quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Deputada Socorro Pimentel homenageia Instituto Aggeu Magalhães, criado por sanitarista nascido em Pernambuco

Deputada Socorro Pimental (Foto: Rinaldo Marques/Alepe)

A deputada Socorro Pimentel (PSL) apresentou à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) Requerimento para Voto de Aplauso aos 67 anos do Instituto Aggeu Magalhães, a Fiocruz Pernambuco, criado pelo médico sanitarista Aggeu Magalhães, nascido em Petrolândia, em 1898. Irmão do ex-governador Agamenon Magalhães, Aggeu era filho de Antônia de Godoy Magalhães e Sérgio Nunes de Magalhães, juiz de Direito da Comarca de Jatobá de Tacaratu, futuro município de Petrolândia.

Natural de Araripina-PE, eleita para o seu primeiro mandato, a médica Socorro Pimentel é membro titular das Comissões de Negócios Municipais, de Saúde e Assistência Social, de Defesa dos Direitos da Mulher e de Ética Parlamentar. Como suplente, faz parte das Comissões de Esporte e Lazer, de Meio Ambiente e de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular.

Requerimento No 3774/2017

TEXTO COMPLETO
Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais que seja enviado Voto de Aplauso a todos que fazem o Instituto Aggeu Magalhães, Fiocruz Pernambuco, pelos seus 67 anos de excepcional contribuição para a ciência e saúde pública estadual, nacional e internacional.

JUSTIFICATIVA
Aggeu de Godoy Magalhães nasceu no dia 7 de dezembro de 1898, em Petrolândia, Sertão de Pernambuco. Filho de Sérgio Nunes de Magalhães e Antônia de Godoy Magalhães passou sua infância no Recife e estudou no Ginásio Pernambucano. Aos 22 anos, formou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1920, sendo o laureado da turma. Na faculdade, como contemporâneos, conheceu o professor Carlos Chagas e o médico Belisário Penna, dos quais se tornou amigo.


Recém-formado, foi convidado pela direção da faculdade a permanecer no Rio de Janeiro, mas recusou o convite e voltou ao Recife para trabalhar e ajudar a família. Na época de seu retorno a Pernambuco, a febre amarela e a malária eram endêmicas em toda a Região Metropolitana do Recife. A taxa de mortalidade por tuberculose e varíola também era elevada. Sua carreira de sanitarista começou quando foi convidado por Amaury de Medeiros para trabalhar em sua equipe.
Posteriormente, foi nomeado diretor do Serviço de Profilaxia Rural, onde desenvolveu um grande trabalho no combate à febre amarela e à malária, abrindo vários postos de saúde em Pernambuco. Em 1922, tornou-se membro na Sociedade de Medicina de Pernambuco (SMP).

Foi nomeado professor titular da cadeira de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina do Recife em 1925. Tornou-se, em 1928, presidente da SMP, posição mantida até 1929, quando, por indicação da Fundação Rockfeller, do Rio de Janeiro, foi convidado a fazer um curso de especialização nos Estados Unidos, onde permaneceu por seis meses, estagiando no Departamento de Patologia da Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Em seguida, transferiu-se para o Departamento de Patologia da Universidade de Toronto, no Canadá, onde estagiou por mais seis meses. Nessa instituição, desenvolveu trabalhos experimentais em macacos infectados com o vírus da febre amarela e descreveu, pela primeira vez, lesões encontradas em células renais, chamadas “inclusões nucleares”.

Ao retornar ao Recife, em 1930, voltou a dedicar-se à cadeira de Anatomia Patológica no Hospital Infantil Manoel Almeida, onde havia laboratórios da Faculdade de Medicina. No local, passou a aplicar técnicas trazidas dos Estados Unidos, como necrópsias e preparações histológicas.

Em 1933, o Departamento de Saúde do Estado de Pernambuco cria o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), sob a direção de Aggeu Magalhães. O serviço destinava-se a realizar necropsias em pessoas que haviam falecido de causas desconhecidas e sem assistência médica.A partir do trabalho desenvolvido, foi possível detectar a presença de doenças até então desconhecidas na Região, a
exemplo da esquistossomose mansônica e suas áreas de manifestação.

