terça-feira, 29 de agosto de 2017

Míssil da Coreia do Norte sobrevoa Japão, confirma Pentágono


A Coreia do Norte disparou um novo míssil não identificado nesta segunda-feira (28), que sobrevoou o Norte do Japão. A informação foi confirmada pelos Exércitos sul-coreano e japonês, e também pelo Pentágono. Pyongyang não lançava um projétil sobre o território japonês desde 2009. O foguete não identificado foi lançado de um local próximo à capital, Pyongyang, às 05h57 (17h57, no horário de Brasília) e voou cerca de 2,7 mil quilômetros, alcançando a altura de 500 quilômetros, segundo o Estado-Maior sul-coreano. Os militares japoneses não tentaram derrubar o míssil.

— Podemos confirmar que o míssil lançado pela Coreia do Norte sobrevoou o Japão — disse o porta-voz do Pentágono, coronel Robert Manning, a repórteres, acrescentando que autoridades americanas estavam coletando mais informações.

A NHK reportou que o míssil quebrou em três partes e caiu no mar a 1.180 quilômetros ao leste de Cabo Erimo em Hokkaido, a segunda maior ilha do arquipélago japonês. O sistema de alerta do governo J-Alert aconselhou as pessoas na área a tomar precauções, mas a NHK disse não haver sinais de danos. O Exército da Coreia do Sul afirmou que o projétil foi lançado da região de Sunan.


Mais cedo, a Coreia do Sul havia anunciado que país poderia estar preparando sexto teste nuclear na zona de testes subsolo de Punggye-ri. Após o lançamento do míssil, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que fará tudo o que puder para proteger o país.

— Faremos os maiores esforços para proteger a vida das pessoas — Abe disse a repórteres enquanto entrava em seu gabinete para um encontro de emergência.

Os cinco testes nucleares da Coreia do Norte

8 de outubro de 2006 O primeiro teste nuclear da Coreia do Norte provocou um terremoto de 4,3 graus de magnitude. De acordo com funcionários dos EUA, a arma usava plutônio e teria alcançado menos de um quiloton (unidade de energia liberada).

O porta-voz do governo japonês, Yoshihide Suga, também afirmou que o míssil representa uma grave ameaça de segurança. Suga disse que o lançamento foi uma clara violação das resoluções da ONU e que o Japão trabalhará junto a Estados Unidos, Coreia do Sul e outras nações para responder à Coreia do Norte.

O disparo desta segunda-feira representa uma significativa escalada da parte de Pyongyang, que este mês ameaçou lançar projéteis contra a ilha de Guam, no Oceano Pacífico, onde há uma importante base americana. O lançamento acontece alguns dias depois que Pyongyang testou três mísseis balísticos de curto alcance, considerados como uma provocação para retaliar os exercícios conjuntos anuais realizado por EUA e Coreia do Sul.

No início de agosto, a Coreia do Norte anunciou que conseguiu desenvolver uma ogiva nuclear para caber dentro de mísseis balísticos, o que soou como uma ameaça de ataques aos Estados Unidos e à Coreia do Sul. O anúncio desencadeou uma troca de ameaças entre Washington e Pyongyang e elevou as tensões diplomáticas. No entanto, o governo norte-coreano anunciou que esperaria um ação americana antes de ativar o plano elaborado para atacar a ilha de Guam, território americano no Pacífico, com quatro mísseis.

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, ordenou o aumento da produção de motores de foguete e de ogivas de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM), segundo a mídia estatal de Pyongyang. Um comunicado da agência oficial norte-coreana sugere que o país estaria trabalhando num míssil mais poderoso, que utiliza combustível sólido. Pouco antes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia declarado em comício que sua retórica agressiva em relação à Coreia do Norte passava a dar frutos e que Kim Jong-Un começava a "respeitar" os Estados Unidos.

Ao contrário de foguetes com combustível líquido, os projéteis com combustível sólido não precisam ser abastecidos antes do lançamento, um processo que pode levar uma hora e torna o míssil mais vulnerável a um ataque preventivo. Os novos mísseis teriam, então, um disparo mais rápido e seriam mais fáceis de serem escondidos.

O Globo


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