quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Jatobá: Moradores de Bem-querer de Baixo, Bem-querer de Cima, Caldeirão e Caxiado expressam incertezas vividas na disputa entre índios e não índios pelo direito à terra

Foto: Lúcia Xavier/Arquivo BlogAR

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Organização das Nações Unidas, afirma que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidades e em direitos, dotados de razão e de consciência e devemos agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. Partindo deste princípio, nós que fazemos parte das comunidades: Bem-querer de Baixo, Bem-querer de Cima, Caldeirão e Caxiado, ambas situadas no município de Jatobá-PE, nos sentimos motivados a expressar nossos sentimentos em relação à nossa história de vida, que há muito tempo vem causando dor e sofrimento, desde nossos antepassados até os dias de hoje. Há muito tempo, ouvimos nossos pais relatar que ouviram dos nossos avós a história de opressão vivida por eles e carregamos até os dias atuais. Tendo em vista que as famílias destas comunidades cresceram com a insegurança e a incerteza do futuro incerto de permanecer na sua comunidade de origem, pois nasceram e se criaram nessas localidades.

As soluções para as questões indígenas são necessárias e devem ocorrer, mas, essas soluções não podem gerar o desamparo de centenas de famílias de trabalhadores rurais que, como os índios, vivem na área há centenas de anos, sendo a agricultura o único meio de sobrevivência a qual estão aptos a desenvolverem. Não é justo corrigir um erro, gerando outro. Diante do exposto, acreditando nessa sociedade, em favor da agricultura familiar, é que estamos solicitando uma atenção especial para essas áreas de conflito entre índios e agricultores não “índios” na nossa região, por ser uma situação especial, por tanto, merecedora de tratamento diferenciado dos demais conflitos, envolvendo índios e agricultores não “índios” que vivem em outras regiões do País. Nesse caso, não se trata de fazendeiros que invadiram terras para auto se promover com os benefícios capitais locais, mas sim agricultores que vivem nessas terras desde o seu surgimento. Pessoas que criaram as comunidades, ou seja, não as invadiram e usam suas terras para o seu sustento e vão ser desapropriados sem reassentamento,e a indenização é injusta sem falar dos considerados má Fé que não tem direito a nada.
Existem muitas pessoas já com idade avançada, que construíram toda uma vida nessas comunidades, estão ligadas a ela por laços de cultura, família, que vão muito além dos bens materiais, o único possível de ser mensurado pelo cadastro, mas, que por questão de humanidade deveria ser considerado pelos órgãos do governo para que não cometam uma injustiça, considerando que a mudança vai ser muito difícil de ser absorvida por todas as pessoas, mas, para os idosos será muito mais doloroso e para aqueles que são considerados de má fé, saindo da sua comunidade sem direito a nada. Somos conscientes de que Direitos Humanos são os direitos e liberdades básicas de todos os seres humanos. O seu conceito também está ligado à ideia de liberdade de pensamento, de expressão, e à igualdade perante a lei .Acreditando nesse órgão que leva em conta a questão humana, nós, que fazemos parte dessas comunidades, percebendo os nossos direitos violados, já que conforme o Processo, temos um prazo de um meses, para deixarmos as terras onde vivemos, sendo assim sentimos a necessidade de expressar nossos sentimentos em defesa de garantir nossa dignidade, pois somos pouco ouvidos.

Atenciosamente,

As Comunidades.

Jatobá/PE, 04 de Setembro de 2017.

Enviado por Izabel Cristina


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