O professor Aggeu Magalhães foi um dos idealizadores do Instituto de Pesquisas Agronômicas de Pernambuco (IPA), criado em 1935 pelo seu irmão, Agamenon Magalhães, na época, governador do estado. Em 1937, tornou-se diretor da Faculdade de Medicina do Recife. Entre os fatos que marcaram sua administração estão o apoio à Casa do Estudante, à Sociedade Acadêmica de Medicina e à construção de um novo prédio para o SVO.

Suas pesquisas, desenvolvidas principalmente na área de esquistossomose, passaram a despertar o interesse de médicos de todo o país. Em 1946, Aggeu Magalhães, que no fim da década anterior já se mostrava preocupado com a organização dos serviços de assistência hospitalar em Recife, é nomeado
presidente do Instituto de Assistência Hospitalar.

Naquele mesmo ano, por sugestão sua, o então governador José Domingues criou a Secretaria de Saúde e Educação do Estado de Pernambuco. Indicado ao cargo, permaneceu de março a agosto de 1946. Inaugurou as instalações do primeiro banco de sangue estadual e instalou um serviço de urgência no Hospital de Olinda.

Na área da educação, firmou parcerias com a iniciativa privada para ampliar a distribuição da merenda escolar, realizou uma reforma técnica do ensino primário, construiu uma escola normal rural no interior e criou a Faculdade Estadual de Filosofia.

Em 1948, autoridades do Ministério da Saúde e Educação visitaram Pernambuco para tratar da instalação de um centro de helmintoses no Estado, sonho antigo de Aggeu Magalhães. O então governador Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho concedeu o terreno. A construção foi iniciada, mas Aggeu Magalhães não chegou a ver o prédio concluído.

Aggeu Magalhães faleceu em 1949, um ano antes da inauguração do centro de pesquisas. Como homenagem, a instituição recebeu seu nome – inicialmente, chamou-se Instituto Aggeu Magalhães, tornando-se, mais tarde, Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM), integrado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na década de 1970. 

Em 1986, sob a direção de Aggeu Magalhães Filho, transferiu sua sede para o campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente compreende os departamentos de Imunologia, Parasitologia, Microbiologia, Entomologia, Patologia e Biologia Celular e Saúde Coletiva e é um centro de referência internacional em filariose, da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Fonte: http://www.espacociencia.pe.gov.br/noticias/aggeu-de-godoy-magalhaes/

Sala das Reuniões, em 31 de agosto de 2017.

Socorro Pimentel
Deputada


Biografia de Aggeu Magalhães

Aggeu Magalhães

Nascia no dia 7 de dezembro de 1898 em Petrolândia, Sertão de Pernambuco, Aggeu de Godoy Magalhães, filho de Sérgio Nunes de Magalhães e Antônia de Godoy Magalhães. Passando sua infância no Recife, Aggeu estudou no Ginásio Pernambucano e formou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1920, onde conheceu o professor Carlos Chagas e o médico Belizário Pena, dos quais se tornou amigo.

Recém formado, volta à capital pernambucana numa época em que os serviços sanitários estavam desordenados. Febre amarela e malária eram endêmicas na Região Metropolitana do Recife. A taxa de mortalidade por tuberculose e varíola também era alta. Sua carreira de sanitarista começou quando Belizário Pena, então diretor do Departamento Nacional de Saúde, contratou-o para exercer as atividades de inspetor do Serviço de Saneamento e Profilaxia no estado de Pernambuco. À frente do serviço, deflagrou uma grande campanha pela higiene e saúde. Combateu os anofelinos e as verminoses em geral e abriu vários postos de saúde em todo o Estado.

Em fevereiro de 1922, ingressou como membro na Sociedade de Medicina de Pernambuco. Em 1928, tomou posse como novo presidente da entidade, deixando-a em 1929. Antes, em 1925, foi nomeado professor titular da cadeira de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina do Recife. Por indicação da Fundação Rockfeller, do Rio de Janeiro, o professor foi convidado a fazer um curso de especialização nos Estados Unidos, onde permaneceu por seis meses estagiando no Departamento de Patologia da Universidade de Columbia. Em seguida, transferiu-se para o Departamento de Patologia da Universidade de Toronto, no Canadá, onde estagiou por mais seis meses. No local, desenvolveu trabalhos experimentais em macacos infectados com o vírus da febre amarela.

