segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Petrolândia: Presidente da Associação Café com Arte divulga nota de repúdio à "falta de consideração ao trabalho de artesãos locais"

Fotos: Associação Café com Arte/Arquivo Fenearte 2017


Nota de Repúdio

Foi com muita tristeza e indignação que li uma matéria sobre Petrolândia, publicada no número 170 do Jornal do Sertão (De 16 a 31 de Outubro de 2017), página 10, e tomei conhecimento do que considero falta de respeito e consideração ao trabalho de artesãos locais. Na matéria com o título "Tradições levadas pelas águas", com palavras atribuídas a um produtor cultural desta cidade, ele simplesmente esqueceu ou desprezou o esforço árduo de artesãos que trabalharam penosamente, durante vários meses, para levar o artesanato e o nome de Petrolândia para a maior feira de artesanato da América Latina, a Fenearte (Feira Nacional de Negócios do Artesanato), no mês de julho passado, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda.

Petrolândia não foi representada na Fenearte "em nível nacional" somente por sabonete, produto que o PAB (Programa do Artesanato Brasileiro) só considera artesanato se for feito "com essências extraídas de folhas, flores, raízes, frutos e flora nacional". Nada contra o trabalho da artesã destacada, que faz produtos de excelência, mas contra o relato equivocado do representante do setor cultural, que desmereceu o trabalho de todos os outros artesãos. Petrolândia foi representada com o estande da Prefeitura Municipal, onde quatro associações representaram o artesanato do município. Petrolândia foi representada no estande da Secretaria Estadual da Mulher (SecMulher), com artesanato em palha e barro. Petrolândia foi representada com um quiosque no Espaço do Sebrae, com artesanato em couro de tilápia. Petrolândia foi representada pelo estande próprio da Associação dos Artesãos e Agropecuaristas de Petrolândia - Café com Arte, associação que une mais de 30 mulheres, com várias expressões do artesanato local e, com muito orgulho e responsabilidade, carrega e defende o nome desta cidade na sua razão social.

Estou triste, estou indignada, porque vi que o esforço de artesãos petrolandenses não é valorizado por quem faz parte do setor cultural de Petrolândia. Todos os anos, vários artesãos petrolandenses fazem sacrifícios imensos para participar da Fenearte e representar a cidade. Fazem altos investimentos financeiros para comprar um estande, produzir mercadoria e passar mais de uma semana longe de casa, com muitas horas diárias de trabalho, com saudade da família e do conforto do lar, com o corpo cansado, mas sempre com o melhor sorriso no rosto, para brilhar num evento internacional de grande movimento e responder, com o coração cheio de satisfação, "somos de Petrolândia" a quem pergunta "de onde vocês são?". Então, não é por acaso que vendemos quase todos os nossos produtos, é pelo grande esforço que nós fazemos.

Representamos Petrolândia em quase todas as edições da Fenearte e a Associação Café com Arte é reconhecida na cidade, na região, no Estado, no Brasil e no Exterior. Levamos a bandeira de Petrolândia aos congressos da Confederação Nacional dos Artesãos do Brasil (CNARTS), derramamos nosso suor na luta pela regulamentação da profissão de artesão. Com orgulho de ser de Petrolândia, a Associação Café com Arte tem representante na diretoria da Federação dos Artesãos de Pernambuco (Facarpe) e tem representante no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDIM-PE).

Tudo isso merece respeito de quem representa ou trabalha no setor de cultura da Prefeitura e nunca nos deu apoio nenhum para fazermos os muitos projetos que a Associação Café com Arte, enfrentando muitos desafios, conseguiu elaborar e apresentar ao Funcultura, por exemplo. Diversos projetos foram aprovados e beneficiaram pessoas do município e dar mais destaque à cidade de Petrolândia.

Estou triste e indignada pelo desrespeito aos artesãos, mas também estou envergonhada com as palavras do produtor cultural que mostram desconhecimento das manifestações culturais que pertencem aos índios e não podem ser "resgatadas". Menino do rancho e dança do umbu não podem ser comparadas com pastoril e reisado. São rituais Pankararu e não podem ser apropriadas por não índios. Os Pankararu já estão fazendo a parte deles para preservar as tradições e estão mais adiantados nisso do que o setor de cultura de Petrolândia. O território Pankararu ganhou um Ponto de Cultura há muitos anos e o município de Petrolândia ainda não tem nenhum, os índios trabalham projetos para resgatar e preservar as tradições de seu povo e o setor de cultura da Prefeitura de Petrolândia, durante muitos anos feito por uma só pessoa, deixou muito a desejar. Os artesãos, por exemplo, só eram lembrados na hora de armar as barracas ao redor de alguma "apresentação cultural" e até hoje não existe um lugar, um evento fixo, onde possam mostrar o seu trabalho, feito com tanto sacrifício e dignidade.

Diante disso, em nome dos artesãos que fazem a Associação Café com Arte e, ouso, em nome de outros artesãos que contribuíram e se sacrificaram para levar o nome de Petrolândia para a Fenearte 2017, deixo aqui o meu repúdio às declarações do produtor cultural, representante do setor de cultura da Prefeitura, sobre a representatividade do artesanato do município.

Petrolândia, 26 de novembro de 2017

Maria de Fátima Barbosa Belém
Presidente da Associação Café com Arte


Associação Café com Arte/Divulgação


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