quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Tarifas de energia podem subir 7% com privatização da Eletrobras, diz especialista no setor elétrico


Se por um lado, a privatização da Eletrobras pode reduzir os custos e aumentar as receitas da holding e de suas controladas, por outro, pode elevar o preço da energia para o consumidor final. Isso pode acontecer porque o valor da energia vendida pelas geradoras passaria por um ajuste, em função do processo conhecido no setor elétrico como ‘descotização’ das usinas.

Esse dispositivo vai permitir que as geradoras, a exemplo da Chesf, volte a cobrar R$ 150 por Megawatts/hora (MWh) e não mais R$ 35, como exigido pela MP 579, do Governo Dilma Rousseff. Projeta-se que a reforma no mercado energético aumente a conta de luz em até 7%, segundo cálculos do Ministério de Minas e Energia na reforma que propõe nova regulamentação do setor.

Para o especialista no setor elétrico José Antônio Feijó, nesse modelo proposto valerá a premissa mercadológica. "O capital privado vai assumir um controle e você acha que ele não vai querer lucrar? Claro que sim", sentenciou, frisando que o mesmo processo aconteceu quando, na época do Governo de Fernando Henrique Cardoso, boa parte das distribuidoras estaduais foi privatizada. "Vemos que isso só fez aumentar o custo da energia até aqui", ressaltou.

Uma fonte do setor, em reserva, afirmou que essa tese é a mais provável. "Como é que a Chesf vende uma energia a R$ 35, vai passar a cobrar R$ 150 e não vai repassar para o consumidor?", questionou. Ela disse ainda que é possível que esse movimento esteja acontecendo para ajudar à União no cumprimento do déficit de R$ 159 bilhões no próximo ano.

Na visão do também especialista no setor elétrico Mateus Tolentino, tudo vai depender da modelagem da privatização, ainda não definida. "Enquanto uma parcela dos agentes quer que o valor arrecadado volte para o consumidor por meio de investimentos, outra deseja que seja aplicada no Tesouro Nacional. Até que isso se defina, não temos como saber que tipo de impacto sofrerá o cliente final", explicou.

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, disse ontem, durante videoconferência, que os cálculos do impacto da privatização na tarifa do consumidor ainda não foram realizados. "Esperamos, no entanto, que com a redução de custos e com ganho de eficiência no processo, a conta de luz fique mais barata no médio prazo", disse. Ele aposta no êxito da privatização da Vale e da Embraer.

Folha de Pernambuco


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