quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Vazão da hidrelétrica de Xingó atinge nível mais baixo desde sua criação

Autorizada pelo Ibama, vazão do Rio São Francisco será reduzida dos atuais 600m³s para 550m³s (Foto: Adailson Calheiros)

O lago de Sobradinho, na Bahia, iniciou o mês de agosto com apenas 10% de sua capacidade total de armazenamento. Essa é a pior crise hídrica do lago registrado para este mês desde sua criação. E em Alagoas, a situação não é muito diferente. Segundo o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), a vazão atual de Xingó estabelecida pelo setor elétrico está em 600 metros cúbicos de água por segundo (m³/s) o menor volume já registrado.

De acordo com o CBHSF, a situação ainda pode se agravar devido ao pedido feito pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) solicitando uma nova redução da vazão dos reservatórios das hidrelétricas de Sobradinho (BA) e Xingó (AL), no Rio São Francisco do atual 600m³/s para 550 m³/s. De acordo com o CBHSF, a vazão foi reduzida de 1.300m³/s em maio de 2013 e passou a diminuir paulatinamente ficando na menor da história.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), já emitiu autorização de redução da vazão da Usina Hidrelétrica (UHE) Xingó para 550m³/s na última segunda-feira (7).


O Ibama confirma que essa é a menor vazão defluente registrada na usina desde o início de sua operação. No entanto, informou que apesar disso, a medida não afeta o nível do reservatório da UHE Xingó, que opera “a fio d’água”. O volume que chega ao reservatório é o mesmo que sai (vazão), ou seja, o volume de água que chega à Xingó depende do volume disponível no reservatório da UHE de Sobradinho.


‘’O reservatório da UHE de Sobradinho é de acumulação/regularização do rio. Suas dimensões são maiores que as do reservatório de uma usina a fio d’água e ele é usado para controle das cheias e para usos múltiplos”, diz nota do Ibama.

Outra preocupação do CBHSF é que, segundo especialistas, tem entrado menos água na cabeceira do rio que fica na Serra da Canastra, em Minas Gerais. E, em compensação, tem saído mais água. A entidade acredita que a situação deve melhorar em meados de novembro quando começa o período de chuva na região da cabeceira.

Captação de água será ainda mais prejudicada

“A redução de vazão do rio São Francisco, nas represas de Sobradinho e de Xingó, prejudica as captações de água da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) ao longo do rio”, informou presidente da Casal, Clécio Falcão.

De acordo com a Casal, companhia possui 14 estações de captação de água ao longo do Rio São Francisco e, quando ocorre a redução de vazão, é preciso fazer investimentos nas captações, porque a água se afasta da margem.

“Assim, para conseguir retirar a água bruta do rio, precisamos fazer investimentos, que custam muito caro para a companhia”, explicou Clécio.

Ainda segundo o presidente da Casal, o problema mais grave, quando ocorrem as reduções, é na cidade de Piaçabuçu, onde a cunha salina tem avançado sobre o rio até o local onde fica a captação de água. “As demais companhias de saneamento sofrem com a redução de vazão do rio, mas a Casal tem um problema a mais que é a salinização da água em Piaçabuçu. Essa situação somente ocorre em Alagoas”, ressaltou.

Clécio Falcão informou também que já tem um projeto para construir uma nova captação de água para Piaçabuçu, num local próximo à comunidade Penedinho. “Com essa redução, talvez tenhamos que fazer novos estudos para saber onde teremos que instalar essa captação de água”.

Comitê destaca prejuízos para municípios banhados pelo rio

Com a redução, muitos prejuízos para quem depende do rio são contabilizados. Os prejuízos são conhecidos, desde a floração de algas, caso registrado no ano passado, além de dificuldades para diversos segmentos. A navegação encontra dificuldades para atender ao público; o turismo também sofre porque os aspectos explorados pelos visitantes da região não são mais tão visíveis; a saúde pública tem registrado aumento nos casos de hipertensão e a vida lacustre é a que mais sofre. Os peixes não conseguem se reproduzir com a mesma tranquilidade, segundo informa o CBHSF.

Além disso, a intrusão salina permite a entrada de peixes naturais de água salgada, o que provoca o desequilíbrio ambiental. “O Comitê tem se posicionado de maneira muito crítica, inclusive vem mantendo contato com consultores. Entretanto, não é possível contrapor a opinião dos setores elétrico e ambiental, que afirmam não haver água suficiente para atender a todos os usos da bacia”, disse.

A equipe de reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Piaçabuçu para buscar dados sobre casos de pacientes com hipertensão, mas não obteve retorno.

POPULAÇÃO

A população de Piaçabuçu tem registrado problemas devido à intrusão salina. Como forma de minimizar os problemas, o comitê aprovou um projeto apresentado pela Casal e irá iniciar a construção de um reservatório pulmão, além de ampliar a Estação de Tratamento de Água (ETA) na região.

O Comitê também informou que irá firmar um termo de parceria com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) para desenvolvimento de outras ações que serão estudadas futuramente.

Tribuna Hoje-AL


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