terça-feira, 7 de novembro de 2017

Em depoimento na delegacia, jovem diz que não se arrepende de matar adolescente em Goiás

Misael confessou o crime e disse não estar arrependido
Crime foi motivado porque adolescente não quis relacionamento com atirador - facebook/Reprodução

Após matar com mais de dez tiros a estudante Raphaella Noviski, de 16 anos, dentro de uma escola em Goiás, o ex-aluno Misael Pereira de Olair, de 19 anos, afirmou não se arrepender do crime. Em depoimento na delegacia nesta segunda-feira, o jovem confessou ter assassinado a adolescente e disse que comprou a arma há três meses.

No vídeo do depoimento do rapaz, feito na delegacia de Alexânia, em Goiânia, Misael aparece de pé e responde às perguntas feitas pela delegada Rafaela Azzi, responsável pelas investigações sobre o crime no Colégio Estadual 13 de Maio. Ao ser questionado sobre a finalidade pela qual havia adquirido a arma de fogo, ele responde: "para matar a Raphaella". A delegada pergunta o motivo do crime, e Misael se limita a responder "porque eu odeio ela". A titular, então, pergunta a razão do ódio, e o rapaz, olhando para o teto da delegacia, afirma "não sei explicar".


Misael usou uma máscara para entrar no local e planejava se matar tomando veneno para rato. O rapaz ainda pretendia depois atirar em si mesmo. Ele foi impedido pela polícia de cometer o suicídio.

— Eu acho que só estava esperando preparar tudo e, quando ficou pronto, eu falei: 'a hora que eu quiser eu vou lá e mato'. Aí hoje falei: 'é hoje'. Então, fui lá e matei — falou Misael.

De acordo com o atirador, os diversos disparos foram feitos a cerca de meio metro de distância da vítima.

— Tinha muita gente (na sala), mas eu tava procurando ela para matar. Mirei nela. Na cabeça — falou.

A delegada questiona se Misael tem irmão ou irmã e se não imaginava que a menina poderia ser vítima de um crime como este.

— Você já pensou que poderia ser sua irmã? — pergunta Rafaela Azzi.

— Já", responde Misael.

— Nem assim gera arrependimento? — questiona a delegada.

Ele, então, responde rapidamente:

—Não — enquanto olha para o teto.

Na manhã desta segunda-feira, Misael saltou o muro da unidade de ensino armado com um revólver calibre 32 e disparou mais de 10 tiros no rosto de Raphaella, que morreu no local. Segundo o atirador, ele e a vítima se conhecem há cerca de 6 anos e moravam próximos um do outro, mas não mantinham contato por nenhuma rede social. Ele negou que a adolescente o tenha rejeitado ou cometido qualquer tipo de bullying contra ele. No vídeo, a delegada, então, volta a pergunta o motivo de Raphaella ter sido assassinada pelo rapaz. Ele, por sua vez, torna a responder "porque eu odeio ela", visivelmente incomodado.

Ainda em depoimento, Misael afirmou ter estudado na mesma escola da vítima no ano passado e que, no mês de julho do mesmo ano, foi até a casa da jovem para "entregar um presente para ela". A delegada pergunta o que aconteceu em seguida, e Misael conta que não realizou a entrega. Ele, então, se dirige a um policial na sala e pergunta: "eu posso contar mesmo?". O policial e a delegada pedem que ele conte tudo sobre o caso.

— Eu fui entregar um presente para ela e ela falou que estava dando banho na avó dela e que era para a gente conversar lá no colégio. Aí, eu peguei o presente e não tive coragem de dar para ela — contou.

A delegada Rafaela Azzi pergunta se o rapaz gostava da vítima, já que pretendia lhe entregar um presente. Misael sorri e responde:

— É.

O rapaz ainda diz que tentou ter algo com a vítima e, em seguida, afirma que não. A delegada questiona se o presente não seria uma tentativa de relacionamento, e Misael reafirma que não tentou um relacionamento com Raphaella.

— Isso não é tentar. Eu levei o presente lá pra ela, só que ela tava dando banho na avó dela e eu falei que só queria conversar. Acho que ela achou que eu tava tentando roubar a casa dela — disse.

Misael ainda disse que Davi José de Souza, de 49 anos, o amigo da família que o aguardou em frente ao colégio, com a intenção de lhe dar uma carona, não sabia do crime.

— Ele não sabia. Ninguém sabia. Não contei isso para ninguém — falou.

O atirador será indiciado por feminicídio. Os colegas da vítima e familiares ainda serão ouvidos pela polícia. O corpo da jovem foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) da cidade. Ainda nesta segunda-feira, Misael será levado para o presídio de Alexânia, na cadeia pública.


O Globo


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