domingo, 1 de outubro de 2017

Biografia do petrolandense João Limeira de Moura, com família radicada em Afogados da Ingazeira

João Limeira radicou-se em Afogados da Ingazeira

João Limeira de Moura nasceu em Tacaratu, então distrito do município de Petrolândia, Sertão do São Francisco, Estado de Pernambuco, no dia do santo que lhe emprestou o nome, no ano de 1927.

Filho mais jovem de Antônia Maria da Conceição, uma mestiça de sangue pankararu e negro, exímia rendeira de bilros, e Manoel Limeira de Moura, mestiço de bronze na tez e olhos verdes, a indicar uma mistura de sangues indecifrável, ferreiro por ofício, também fogueteiro e baloeiro, que perdeu a vida num acidente com fogos em 1932.

Apanhado pela orfandade paterna aos cinco anos de idade, João Limeira e seus irmãos e irmãs lograram escapar da miséria total amparando-se uns nos outros, nas rendas da mãe e todos nas graças do Velho Chico, generoso em peixes e várzeas adubadas com lama de suas enchentes, para a lavoura de subsistência.

Naquela época, Petrolândia era ponta de linha de uma estrada de ferro que tinha inicio em Piranhas/Alagoas, construída para transportar as mercadorias no trecho não navegável do São Francisco, tornando possível uma hidrovia da foz até Januária/MG.

E foi por essa estrada de ferro que João Limeira, ainda rapazote, carrancudo, forte, moreno de olhos verdes como o pai, de poucas letras e muita curiosidade, sem lenço e sem documento, mas com destemor, caiu no mundo, descendo até Piranhas/AL e de lá tomando o rumo dos canaviais alagoanos e pernambucanos, sempre carentes de mão-de-obra barata.

Perambulando de engenho em engenho, prestando pequenos serviços, muitas vezes em troca de comida e pouso, mas disposto a aprender os ofícios do açúcar, chegou a Catende/PE onde conseguiu seu primeiro emprego formal na usina que leva ou dá nome à cidade, no cargo de foguista, cuja função era a de alimentar o fogo das caldeiras.

Nessa época conheceu um casal de protestantes, sendo por eles iniciado no estudo das Sagradas Escrituras, pelo que tomou apaixonado gosto, gosto este que o acompanhou por toda a vida, lhe abrindo e fechando portas, lhe fazendo amigos e desafetos, em calorosos debates sobre o tema, conforme a ocasião.

Assim, João Limeira, que desde seu batismo católico, feito por ordem de sua irmã Maria, nunca mais tinha entrado em igreja de qualquer credo, foi feito ou se fez evangélico presbiteriano.

Na mesma época, aprendeu o oficio de alfaiate, que nunca exerceu para o ganho, mas lhe permitia confeccionar suas próprias roupas, pois como jovem vaidoso de seu porte altivo, era amante de ternos de linho S-120 branco e de tropical “5 listas” azul marinho.

Naqueles tempos até os mais pobres buscavam se trajar com esmero e decência. Hoje impera o bermudão, camiseta e chinelo.

Sempre que ia ao Recife, desembarcando na Estação Central, ouvia falar que a Great Western estava ampliando a linha centro, avançando de Alagoa de Baixo pelo sertão a dentro, com destino a Vila Bela, e que estava recrutando operários.

Em incerto dia, nos meados da década de 1940, fez sua inscrição na Great Western para a função de foguista, usando dos conhecimentos de caldeiraria aprendido nos engenhos, mas, ao final só lhe foi oferecido, para contrato imediato, o trabalho de operário braçal, não especializado.
Descontente com o tratamento dado aos operários da usina, principalmente aos como ele, sindicalizados, saudoso dos ares do Sertão natal, deixou seu primeiro emprego, onde já era operador de turbinas, espécie de centrífuga que convertia o melado em altíssima temperatura, em açúcar cristalizado.

E foi nessa condição que João Limeira de Moura, operário braçal, diácono presbiteriano, sindicalista incipiente e getulista ferrenho, aportou em Afogados da Ingazeira a bordo de seu segundo e definitivo emprego.

É sabido que o traçado original da linha central da estrada de ferro cortaria o Estado de Pernambuco em sentido longitudinal, de leste a oeste, seguindo em linha reta de Rio Branco a Vila Bela, mas, que por interferência e influência política do afogadense Monsenhor Alfredo de Arruda Câmara, esse traçado foi alterado.

Assim é que a partir da Várzea do Tigre a linha desvia para a direita em direção a Alagoa de Baixo, Albuquerque Né, Coruja, Salamandra, Afogados da Ingazeira, onde cruza o Rio Pajeú e segue por sua margem direita até Vila Bela.

Por esse feito, e mais tarde pela elevação da paróquia de Afogados da Ingazeira à condição de episcopado, além de outras realizações, Arruda Câmara é ícone até hoje justificadamente reverenciado e talvez isto explique como em conversa social, amigável, de escasso tempo, o Monsenhor e o Vigário local converteram aquele diácono presbiteriano em católico fervoroso.

Rapidamente foi integrado à vida social de seus iguais e da cidade, afinal, naquela época, por mais humilde que fosse a função, ser ferroviário inspirava prestígio, respeito e abria crédito no comércio.
Para quem sempre vivera em alojamentos e residências coletivas, deu um grande passo ao receber da Great Western, para sua morada, uma casa nova, de alvenaria, de telhado decente com eira e beira, varanda, sala, dormitórios, cozinha, banheiro com vaso sanitário e chuveiro, quintal, lavanderia e mais, água encanada e esgoto sanitário, coisa rara na época.

Nessas condições, mandou buscar para perto de si a sua mãe e sua sobrinha Francisca. Já não estava sozinho, tinha de novo uma família.

Atendendo aos apelos da idade, já adiante dos vinte anos, rapidamente namorou, noivou e desposou Elisa Maria de Carvalho, uma das muitas filhas de Manoel Izidro Pereira e Maria Flora de Carvalho, em 07 de Março de 1951.

Dessa união nasceram oito filhos: Eurides, Gilberto, Zulene, Idelberto, Edilene, Humberto, Alberto e Roberto.

Reprodução Facebook Gilberto Carvalho Moura


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