sábado, 2 de dezembro de 2017

Movimento estudantil: UBES escolhe nova presidência neste sábado (2)

Congresso que reúne 10 mil jovens em Goiânia chega à reta final; passeata contra a censura e a “Escola Sem Partido” marcou esta sexta (1º) (Foto: Léo Souza)

Depois de três dias de debates e participação de jovens de escolas de todos os estados do Brasil, chega ao fim neste sábado (2) o 42º Congresso da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), na Arena Goiânia, capital de Goiás. A partir das 10h, os estudantes elegerão a nova diretoria e presidência da entidade estudantil. As lideranças eleitas na Arena Goiânia ficarão à frente da UBES pelos próximos dois anos.

As eleições acontecem em duas etapas. A primeira ocorreu antes do Congresso, nas escolas do país, com a escolha dos delegados e delegadas que representam as suas instituições de ensino. Durante a plenária final do encontro, eles formam chapas e votam para decidir a nova gestão da entidade. Ao fim da votação, a diretoria da UBES é composta por todas as tendências que lançaram candidatura, de forma proporcional a quantidade de votos obtidos por cada chapa.

PASSEATA CONTRA A LEI DA MORDAÇA

Sete mil estudantes percorreram as ruas de Goiânia nesta sexta-feira (1) em passeata contra a Lei da Mordaça e em defesa da educação. Durante a caminhada de uma hora e meia entre as Praças Universitária e Cívica, os jovens entoaram gritos de guerra contra projetos como o Escola sem Partido e pediram a saída do presidente Michel Temer.

O movimento estudantil secundarista tem se mobilizado em todo o país contra a iniciativa de censura e restrição do conhecimento nas escolas brasileiras. Para a UBES, iniciativas como a do movimento chamado Escola Sem Partido são uma forma de amordaçar o debate democrático nas instituições de ensino e impedir assuntos fundamentais como o combate ao machismo, ao racismo e à LGBTfobia. O tema foi destaque em um dos debates do Congresso, com a presença da subprocuradora geral da República Débora Duprat.

QUEM SÃO OS SECUNDARISTAS

São chamados estudantes secundaristas os cerca de 50 milhões matriculados no ensino fundamental, médio, técnico e preparatório do Brasil. Nas escolas, começam a se organizar e se mobilizar em causas coletivas, pela mudança da educação e do país. O centro desse movimento são os grêmios estudantis, que também se organizam nas uniões municipais e estaduais de estudantes secundaristas. Todo esse movimento, unificado, compõe a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.

O QUE FORAM AS OCUPAÇÕES

Conhecido por “Primavera Secundarista”, o movimento das ocupações secundaristas nas escolas teve início em 2015, em protesto contra a proposta de reorganização escolar e o fechamento de instituições de ensino no estado de São Paulo. Em 2016, o movimento cresceu e alcançou a marca de mais de mil escolas ocupadas, em oposição ao congelamento dos investimentos públicos, contra a reforma do ensino médio, a reforma da previdência e trabalhista. As ocupações são consideradas a maior ação organizada da juventude brasileira em toda a história.

UBES 70 ANOS

Entidade histórica da organização estudantil no Brasil, a UBES completará 70 anos em 25 de julho de 2018, sendo referência da luta pela democracia e pela educação pública de qualidade no país. Em sete décadas, o movimento secundarista resistiu em momentos difíceis, como a ditadura militar brasileira. O jovem Edson Luís, morto em 1968 no Rio de Janeiro, tornou-se símbolo nacional de resistência ao regime.

Além disso, a UBES foi protagonista de outros momentos decisivos como as Diretas Já, o Fora Collor e a resistência contra o golpe parlamentar de 2016. Atualmente, os estudantes secundaristas são contra as medidas do governo ilegítimo de Michel Temer, defendem uma escola democrática, sem opressões e com a cara da juventude brasileira.

CAMILA LANES

Paranaense de São José dos Pinhais, Camila Lanes foi eleita presidenta da UBES em 2015, durante o 41º Congresso da entidade, em Brasília. Com 21 anos, a líder estudantil também já presidiu a União Paranaense de Estudantes Secundaristas (UPES). Mesmo com pouca idade, Camila mostrou liderança importante em um período difícil da história recente da educação brasileira, com o congelamento de investimentos públicos por 20 anos, a reforma ilegítima do ensino médio e o avanço de movimentos autoritários como o da Escola Sem Partido. A sua gestão na UBES também ficou marcada pelas ocupações secundaristas em todo o país.

Assessoria de Imprensa UBES


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