sábado, 24 de março de 2018

Ações para mulheres no ambiente de trabalho são baseadas em pesquisas com homens

Pesquisadora da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo afirma que problemas ergonômicos e fisiológicos de trabalhadoras não são resolvidos, pois estudos de saúde ocupacional não levam em conta amostragens com mulheres. Marisa em palestra no Viver Mulher, em Belo Horizonte (Foto: André Lima)

A pesquisadora da Área Técnica de Saúde da Mulher da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, enfermeira Marisa Ferreira Lima, alega que as mulheres são prejudicadas no trabalho, pois os ambientes são desenvolvidos baseados em pesquisas que avaliam somente homens. A afirmação foi feita nesta quinta-feira (22), durante o 12º Seminário Nacional Viver Mulher, realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (CONTRATUH) em Belo Horizonte (MG), que tem como objetivo discutir a igualdade de gênero na sociedade e a violência doméstica.

“Levantamentos bibliográfico de pesquisas em saúde ocupacional mostram que não existe um estudo específico com mulheres, as amostragens englobam apenas homens. E quando são identificados problemas no ambiente de trabalho envolvendo as trabalhadoras, evidências baseadas na população masculina dão o norte para sua solução. Como beneficiar a classe feminina dessa forma?”, indaga Marisa, que usa análises feitas em dois documentos, “Mulher, Saúde e Trabalho no Brasil: desafios para um novo agir” e “Referencial de análise para a estudo da relação trabalho, mulher e saúde”, para ilustrar suas afirmações.

Lima coloca que questões simples, como a distribuição de móveis no trabalho, precisam levar em consideração as questões físicas e fisiológicas da mulher. “Por exemplo, a população masculina tem média de altura maior que a feminina, influenciado na altura de bancadas, que se instaladas incorretamente podem trazer problemas ergonômicos, como lesões por movimentos repetitivos”, explica.

“Além da ergonomia, toda questão fisiológica, que vai desde o ciclo menstrual à menopausa, passando pela gravidez, precisam ser levados em conta pelas empresas. Mas, infelizmente, esses pontos não são tocados, por causa de pesquisas laborais excludentes. Mais uma prova de como a mulher é discriminada no País”, finaliza.

VIVER MULHER

A CONTRATUH lançou a Viver Mulher em 2007, a partir da necessidade de melhor informar e qualificar a mulher inserida no grupo Turismo e Hospitalidade. Desde então, foram realizadas edições nacionais e regionais da campanha, o que a tornou referência no movimento sindical brasileiro pela formação de milhares de mulheres do segmento. Este ano, Belo Horizonte foi a capital escolhida para sediar o evento.

Assessoria de Imprensa CONTRATUH


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