quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Namorando todo mundo, Bolsonaro desiste do PEN/Patriota e poderá disputar eleição por outro partido


Fontes próximas ao deputado falam em 90% de chances de o "projeto Patriota ser abortado". Divergências com o presidente do PEN/Patriota, que envolve comando do partido e fundo partidário, levaram o presidenciável a procurar outra legenda. PSL de Luciano Bivar é o caminho mais provável. Mas o presidenciável também tem convite do PR, cujo presidente nacional estava preso e foi solto por decisão de Gilmar Mendes, ontem (20). 

Mudaram-se os planos. Segundo colocado nas pesquisas eleitorais, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) não irá mais disputar a presidência da República pelo Patriota, novo nome do Partido Ecológico Nacional (PEN). A razão é um racha com o presidente do PEN, Adilson Barroso. Bolsonaro está seguindo para o Partido Social Liberal (PSL). Ele afirmou à Gazeta do Povo que está “90%” fechado com essa nova legenda.

“No Patriota, o cara prometeu que eu teria a maioria das ações do partido. Mas não entrega. E agora chegou num limite. Estou namorando o PSL. Tive uma conversa excelente com o presidente [do partido] Luciano Bivar e terei 51% das ações. Conversamos ontem e anteontem”, disse Bolsonaro à Gazeta do Povo, na noite desta quarta-feira (20). “E tem mais. O PR também está interessado no meu passe. Converso com todo mundo, menos com aqueles ‘partidecos’ de esquerda.”

Bolsonaro: de estrela do Patriota a incômodo dentro do partido

Bolsonaro já havia anunciado oficialmente sua ida para o Patriota. Foi a estrela de um programa partidário do PEN e chegou até a assinar uma ficha simbólica de filiação, como prova de seu compromisso. Mas a coisa desandou.


O racha com Adilson Barroso, o presidente do Patriota, envolve não só cargos de direção no partido mas também o fundo partidário. Bolsonaro criticou o dirigente do PEN e disse que, sem ele como candidato do partido, dificilmente a legenda vai atingir a cláusula mínima de 1,5% dos votos válidos para deputados federais no país. Só assim, com esse desempenho, uma legenda tem direito a tempo na TV e acesso ao fundo partidário.

Bolsonaro afirmou que, no PEN, está tendo problemas de uso do fundo partidário – que, no seu entendimento, deveria pagar as despesas de viagens que ele têm feito país afora. Ele afirmou que o fundo do partido é minúsculo.

“Sei que vai entrar muito dinheiro [na minha campanha]. De pessoas mais simples, que vão depositar de R$ 5 a R$ 10, e gente com mais condições financeiras”, disse Bolsonaro. “Faço minha campanha, no máximo, com R$ 2 milhões.”

Segundo a Exame, o presidente do PEN/Patriota, Adilson Barroso, se mostrou irritado e disse não acreditar que essa fosse uma decisão vinda do próprio Bolsonaro, mas, de pessoas do entorno dele.

“Ele ainda não me ligou para comunicar nada. Se isso acontecer, eu digo que não entendo a mente dele”, afirmou.

“Tudo o que foi pedido eu cedi. Aliás, multipliquei por três tudo o que foi pedido. Ele tem cinco cargos na direção nacional e muito mais. Mudei até o nome do partido e cheguei a perder 80% da minha base por ele”, disse.


PSL vai perder a ala mais liberal para que Bolsonaro possa entrar

“Esse partido [o PSL] é liberal. Vai mudar seu regimento. Além de defender valores familiares, vão defender a questão do armamento. Tem uma ala, o ‘Livres’, que vai deixar de existir e não terá mais espaços no partido”, afirmou Bolsonaro. O PSL, antes de Bolsonaro, inclusive cogitava a ideia de mudar de nome para virar “Livres”, adotando um liberalismo mais radical.

Favorável à adesão de Bolsonaro, o presidente do partido, Luciano Bivar é deputado federal (PSL-PE) e comanda há anos o PSL. Bolsonaro afirmou que Bivar é um empresário bem sucedido e que não sobrevive do fundo. O presidente da sigla atua no ramo de previdência privada.

Em nota, PSL nega filiação

Ainda na noite desta quarta-feira, o PSL divulgou nota no Facebook informando que não fará a filiação de Bolsonaro. Leia a íntegra:

1. Não procedem, de forma alguma, as notícias de que o deputado federal Jair Bolsonaro possa se filiar ao PSL.

2. Após solicitação feita por Bolsonaro, o presidente nacional do PSL e também deputado federal, Luciano Bivar, recebeu-o em reunião. Conversaram sobre o Imposto Único, histórica bandeira do PSL.

3. Em função das evidentes e conhecidas divergências de pensamento, o projeto político de Jair Bolsonaro é absolutamente incompatível com os ideais do LIVRES e o profundo processo de renovação política com o qual o PSL está inteiramente comprometido.

Gazeta do Povo e Exame


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