmo, porque eventualmente, o juiz que condena é aquele que chega em casa e fuma maconha. O promotor que pede a prisão; o político que discursa bravamente na tribuna; o cidadão comum que se indigna com a criminalidade, também cheira cocaína por diversão. Duro não é? É a verdade.


O mal de nossa sociedade é a hipocrisia. Nunca usei drogas ilícitas porque nunca me interessei. Mas nunca foi porque a lei proíbe. Muitos pensam como eu. Fato é que as drogas estão completamente inseridas, participam das festas da alta sociedade, da baixa, da media. Quem as usa não tem interesse nenhum que deixem de vender. Só vende porque tem quem compre.

Melhor admitirmos logo que nossa sociedade é assim, e que precisamos ajudar as pessoas, conscientizar de que as drogas não prestam, que as pessoas precisam de tratamento, e preparar os profissionais da saúde para esse desafio.

Evitaremos muitas mortes, muitos serão salvos. Em vez da bala na testa, o nome negativado no cadastro de devedores. Acabou a briga entre facções. E vamos fazer o debate sob outro paradigma.

Sempre fui preconceituoso em relação a esse assunto, mas não seria verdadeiro se defendesse diferente. É hora de uma profunda reflexão, de atitude e coragem.

Não dá mais para conviver com milícias e o crime organizado dando as cartas, e a sociedade mergulhada na hipocrisia fingindo não participar do problema, e não ter culpa.

Presidio é a escola do crime, escritório do crime organizado, um submundo que não responde aos valores e critérios daqui de fora. O estado é somente o dono dos muros. Lá dentro quem manda são os presos. Outro mal que precisa ser discutido se quisermos verdadeiramente deixar de produzir marginais.

Enfim, seja por conta de suas denúncias, ou não, é bom que a morte da vereadora traga indignação. E que ela saia das redes sociais; e que essa indignação seja capaz de despertar em todos a necessidade de rediscutirmos o mundo em que estamos vivendo.

Lamento muito a morte da vereadora. Mais um duro golpe no país. Que Deus nos abençoe e inspire as mulheres e homens de bem a continuar a luta.

E que não tenhamos medo de ninguém. Nem de defender o que pensamos ser certo. Que quem cometeu o crime responda pelos seus atos.

Que o povo brasileiro compartilhe o exemplo de coragem de Marielle!

Deus conforte a dor dos que sofrem.

Rodrigo Novaes - Deputado Estadual (PSD-PE)


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