quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Em entrevista na manhã desta quinta, Lula diz que "Moro estava condenado a condená-lo"


Minutos antes de deixar a capital alagoana, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva concedeu entrevista, na manhã desta quinta-feira (24), ao Programa Gazeta Manhã, da Rádio Gazeta. Entre vários temas abordados, Lula falou sobre o atual cenário da política brasileira ao afirmar que o Poder Judiciário está politizado e a política está judicializada, declarando que o juiz Sérgio Moro 'estava condenado a condená-lo'. O ex-presidente adiantou não saber se será candidato no pleito de 2018, devido à situação pela qual passa perante a Justiça.

Na entrevista, Lula falou sobre uma possível mudança no sistema de governo para o parlamentarismo ou semiparlamentarismo, comentando que essa alteração seria "um rearranjo político" de um governo que não se sustenta, e isso se reflete no povo brasileiro.

"Na verdade, hoje, não temos governo, temos um cidadão [presidente Temer] que deu um golpe de Estado e está tentando mostrar sua incapacidade de governar o país, com o povo comendo o 'pão que o diabo amassou'. Nós vivemos uma situação que justifica o mau humor da sociedade, por isso, precisamos construir um clima de compreensão", avaliou Lula.


Questionado pelo apresentador Rogério Costa sobre as eleições de 2018, o ex-presidente não confirmou ser candidato, mas, independente da circunstância, "quer interferir positivamente no processo político brasileiro".

"Sou um torneiro mecânico que provou que este país pode ser respeitado, até porque conquistei oitenta e sete por cento de aprovação ao fim da presidência. Acho que quem prevalece é o povo sempre, apesar de o Congresso e a Justiça terem a suas funções. O maior problema, atualmente, é a judicialização da política e a politização do Judiciário", pontuou Lula, enfatizando que o Congresso (Câmara dos Deputados e Senado Federal) não tem credibilidade, sendo necessária a reconstrução de um clima de paz na sociedade para que o Brasil mude.

Na ocasião, o ex-presidente ponderou que um político não consegue se manter sem alianças, porém, elas não são unânimes. "Você precisa fazer alianças para governar; é inevitável. É preciso, portanto, alguém com credibilidade na sociedade. Sou otimista, ou seja, o Brasil tem conserto, pode dar um salto de qualidade, pode voltar a exportar, desenvolver-se industrialmente", expôs Lula ao acrescentar que "governar é fazer o óbvio, é fazer o que todo mundo sabe o que tem que fazer".

PROCESSO JUDICIAL

Ao ser indagado sobre o processo da Lava-Jato que responde perante o Tribunal Regional Federal (TRF 4ª Região), após condenação do juiz Sérgio Moro a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Lula disse não se preocupar, uma vez que a própria sentença não deveria ser outra, a não ser a condenatória, provocada por um "conluio em que as pessoas já estão condenadas pelas manchetes dos jornais".

"Ele [Moro] estava condenado a me condenar com as manchetes dos jornais. Não se tem, até hoje, nenhuma prova material que me responsabilize. Eu me preocupo com a atividade do MP [Ministério Público], quando há questões políticas envolvidas na investigação; porém, afirmo que este órgão tem o meu respeito", alfinetou Lula.

CARAVANA

Depois de passar pelos estados da Bahia, Sergipe e Alagoas, o ex-presidente e sua comitiva partem para Pernambuco, dando continuidade à série de viagens pelos nove estados do Nordeste na caravana intitulada "Lula pelo Brasil".

Em Alagoas, a primeira cidade visitada foi Penedo, no começo da noite da terça-feira (22). Ele foi recebido por políticos, militantes, correligionários e a população do município. Lula subiu em um trio elétrico e atacou o presidente Michel Temer (PMDB) e as reformas defendidas por seu governo. Na oportunidade, ele disse que as "propostas destroem as conquistas dos trabalhadores".

Já nessa quarta (23), o ex-presidente da República partiu para o município de Arapiraca, onde foi recebido por centenas de pessoas no Ginásio João Paulo II, sendo homenageado com o título de Doutor Honoris Causa concedido pela Universidade Estadual de Alagoas (Uneal).

E, na noite de ontem, seguiu viagem com destino à capital alagoana, para discursar no Clube Fênix, no Jaraguá. Na presença de movimentos sociais, ele tocou rabeca e falou que pode mostrar o caminho para mudar a realidade do país. Ele exaltou o legado do seu governo e atacou Temer, afirmando que o país tem uma dívida histórica com o Nordeste.

Gazeta Web


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