Ao retornar ao Recife, volta a dedicar-se à cadeira de Anatomia Patológica inicialmente com serviço de laboratório que funcionava no Hospital Infantil Manoel Almeida, onde haviam instalados vários laboratórios da Faculdade de Medicina. No local, passou a adotar modelos trazidos dos Estados Unidos passou a realizar inúmeras necrópcias e preparações histológicas.

O Departamento de Saúde do Estado de Pernambuco, por um decreto de 23 de dezembro de 1933, cria o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) sob orientação de Aggeu Magalhães, que assume sua direção. O serviço destinava-se a realizar necropsias em pessoas que haviam falecido de causas desconhecidas e sem assistência médica. A partir do trabalho desenvolvido no local foi possível detectar a presença de doenças até então desconhecidas na região, a exemplo da esquistossomose mansônica, e suas áreas de manifestação. O SVO passou, então, a ser reconhecido como um local onde se produzia ciência, pois não se diagnosticava a causa mortis dos pacientes mais por hipótese e sim por comprovação científica.

Em 1937, o professor Aggeu Magalhães tomou posse como diretor da Faculdade de Medicina. Entre os fatos que marcaram sua administração, estão o apoio à Casa do Estudante, à Sociedade Acadêmica de Medicina e a construção de um novo prédio para instalação da cadeira de Anatomia Patológica e o Serviço de Verificação de Óbitos. As pesquisas desenvolvidas no SVO, principalmente na área de esquistossomose, passaram a despertar o interesse de médicos de todo o País. Em dezembro de 1938, o serviço recebeu a visita de Evandro Chagas, que ficou impressionado com a extensão e gravidade do problema com a doença e organizou um plano de trabalho que seria desenvolvido com a colaboração do Instituto Oswaldo Cruz, na época já vinculado ao Instituto de Manguinhos (futura Fundação Oswaldo Cruz) e o Estado.

Em 1946, Aggeu Magalhães, que no fim da década anterior já se mostrava preocupado com a organização dos serviços de assistência hospitalar em Recife, é nomeado presidente do Instituto de Assistência Hospitalar, à frente do qual ficou apenas 37 dias. Naquele mesmo ano, por sugestão sua, o então Governador José Domingues criou a Secretaria de Saúde e Educação do Estado. Indicado ao cargo, onde ficou de março a agosto de 1946, inaugurou as instalações do primeiro banco de sangue do Serviço de Pronto Socorro estadual, instalou um serviço de urgência no Hospital de Olinda. Na área da educação, firmou parcerias com a iniciativa privada para ampliar a distribuição da merenda escolar, realizou uma reforma técnica do ensino primário, construiu uma escola normal rural no interior e criou a Faculdade Estadual de Filosofia. Depois de deixar a Secretaria de Saúde e Educação, o pesquisador voltou a ministrar aulas na Faculdade de Medicina.

Em 1948, o diretor da Divisão de Organização Sanitária do Departamento Nacional de Saúde Amílcar Barca Pellon, veio a Pernambuco especialmente para tratar da instalação do centro de estudos em endemias rurais e parasitárias, sonho antigo de Aggeu Magalhães. A notícia lhe foi dada pessoalmente.

Começou-se, então, a procura por um lugar para abrigar o “Instituto de Pesquisas Experimentais”. O então governador Barbosa Lima Sobrinho cedeu um terreno atrás do Hospital Centenário, na Rua do Espinheiro. A construção foi iniciada, mas Aggeu Magalhães não chegou a ver o prédio concluído. O pesquisador faleceu em 31 de julho de 1949 e a inauguração do centro de pesquisas aconteceu em 1950. Como homenagem, a instituição recebeu seu nome: Instituto Aggeu Magalhães, que mais tarde tornou-se Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM), a Fiocruz Pernambuco.

Fonte: Aggeu Magalhães, um pioneiro. Casa de Oswaldo Cruz, 2000, in Fiocruz


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